Hoje, dia das mulheres, enquanto as páginas do calendário nos conduzem a uma celebração tão merecida, sinto-me compelido a dedicar estas palavras àquelas que, com seu toque delicado e sua força inabalável, moldam os dias da minha existência.
Primeiramente, permitam-me enviar um caloroso cumprimento, repleto de amor e gratidão, à primeira dama da minha vida, minha amada esposa, Fátima Marinho. Em seguida, quero expressar minha sincera reverência à minha eterna e querida mãe, Dona Zezinha, e à minha sogra e grande amiga de todos os momentos, Dona Carmem Freitas. Não posso esquecer de mencionar minha irmã, Cida Marinho, minhas sobrinhas, Anna Carolina e Fátima Giovanna, minha tia, Cidinha Freitas, como também, minha Tia Tereza ( Chirlei ) e Magnólia Marinho ( minha Pet, linda ). Mulheres valentes que compartilham comigo instantes preciosos de minha vida.
Ao escrever esta homenagem ao Dia das Mulheres, é impossível não evocar tantas amigas que acompanharam minha jornada ao longo dos anos. Prefiro não mencionar para não esquecer ninguém.
Cada uma dessas mulheres, dentro do seus papeis, deixou sua marca indelével em minha vida, seja por meio de suas palavras sábias, seu apoio incondicional ou seu exemplo de coragem e determinação. São elas que me lembravam diariamente da beleza e da força feminina que permeiam o mundo.
Hoje, também é um dia daqueles em que as palavras parecem dançar em minha mente, relutando em se alinhar em uma sequência coerente. Tantos pensamentos fervilhavam dentro de mim, tantas emoções buscavam uma saída, que mal sei por onde começar.
Nem sei direito o que dizer de tanto o que há para ser dito. Enfim, vai o que está em meu coração. Fiquem com o que pode haver de melhor neste meu texto…
Ah, como vocês mulheres arrasam, mesmo. É difícil começar e por onde mesmo, hein?
Nestes anos todos tenho escrito coisas sobre vocês, sempre no dia oito de março de cada ano. Me recordo que um dos textos mais lindos que criei sobre o dia oito foi quando fiz um apanhado histórico das grandes heroínas do nosso século, comparando-as com as mulheres: mãe, esposa, irmã, tia, sobrinha, amigas que não teve seu nome exposto na mídia, mas que, de certa forma, deu sua contribuição gigantesca.
Sigamos juntos. Imagine só falar o quê do dom da maternidade, e o privilégio de encaminhar um homem (ou outra pessoa – enfim) numa primeira aventura amorosa!? Tantas exigências e experiências – já que experiência é a palavra do momento, no mundo mercadológico, mas sabe, tanta exigência, também, para com as mulheres, não seria?. Tantos papeis ao mesmo tempo!?. Sobre isso mesmo estava pensando numa fala da Nise da Silveira, que é mais ou menos assim: “Não se curem além da conta… Gente curada demais é gente chata!!”, muitos risos. Isso põe por terra tanta exigência que fazem de vocês.
Lugar de fala
Já que dei lugar de fala às mulheres, me atrevo mergulhar um pouco nesta expressão, bastante psicanalítica, aliás, mas que, molda nossos dias atuais. Fui buscar compreensão sobre o que se pensa a respeito do tal “ lugar de fala “. Brotou da minha mente algo assim, em meio a uma atmosfera de reflexão e celebração. As palavras fluem como um rio tranquilo, levando consigo os sentimentos mais profundos e as homenagens mais sinceras.
Estamos inscritos em um mundo onde as palavras continuam a tecer os laços invisíveis que conectam os corações e mentes de seus habitantes. A linguagem sempre desempenhou um papel crucial na formação da sociedade e na construção da identidade individual. É por meio dela que nos constituímos e somos constituídos, em um intricado jogo de associações.
Neste vasto palco social, o sujeito se vê imerso na linguagem, dependendo dela para se expressar, compreender o mundo ao seu redor, comunicar-se com seus semelhantes, transmitir conhecimento e preservar sua cultura. Tanto a linguagem verbal quanto a não verbal são as ferramentas que possibilitam sua interação com o universo que o cerca.
No entanto, nem todos os sujeitos estão em uma posição de igualdade nesse cenário linguístico. Alguns grupos, historicamente marginalizados, encontram-se relegados a espaços periféricos, com suas vozes abafadas pelos clamores das maiorias dominantes.
É nesse contexto que tento fazer uma borda bem rápida em discurso, língua, linguagem, lugar de fala e construção do sujeito. Tento fazer menção do papel e o funcionamento da linguagem na formação da subjetividade humana e destacar a importância vital de grupos que ocupam lugares de fala que lhes são devidos.
Fiz uma boa formação em Comunicação, mais especificamente em Jornalismo, que é área que venho atuando de uma forma ou de outra pela vida. Sem dúvidas, amo. Sempre tive a compreensão de que a linguagem não é apenas um meio de comunicação, mas uma força poderosa que molda a percepção de mundo e a identidade dos sujeitos. São os discursos, carregados de significados e valores, que constroem narrativas sobre quem somos e nosso lugar na sociedade.
Torna-se evidente que os discursos dos grupos não devem ser relegados às margens, mas sim elevados a posições socialmente visíveis. Somente assim podem contribuir para uma representação mais justa e plural da realidade, ampliando nossos horizontes de compreensão e fortalecendo os laços que nos unem.
A linguagem sempre exerceu um importante papel na história da humanidade, sendo que a linguagem tornou possível a formação de sociedades, a transmissão de conhecimentos e a compreensão entre indivíduos, com destaque à importância e versatilidade da linguagem humana, apontando que só é possível existir sociedades enquanto houver linguagem. Assim, Compreendendo a linguagem enquanto uma ferramenta essencial para o ser humano, que, ao mesmo tempo, a constrói e é construído por ela enquanto sujeito,
A relação entre linguagem e sujeito tem sido objeto de estudo em diversas áreas do conhecimento como a linguística, a comunicação e a psicologia, sendo que o
“Lugar de fala” nada mais é que um conceito com suas raízes na teoria crítica e nos estudos sobre opressão e poder. Na psicanálise, especialmente em contextos contemporâneos, o conceito de “lugar de fala” pode ser interpretado de várias maneiras.
Perspectiva do paciente: Ao espaço seguro e acolhedor proporcionado pelo terapeuta para que o paciente possa falar livremente sobre suas experiências, sentimentos e pensamentos. Esse espaço é fundamental para a análise psicanalítica, onde o paciente pode explorar sua vida interior sem julgamento.
Consciência de si mesmo: Também pode se relacionar com a consciência que o paciente desenvolve sobre sua própria subjetividade e experiência. Isso envolve reconhecer sua própria voz e a validade de suas experiências, sentimentos e perspectivas.
Empoderamento: Em uma abordagem mais crítica, o “lugar de fala” pode ser entendido como um processo de empoderamento, no qual o paciente é encorajado a assumir controle sobre sua narrativa e a reivindicar sua autoridade sobre sua própria vida.
Desconstrução de poder e privilégio: O conceito de “lugar de fala” também pode ser aplicado para analisar as dinâmicas de poder e privilégio dentro da relação terapêutica. Isso pode envolver uma reflexão sobre como as identidades e as experiências sociais do paciente e do terapeuta influenciam a dinâmica da terapia.
Resumindo bem, o “lugar de fala” na psicanálise refere-se ao espaço de expressão e reconhecimento da subjetividade do paciente, assim como à reflexão sobre as relações de poder e privilégio dentro do processo terapêutico.
Volta para o dia delas, risos. Vou e volto nos temas, divago…. delícia poder divagar. Este é o meu espaço para conversar com Vocês leitoras e leitores. Então, neste Dia Internacional da Mulher, celebro não apenas essas mulheres extraordinárias que cruzaram meu caminho, mas todas as mulheres ao redor do mundo, que enfrentam desafios com bravura, que irradiam amor e compaixão, e que, com sua presença singular, tornam o mundo um lugar mais belo e acolhedor.
Que este dia seja dedicado a reconhecer e valorizar a contribuição única de cada mulher, e que possamos continuar a honrar sua essência e seu legado, hoje e sempre.
Por fim, o lugar de fala de cada mulher, inscrita na vida pelas intricadas veredas da linguagem, pode deixar claro que cada uma dessas vozes: [ da mãe, da avó, da tia, da irmã, da namorada, da esposa, da sócia, da líder seja em que áreas for…]. Ou seja, a voz feminina, nesta semana das mulheres, por mais silenciada que possa, possui o poder de transformar o mundo. Cabe a cada um de nós, como agentes ativos desse processo, garantir que todas as vozes dessas mulheres de nossas vidas sejam ouvidas e respeitadas em sua diversidade. Somente assim podemos verdadeiramente alcançar a plenitude de nossa humanidade.
Excelente dia… Excelente vida. Deus abençoe cada uma de vocês. Não consegui cumprimentar ainda todas as mulheres que conheço e merecem minha admiração e carinho, mas, fica por aqui meu registro.
Roberto Marinho
Publicitário e Psicanalista
Contato: Robertomarinho28@gmail.com
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