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Entre Notas e Estações: Uma Ode Poética do filme musical, La La Land

Há algo mágico nos filmes musicais, uma alquimia que une notas, palavras e movimentos, criando um espetáculo que transcende a tela. Confesso meu encanto por essa expressão artística, um deleite que encontra morada não só na música, mas também no teatro e na dança. Hoje, desejo compartilhar uma jornada peculiar, uma releitura com tintas de licença poética, sobre um filme que me arrebatou: “La La Land – Contando Estações”. Permitam-me desbravar suas nuances com um olhar entrelaçado entre as relações humanas e a psicanálise. Assim, neste universo de encanto, onde a melodia e a coreografia se entrelaçam, embarco com vocês em uma viagem além da tela, onde cada cena é uma estação, e cada estação é uma nota na partitura da vida.

Entre as cortinas da vida, desdobram-se momentos que transcendem a mera realidade, transportando-nos para um mundo de notas e melodias, onde os sonhos se entrelaçam com a efemeridade do existir. Em meio a uma vasta gama de filmes musicais que fazem os corações sorrir, há um que ressoa singularmente em meu âmago: La La Land – Cantando Estações. Sob a direção magistral de Damien Chazelle, a tela ganha vida com cores vibrantes e movimentos cativantes, nos envolvendo em uma jornada poética de autodescoberta.

Neste filme, o jazz transcende as fronteiras da música e penetra o âmago dos protagonistas, Sebastian e Mia, interpretados com destreza por Ryan Gosling e Emma Stone. Com encanto inigualável, Damien Chazelle nos convida a testemunhar a dança sutil entre os desejos mais profundos e as realidades que se impõem em nossos caminhos. Sebastian, um pianista apaixonado pelo jazz, busca perpetuar a essência desse gênero musical, enquanto Mia, uma garçonete com aspirações de se tornar atriz, enfrenta rejeições e desafios que colocam à prova sua determinação.

Em La La Land, a linha tênue entre o êxtase e a desilusão se revela em uma narrativa que transcende a busca individual, abraçando as complexidades das relações sociais e afetivas. A trama desdobra-se como uma teia de encontros e desencontros, refletindo as experiências conflituosas que moldam nossas vidas. Por entre as notas musicais e os passos de dança, emergem os temas universais do amor, do reconhecimento e do luto, entrelaçados em um emaranhado de emoções que ecoam a trajetória de cada um de nós.

Em meio às harmonias vibrantes, a história de Sebastian e Mia ressoa como um reflexo das lutas internas que todos enfrentamos. A renúncia de seus próprios sonhos em nome do amor os leva a um embate delicado entre a satisfação pessoal e a busca pelo entendimento mútuo. O filme nos lembra que, mesmo diante das escolhas mais difíceis, o amor e o desejo continuam a pulsar, moldando-nos em nossa jornada pelo mundo.

Ao som de improvisos jazzísticos e passos de dança que desafiam a gravidade, somos conduzidos a um universo onde a realidade e a fantasia se entrelaçam, tecendo um enredo envolvente que captura a essência do cinema contemporâneo. La La Land se revela como um testemunho do espírito de nossa época, um retrato envolvente dos dilemas que enfrentamos em nossas vidas diárias, em busca da realização e do equilíbrio entre o eu e o mundo.

Em cada cena, em cada gesto, o filme nos convida a refletir sobre os caminhos que percorremos em busca de nossos objetivos, e sobre o preço que pagamos ao longo dessa jornada. A saga de Sebastian e Mia, marcada por renúncias e dúvidas, ecoa em nossas próprias histórias de amor e perda, nos lembrando que cada escolha feita ao longo da vida nos molda em quem somos no presente.

Assim, La La Land se revela como uma ponte para nossos próprios anseios, uma ode à busca pela plenitude e à necessidade de equilibrar nossas aspirações pessoais com os laços que nos unem aos outros. É um convite a dançar e cantar no ritmo de nossos próprios sonhos, a abraçar a vida com alegria e determinação, e a compreender que, no fim das contas, cada passo em direção aos nossos desejos é uma jornada de autodescoberta e aceitação.

Na densa tapeçaria da vida, o relacionamento entre Sebastian e Mia se desenrola como uma melodia encantada, emaranhada nas complexidades do amor e dos sonhos. O sucesso profissional que ambos alcançaram não foi suficiente para mitigar a dor e a angústia que o fim de seu relacionamento deixou para trás. La La Land se revela muito mais do que um musical; é uma jornada poética que nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos e as perdas que inevitavelmente acompanham nosso caminho.

A história é como uma ponte que une o passado e o futuro, conectando a realidade com os sonhos e entrelaçando a razão com a emoção. Em meio a esse labirinto de encontros e desencontros, somos confrontados com a eterna dicotomia entre nossas próprias necessidades e as demandas do mundo ao nosso redor. A jornada de Sebastian e Mia se torna um reflexo de nossas próprias lutas, um lembrete de que a vida é uma dança delicada entre o eu e o outro, entre o dentro e o fora, entre o ser e o existir.

O filme captura com maestria o processo de autodescoberta e autoconsciência, nos lembrando que, muitas vezes, são os encontros e desencontros que nos moldam e nos transformam. O caminho para a plenitude não é linear, e La La Land nos convida a abraçar as nuances da existência, a apreciar os momentos de alegria e tristeza que compõem a sinfonia de nossas vidas.

A estética do filme transcende a mera cinematografia, revelando-se como uma expressão da vida em toda a sua complexidade e beleza. As pausas e repetições que interrompem o fluxo natural da existência são evidenciadas como obstáculos a serem superados, enquanto a fluidez é celebrada como a essência da busca por um equilíbrio harmonioso.

La La Land nos presenteia com a oportunidade de refletir sobre nossos próprios relacionamentos e encontros marcantes, nos lembrando que somos moldados por cada interação, cada escolha, cada passo que damos em direção ao nosso destino. A vida é um ciclo interminável de mudanças e transformações, uma sinfonia composta por todos os acordes que compõem nossa jornada única e singular.

Ao fim de cada compasso, La La Land nos lembra da importância de abraçar cada momento com fervor e paixão, reconhecendo que a vida é uma jornada repleta de altos e baixos, de despedidas e reencontros, de perdas e ganhos. O filme nos ensina que, apesar das escolhas difíceis e das incertezas que permeiam nosso caminho, o amor e a arte podem ser faróis a nos guiar em direção à felicidade e realização. Convido a todos a se permitirem envolver pelo encanto de La La Land, dançando e cantando ao ritmo de seus próprios sonhos e desejos, em uma celebração vibrante e emocionante da vida e de todas as suas sutilezas.

Em meio às veredas dos relacionamentos humanos, Contardo Calligaris, o psicanalista sagaz, desvelou, em uma de suas palestras, uma verdade profunda e, por que não dizer, irônica sobre o casamento. Num tom jocoso, revelou que muitas vezes, não nos unimos por amor, mas sim para apontar ao outro as escolhas que acreditamos não termos feito. É como se a união matrimonial se tornasse uma espécie de tribunal, onde acusamos e somos acusados, usando o compromisso como uma moeda de troca nas relações.

Essa peculiar visão da psicanálise ecoa nas entrelinhas de um trecho cinematográfico, como se vislumbrássemos, em uma obra de arte, os fios invisíveis que entrelaçam os destinos amorosos. Há quem diga que desejamos, na verdade, o desejo do outro, um intricado jogo de espelhos onde nossos anseios se refletem no olhar do ser amado. É como se, ao realizar o que acreditamos ser o desejo do outro, nos encontrássemos mais próximos da plenitude.

Contudo, a trajetória de um relacionamento não pode ser medida apenas pela extensão temporal em que um casal compartilha a vida. A felicidade conjugal não se resume aos anos somados, mas à capacidade de permitir ao outro seguir seus próprios desejos, autorizando e, de certa forma, potencializando esses anseios. Calligaris argumenta que um casamento verdadeiramente significativo é aquele em que cada parceiro fomenta o desejo do outro, em uma sinfonia de amores que se complementam, ao invés de se anularem.

No epicentro dessa análise, vislumbramos o relacionamento entre os personagens, uma dança complexa de desejos entrelaçados, onde ambos logram alcançar seus objetivos iniciais. No entanto, não escapam do fardo do rompimento, da dolorosa despedida que permeia o fim de uma ligação amorosa. O musical, como uma tela que retrata a vida, tece uma metáfora vibrante, conectando passado e futuro, realidade e sonhos, razão e emoção, dentro e fora, eu e mundo. A pergunta persiste no ar, como uma melodia que paira: será que há uma ponte que une e separa, ou tudo é, na verdade, uma única totalidade?

A arte de dar suporte a alguém, seja como coach ou psicanalista, revela-se como um esforço para expandir o repertório de escolhas de um indivíduo, permitindo que seu fluxo natural de vida retome sua fluidez intrínseca. Não há certo ou errado, mas sim uma busca íntima por novas escolhas, uma jornada singular. Assim como em La La Land, onde o encanto se entrelaça com a dança e a canção, a estética do filme se alinha ao processo de encontros e desencontros dos protagonistas, refletindo, de maneira íntima e universal, os intricados caminhos dos relacionamentos humanos.
Roberto Marinho
Publicitário e Psicanalista
Contato: Robertomarinho28@gmail.com

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