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O arquiteto e urbanista Sylvio Sawaya

Por Victor de Andrade Lopes

Se fôssemos informar o currículo completo do Granjeiro do Mês de novembro, precisaríamos de um arquivo anexo só para listar as centenas, talvez milhares de atuações acadêmicas, incluindo participações em bancas de TCCs e teses de pós-graduação, artigos, participações em eventos científicos, etc. Ex-diretor presidente da Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (Emplasa) e ex-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Sylvio Barros Sawaya é o urbanista que toda cidade gostaria de ter. Carapicuíba teve esta sorte e tirou proveito do talento dele – o resultado se vê na Aldeia de Carapicuíba, por exemplo. Morador da região da Estrada da Aldeia, Sylvio acompanhou de perto – e com o olhar treinado de um especialista – o rápido desenvolvimento a que a Granja Viana se viu submetida nas últimas décadas. Em depoimento ao Granja News, ele contou parte de sua longa trajetória e aponta alguns caminhos possíveis para um desenvolvimento responsável:

“Eu sou um dos raros paulistanos nascidos nos anos 1940, em plena Segunda Guerra. Na minha infância, só tinha gente de fora. Morávamos ali nos Campos Elísios, meu pai trabalhava na Alameda Glete. Quando o departamento dele mudou, fomos para o Alto de Pinheiros. Depois que eu me formei e me casei, morei rapidamente em uma vilazinha simpaticíssima paralela à Consolação. E por fim viemos para cá.

O sobrenome Sawaya é libanês. De acordo com primos e alguns livros, ele vem de Savoia, do tempo das Cruzadas. São membros que não voltaram e se casaram. E depois que os cruzados perderam, eles foram morar nas montanhas, em vales que os mantinham protegidos. Sabe-se da história dessa família desde 1200. No fim do século XIX, sob domínio turco, a situação lá era muito difícil. Meu avô era filho do primeiro casamento e depois que meu bisavô casou outra vez, resolveram mandar meu avô sem a mulher e os filhos para cá para ver como era. Dez anos depois, veio minha avó com os filhos e eles tiveram outros, já em solo brasileiro. Meu pai já é dessa geração. Essa origem libanesa, essa experiência de imigrante do meu avô e a carreira do meu pai marcaram muito toda a vida. É uma origem muito interessante e essa luta para poder se inserir, agregar e contribuir para o país que recebeu a família foi muito importante para todos nós, e para mim, com certeza.

O Barros é português. Meu bisavô veio de Portugal porque não queria ser padre como queriam lá. Então ele fugiu com outro nome, casou com uma brasileira e criou família. Já a bisavó materna era dessas famílias antiquíssimas daqui de São Paulo, deve ter vindo nas caravelas. Era da família Camargo Andrade. Está cheio de Camargo aqui, inclusive.

Eu decidi cursar arquitetura porque quando estava no ginásio científico eu não sabia o que fazer. Eu escutava histórias de uma nova capital do Brasil e certa vez na barbearia eu li em uma revista Cruzeiro um artigo excelente sobre Brasília e Oscar Niemeyer e eu vi que era isso o que eu queria: fazer bons espaços para as pessoas viverem melhor. Mas não havia tradição nenhuma em casa, não convivia com nenhum arquiteto, eu me descobri na faculdade.

Eu fui militante estudantil. Entrei em 1961 na faculdade, participei ativissimamente da politica estudantil até 1964, quando houve o golpe. Fui presidente do DCE-USP (Diretório Central dos Estudantes da USP) e secretário do grêmio da FAU. Depois do golpe, vários colegas meus foram exilados e alguns morreram. Foi um período muito duro, os tais ‘anos de chumbo’, que para mim são anos cinzentos, pois não lembro de sol nessa época. Eu fui avisado de que tinha de ficar quieto senão me pegavam. Resolvi me manter um cidadão, mas sem agitar muito para não dar galho. Inscrevi-me no doutorado da FAU (na época o mestrado não era necessário) e em 1971 ela abriu um concurso para professor em tempo integral. Vários professores se candidataram, mas muitos não queriam trabalhar em tempo integral. Eu e meu colega Edgar Dente topamos, então contrataram primeiro os mais jovens e depois os outros. Entrei em 1971 para dar aula e lá fiquei a vida inteira.

A faculdade era um refúgio, um lugar onde eu podia pensar, ter um grupo de alunos que me acompanhava e ajudar na formação deles. Apesar de ser arquiteto, eu não tinha uma aptidão muito grande para manter clientes, fazer marketing, eu não entrava nessa jogada, então fiquei na universidade. Mas mantive meu escritório sempre. Meu pai era biólogo e médico de formação. Quando era professor de ciências naturais, fundaram a USP e o convidaram para ser assistente do professor Bressler, um zoólogo de origem judaica. Criaram depois o departamento de fisiologia. Nessa época ele se transformou em catedrático e passou a vida dedicado à universidade. Isso me ajudou a ter uma noção muito forte sobre o que é e para que serve uma universidade.

Em 2003, fui colocado na comissão que estudou a possibilidade de fazer a USP Leste. Eram uns seis professores, eu era o único arquiteto e lutei muito para que ela fosse construída. Fiz os estudos básicos, mas não o projeto final. Isso me entusiasmou muito, eu já era membro do conselho universitário e pedi tempo integral. Os últimos sete-oito anos da minha vida foram de tempo integral na universidade. Fui diretor, lutei muito para reformar a instituição e recuperar os espaços e as estruturas do prédio da sede da faculdade. Infelizmente, não consegui fazer o mesmo no prédio da Rua Maranhão, onde era a antiga sede.

Acabou minha gestão, aposentei-me e continuo dando cursos de pós e pesquisa. Estou vivendo um tempo muito interessante de liberdade, porque não tenho mais que ficar com esse patrulhamento ideológico da universidade, essa coisa de ‘você é um arquiteto isso, um arquiteto aquilo’. Posso pensar o que eu quero e a salinha de estudo que montei aqui é realmente meu local agora para fazer essa etapa da vida.

Profissionalmente, eu trabalhei em muitas coisas, fiz o planejamento dos núcleos urbanos para apoiar a ocupação rural em Rondônia, que hoje são 11 municípios. Em Salvador, trabalhei no governo Mário Kertész, estudei muito a estrutura de formação popular da cidade, e contribuí com uma ideia do arquiteto Lelé (João Filgueiras Lima), que consistia em uma avenida ao longo da praia. Fiz muitas casinhas também, casas que eu gosto e que em geral são valorizadas. Tem uma atrás do Jóquei Clube que foi minha primeira grande residência. Hoje, está em vias de ser tombada. Vale ressaltar que desde 1984 eu me empenhei muito em usar os materiais tradicionais na construção: pedra, madeira e sobretudo a terra, como pau a pique e taipa de pilão. Descobri que ter me voltado para os materiais tradicionais me levou gradativamente a ampliar a linguagem arquitetônica que eu podia usar. Eu me formei na escola modernista, que pregava que o eclético não vale, uma ideia que fui desmontando aos poucos.

Há nessa minha trajetória profissional uma evolução na compreensão da arquitetura, entendendo que a arquitetura é um patrimônio de todos nós, com experiências acumuladas. O que a gente faz não é inventar nada novo. É, a partir de todo esse acervo, recompor em função das necessidades novas, o que dá sempre uma novidade. Essa liberdade de trabalhar com acervos de experiência humana, organizados sensivelmente através da arte, seja ela música, arquitetura, pintura, etc., parece-me muito importante.

Na minha época teve um movimento seríssimo de reforma universitária. A gente pensou este país de tudo quanto era jeito. Tudo isso naufragou com o golpe, e a cultura política que a gente herdou dos movimentos universitários se perdeu, o país passou a ter uma geração sem noção de politica, individualista, e mesmo os partidos que surgiram depois já vinham com uma cultura politica menor que a anterior. Foi uma perda total. Participei também do movimento de reforma urbana e de cultura popular, tudo isso marcou minha vida.

Em 1969, no meu primeiro casamento, estávamos cansados de São Paulo. Uma prima da minha esposa era casada com um italiano que tinha uma chácara onde hoje é o Colégio Objetivo, ali na José Félix. Havia três casinhas no terreno e eles nos cederam uma delas. Moramos lá por um tempo, começamos a procurar lugares para fazer uma casa e encontramos este terreno aqui, que na época englobava também a Casa Redonda, que começou a ser construída em 1974 e foi concluída em 1978. Moramos por dois anos numa casa que hoje é maior. Ela tinha menos de 40 m² e ficou famosa, sendo publicada como solução econômica.

Meus pais compraram mais dois lotes, totalizando uma área de 14 mil m². Contudo, de 1969 a 1974, nós voltamos para São Paulo – e foi horrível, morávamos no Iguatemi, era uma barulheira. Viemos para cá de novo. Divorciamo-nos eventualmente, a casa virou uma escola e projetei outra casa para minha ex-esposa morar. Em 1983, minha mãe foi operada do coração e resolver passar uns dias aqui para descansar. Nunca mais saiu e ficou morando aqui com meu pai até morrer, 11 anos depois. Meu pai faleceu no ano seguinte.

Este terreno tem algo na ordem de 45 anos e vem sendo trabalhado sempre. Quando meu pai morreu, dividimos o lote dele para uma casa e mais uns terrenos em volta. Um deles foi para um casal de professores baianos da USP. 13 anos depois eles já tinham se aposentado e não fazia mais sentido ter a casa aqui, então voltaram para o apartamento que tinham na capital e puseram a casa para vender. Eu comprei e projetei a ampliação, isso há uns 25 anos. No fim, a ampliação ficou tão boa que eu acabei morando aqui: moro numa casa que eu mesmo projetei, mas não para mim.  Em 1983, voltei para São Paulo de novo, onde fiquei até quatro- cinco anos atrás, quando voltei definitivamente para a Granja. Isso coincidiu com a minha aposentadoria compulsória da USP e foi ótimo retornar a esse lugar que eu gosto tanto, com essa natureza.

Hoje você tem uma dificuldade muito grande de acesso a São Paulo. Esse entupimento da Raposo Tavares não existia nos anos 70, 80. Ela era estreitinha, mas você chegava a São Paulo em 15 minutos. Hoje é diferente, você leva uma hora. Eu já me adaptei e não vou muito à capital então está ótimo morar aqui. Também nessa época isso aqui era vazio, era tudo pasto. Nos últimos anos, começou a ocupar tudo. E a partir de uns dez anos atrás, surgiram os predinhos. E isso passou a ser uma zona de habitação mais densa. Ainda bem que este terreno é voltado para onde tem árvores e eu não preciso olhar para os prédios. O bairro mudou muito. Os bairros periféricos da Carapicuíba eram tudo de terra e com casas precárias, agora asfaltaram, melhoraram as casas e está começando a surgir essa história de derrubar quatro, cinco casas e fazer predinhos.

O que me impressiona, como arquiteto que sempre se preocupou com a cidade, especialmente com a Aldeia de Carapicuíba, é que essa evolução foi absolutamente sem pensar. Eu vim para a Aldeia no meu primeiro ano de faculdade (1961) e fiquei impressionadíssimo com o espaço. Ela é uma questão minha desde então. Um dia encontrei lá o arquiteto Luis Saia que, em 1938, quando era ainda estudante da Escola Politécnica, fez um estudo sobre a Aldeia. O estudo serviu de base para o tombamento, que é importantíssimo porque a Aldeia é o único aldeamento indígena do Brasil que está inteiro até hoje. Vários semestres do meu curso de pós-graduação foram sobre ela.

Eu acho que ela é um polo central muito sério para o Brasil. Com a ligação do Rodoanel, que passa pela aldeia e vai para a Granja, ela pode ser um centro turístico comercial, pode ter lojas de roupas, um monte de coisa. Ele está numa rota muito importante. Desde 1968/69 eu tenho acompanhado as questões de planejamento, trabalhei no plano urbanístico básico de São Paulo, aprendi a ver a cidade, as pessoas, então sempre me preocupei com essa organização urbana aqui.

E hoje para mim é evidente que há erros muito sérios. A Aldeia era a sede de Carapicuíba. Com a chegada do trem, a cidade passou para perto dos trilhos, e a Aldeia ficou preservada, o que foi ótimo. Mas a Raposo Tavares a cada dia se parece mais com uma avenida e é a única via que os moradores de Carapicuíba podem usar para ir a São Paulo, a outra é a Avenida dos Autonomistas, perto do Rio Tietê. E o pessoal continua insistindo em aumentar o tráfego na Raposo, tudo vai para ela. E na minha cabeça, conhecendo razoavelmente São Paulo, fica evidente que entre a Raposo e a Autonomistas deveria ter alguma outra via urbana para o transporte de massa. O futuro dessa rodovia é cada dia pior.

Há uma ligação muito importante que não foi concluída até hoje: a Avenida da Escola Politécnica. Era para ela ir até a Avenida Francisco Morato. Está pronto o projeto, acho até que já está tudo desapropriado, mas não fazem. Ela é parte de um rodoanel do tempo do governador Franco Montoro, um rodoanel menor. São Paulo tem vários rodoanéis, sempre que ela cresce, fazem mais um. Este Rodoanel que passa perto da Granja foi sugerido pela primeira vez em 1986, no conselho metropolitano de transportes. Eu era presidente da Emplasa e fui um dos proponentes.

Esse desenvolvimento recente daqui precisa ter um ordenamento. Ora, esse ordenamento não é municipal. Carapicuíba é um município dormitório, com dificuldades até para fazer um plano diretor, e Cotia já é um município mais rico, com sede industrial. Mas ambos só ficam voltados para seus territórios. Eles não estudam a inter-relação regional. O que me impressiona é a avareza de quem faz o desenvolvimento da ocupação dos territórios aqui. Vou te dar um exemplo: a ocupação da Granja ao longo da Raposo. Aquele desenho de zoneamento é absolutamente avaro, o pessoal pensou em ganhar dinheiro e mais nada. Tem rua sem saída, a circulação é um horror, para estacionar é complicado, é impressionante como o cara que fez aquilo não pensou no futuro e nos outros. Pensou como iria faturar. E isso não é exceção, é exemplo do que acontece no geral.

Aqui em volta só havia estradinhas, porque os terrenos eram chacrinhas de 5 a 10 mil m². Foram todas ocupadas e asfaltadas. Mas não há calçada! Na Estrada da Aldeia, que é uma via antiquíssima, importantíssima, o pessoal anda no meio da rua, não há respeito nenhum ao pedestre. Os dados dizem que 50% das viagens em São Paulo são feitas a pé. Aqui deve ser mais. Mas só se pensa no automóvel e o pedestre que se dane. Essa visão egoísta de organização do espaço fez, por exemplo, com que não houvesse transporte coletivo nos condomínios e nas chácaras, porque não querem que passe ônibus na frente de suas casas. E quem vem trabalhar aqui tem que andar quilômetros a pé. Essa visão egoísta de apropriação do espaço, essa apropriação muito oportunista, essa coisa de comprar e ficar segurando para valorizar, isso a gente tinha que dar um jeito de transformar. Esse parcelamento tem que ser revisto. Já está feito, mas temos de ver o que dá para montar sobre ele para que funcione.

A calçada é pavimentada pelos moradores, enquanto que a via carroçável é feita com dinheiro publico. Por consequência, não há projeto de calçada. Vagas de estacionamento comem facilmente dois metros de calçada e ainda colocam poste, árvore, banca, o diabo. Cada morador resolve fazer um jeito de concordância da sua casa com a rua, aí começa a surgir degrau, rampa… O projeto de calçadas deveria ser público. E os moradores teriam de acomodar suas casas ao projeto, não o contrário.

Eu fiz o projeto da OCA de Carapicuíba, já pensando na questão da importância, do futuro. É um projeto curioso porque para ser aprovado no Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) fizemos um diálogo com o que existe de antigo lá. Ele é muito atual como projeto, mas ao mesmo tempo tem uma linguagem tradicional. Acho que é um lugar significativo, não porque eu fiz, mas porque o pessoal gosta. Ela é um exemplo do que se pode fazer. Tanto generosamente, visando atender à população, quanto agregando novos elementos que vão contribuir para o que existe e não vão se apropriar destruindo, que é o que eu sinto aqui. Mas claro que eu estou muito feliz no meu pedacinho, 1500 m² cheios de árvores.

As reuniões sobre o plano diretor de Cotia [referindo-se à série de encontros Conversando Sobre o Plano Diretor] me interessaram muito, e eu sempre insisto que tem de ser regional, tem que incluir Osasco, Itapevi, Jandira e Embu das Artes. É possível chegar ao governo do estado, é possível comover se houver movimentos significativos que apoiem. A essa altura não sou militante para carregar faixa, mas acho que dá perfeitamente para agregar as pessoas interessadas e tentar fazer. Pessoalmente, eu sou muito grato a esse tempo todo que eu pude estar aqui. Gostaria de retribuir o que essa terra me deu fazendo alguma coisa, sem qualquer militantismo ou esforço sobre-humano, mas no sentido de agregar pessoas que sabem pensar e topem fazer.

Tombar a Granja Viana não apenas é possível como é necessário. E há varias razões. A primeira é que nesses 40 anos ou mais, o que era pasto virou uma arborização importantíssima. Você tem hoje na Granja e em toda a região um patrimônio da flora muito importante. Não só é importante como é um refúgio que sobrou. Antes não aparecia tucano ou sagui aqui, hoje aparece, porque eles foram sendo empurrados dos outros lugares. A segunda razão que eu acho é que ela pode ser um espaço muito agradável. Como tenho vivido aqui, eu percebo. A política de condomínios fechados e a falta de tratamento das vias públicas são absolutamente deterioradoras. Deveríamos ter critérios muito sérios de tratamento das vias e espaços públicos que existem aqui.

E esses espaços públicos deveriam ser efetivamente públicos e não semi-privatizados como acontece. Claro que quem mora numa vila não quer abrir nada para a outra vila, mas isso tem que mudar. Tem que se criar uma consciência de urbanidade que permita a todo mundo conviver. Essa urbanização poderia ajudar muito na questão da segurança. Ela é feita aqui por grupos privados. Isso pode ser interessante, mas deveria haver um sistema mais agregado e uma participação ativa de todos que moram aqui – seja nas áreas de gente abonada, seja nas áreas de pessoas com menos condições. Não há segurança urbana pública se você não tiver uma participação grande da comunidade. E isso não é uma cultura que a gente tenha, mas é perfeitamente possível montá-la, treinar o pessoal, ter sistemas de comunicação e de informação, etc. Então eu acho que se você meio que cristaliza essa região de chácaras, ela serve como refúgio natural, um patrimônio incrível. É tudo perfeitamente factível, não é difícil, é só saber fazer.

O tombamento é muito mais ambiental, estabelecendo tamanho de lotes, coeficiente de ocupação para não superocupar esses espaços e manter esse aspecto de oásis que a Granja tem. Existe o patrimônio arquitetônico, mas ele não é a primeira questão a se colocar, é o ambiental que interessa.

Se houvesse um consórcio de municípios, poderia se estabelecer uma espécie de administração regional. Não precisa ser todo o município. Parte de Cotia, parte de Carapicuíba, faz-se um acerto e cria-se uma cultura e um planejamento próprio, um fluxo de recursos de investimento. E uma ação forte junto ao governo do estado para ele colocar recursos aqui. Isso exigiria uma postura suprapartidária. Como dizia o Montoro, o único espaço público que você efetivamente tem é onde você mora: o município. É diferente da administração do estado, que é abstrata. Você mora no município, não na união. É possível num consórcio desses você ter um conselho regional com membros eleitos. Ele poderia funcionar como uma espécie de câmara regional. E um conselho executivo com representantes do município atuando juntos.

Precisa-se superar essa divisão de bairro dos ricos e dos pobres, um contra o outro. Isso só piora. É importante fazer isso agora que ainda dá para fazer. Mas para isso a gente tem que romper as rotinas tradicionais e a maneira de ver as coisas. E existem conselhos de tudo hoje em dia, com experiências interessantes, objetivos variados, então há uma experiência já estabelecida que pode nos ajudar muito na montagem disso. Todo o lastro do que eu estou falando vem de uma atividade profissional que eu sempre tive, mas a questão não é técnico-profissional, é dos cidadãos, é uma questão a ser assumida por eles. Haverá desdobramentos técnicos, mas exigirá de todos que se formem melhor como cidadãos para que tenham esse papel atuante.”

Sobre Granja News

O Granja News, jornal voltado ao público da Granja Viana e região, tem circulação em todo o centro comercial da Granja, parte de Cotia e em 90 condomínios da região, como por exemplo, São Paulo II, Nova Higienópolis, Fazendinha.

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