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roberto marinho

Por que tanta repetição nessa vida ??

Hoje, meu coração transborda em palavras sobre um tema tão presente em nossas vidas: a repetição. Ah, como essa dança constante se faz sentir em cada esquina da existência, em cada espiral do destino.

Quantas vezes nos vemos repetindo padrões, escolhendo caminhos já percorridos, buscando resultados que parecem estar sempre um passo à frente de nossas mãos? A repetição parece ser uma teia invisível que nos envolve, nos conduzindo por trilhas familiares, mesmo quando desejamos ansiosamente desbravar novos horizontes.

Nos amores, ela se manifesta de forma sutil e avassaladora ao mesmo tempo. Como é fácil nos vermos presos nos mesmos ciclos de emoções, nos mesmos padrões de relacionamento, repetindo histórias que julgávamos ter deixado para trás. É como se estivéssemos condenados a reviver as mesmas paixões, os mesmos desencontros, os mesmos desejos ardentes que nos consomem.

E que dizer dos grandes encontros e desencontros que povoam nossa jornada? Quantas vezes nos vemos repetindo os mesmos erros, os mesmos gestos, as mesmas palavras, como se estivéssemos presos num eterno retorno ao passado? É uma dança cansativa, às vezes dolorosa, mas que parece inevitável, como se estivéssemos destinados a repetir os mesmos passos até que finalmente aprendamos a lição que a vida insiste em nos ensinar.

E então, lá estamos nós, agindo pelo mundo com nosso jeitão peculiar, repetindo gestos, escolhas, atitudes, como se fosse um roteiro já escrito nas estrelas. Às vezes nos perguntamos se algum dia seremos capazes de quebrar esse ciclo vicioso, de romper com as amarras do passado e encontrar uma nova maneira de ser e de viver.

Mas, mesmo diante da aparente inevitabilidade da repetição, há algo de belo nesse processo. Pois é na repetição que encontramos a oportunidade de nos conhecermos mais profundamente, de nos confrontarmos com nossos medos, nossas fraquezas, nossos sonhos mais secretos. É na repetição que encontramos a oportunidade de nos reinventarmos, de nos transformarmos, de nos tornarmos quem realmente somos.

Num desses momentos de reflexão que a vida nos presenteia, me vi diante de uma encruzilhada peculiar. A decisão, habitualmente uma tarefa que empreendemos com destreza, tornou-se um labirinto em minha mente. A sombra da repetição pairava sobre minhas escolhas, como se os dias passados tivessem moldado uma linha condutora em meu destino.

Ah, as armadilhas da rotina! Parecia que a cada passo que eu dava em direção a uma nova decisão, sendo escolhas, por exemplo, eu me encontrava no mesmo cantinho de sempre. Ou seja, fazendo as mesmas escolhas e me movimentando de forma repetida e, às vezes, até estabanada pela vida, risos.

Desabafo meu agora: mas que chatice perceber e chegar a essa conclusão. Uma ansiedade latente, nem sempre, mas, uma precipitação quase cega, acompanhada por uma estranha pressa de resolver as coisas da forma mais estabanada possível. Apesar dos anos de terapia analítica, eu ainda me percebo navegando nas águas desconhecidas da inconsciência, seguindo um curso pré-determinado há anos a fio. Mas, tem o lado bom disso tudo. Em tempo, não é ?; mais risos.

Não posso dizer que sou uma criatura desprovida de discernimento, mas quando se trata de tomar decisões rápidas, há o risco iminente de um deslize catastrófico. Porém, como em toda jornada, há momentos de pausa, momentos em que somos forçados a olhar para dentro e refletir. O fim de semana se desenrolava diante de mim, não apenas como um intervalo imposto pela dinâmica operacional das circunstâncias, mas como uma oportunidade concedida pelo próprio tecer do tempo.

E foi nesse espaço de contemplação que comecei a questionar a natureza intrínseca da repetição em nossas vidas. Entre os quilômetros percorridos em minha corrida de patins no sábado e as pedaladas desafiadoras do domingo, uma epifania se fez presente. Tudo tem sua razão de ser, como uma dança coreografada pelos astros. E pensei comigo mesmo: “Por que não compartilhar essas reflexões com meus leitores do Granja News?”.

Recordo-me de um texto que escrevi anteriormente, intitulado “Inscritos na Vida”. Nele, explorei a ideia de que viemos ao mundo com uma espécie de roteiro já escrito, uma narrativa pré-estabelecida que nos guia desde o primeiro suspiro até o último adeus. Estamos inscritos na vida, atores em um grande palco, seguindo os desejos e expectativas daqueles que nos cuidaram e moldaram.

Muitas vezes, essa repetição se desenrola diante de nós de forma sutil, quase invisível. Somente quando nos deparamos com as consequências de nossas ações é que percebemos os padrões que nos aprisionam. Podemos passar uma vida inteira presos nesse ciclo repetitivo, como bem retratou o filme “Feitiço do Tempo”, uma obra que transcende os limites do tempo e nos convida a refletir sobre nossa própria jornada.

Na psicanálise, o tema da repetição ocupa um lugar de destaque, oferecendo insights valiosos sobre o funcionamento da mente humana. É através da repetição de padrões de relacionamento, sintomas e memórias traumáticas que o inconsciente tenta nos enviar mensagens codificadas, convocando-nos a encarar nossos medos e traumas mais profundos.

Sigmund Freud, o mestre dos labirintos da mente, nos ensinou que a repetição não é apenas uma coincidência, mas sim um convite para a autodescoberta e transformação. É por meio da análise dos padrões repetitivos que podemos desvendar os mistérios de nossa própria existência e encontrar uma nova maneira de viver.

Portanto, que possamos encarar a repetição não como um fardo, mas como uma oportunidade de crescimento e evolução. Que possamos dançar ao ritmo dos ciclos da vida, abraçando cada momento com gratidão e aceitação. Pois é na repetição que encontramos a verdadeira essência da experiência humana, um eterno retorno ao eu mais autêntico e pleno.

Numa tarde tranquila, enquanto o sol brincava de esconder-se entre as nuvens, mergulhei nas páginas de um livro que há tempos aguardava minha atenção. Entre linhas e entrelinhas, encontrei-me imerso nas reflexões de dois grandes mestres da psicanálise: Sigmund Freud e Jacques Lacan. A temática que permeava minhas leituras era a repetição, esse intricado fenômeno que tece os fios invisíveis do nosso inconsciente.

 

Para Freud, a repetição era um enigma a ser decifrado, uma dança entre o presente e o passado que se desenrolava nos recantos mais profundos da mente humana. Em sua obra monumental “Além do Princípio do Prazer”, ele nos conduz por um labirinto de experiências traumáticas, onde os pacientes, mesmo sem perceber, repetiam padrões de comportamento, sentimentos e relacionamentos. Era como se o passado insistisse em ecoar no presente, como um eco doloroso que ressoa além do tempo.

Por outro lado, Lacan, com sua perspicácia singular, expandiu e reformulou o conceito de repetição em sua própria obra. Para ele, a repetição era mais do que uma mera manifestação do impulso inconsciente; era o próprio tecido que unia os fios da linguagem e da cultura. Em suas palavras, a repetição não se limitava ao nível individual, mas ecoava nas estruturas simbólicas que permeiam nossa existência, influenciando a maneira como nos relacionamos com o mundo e com os outros.

E assim, entre os diálogos entre Freud e Lacan, entre passado e presente, entre linguagem e inconsciente, surge uma compreensão mais profunda do fenômeno da repetição. Ela não é apenas uma repetição mecânica de eventos passados, mas sim uma dança entre o familiar e o desconhecido, entre a nostalgia do que já foi e a promessa do que ainda está por vir.

Mas, afinal, qual o papel da psicanálise diante desse enigma da repetição? Não busca ela apenas desvendar os mistérios do inconsciente, mas também trazer à luz os caminhos que nos levam à transformação. Através da análise dos padrões repetitivos, o analista e o paciente embarcam numa jornada de autodescoberta, explorando os labirintos da mente e buscando novas formas de compreender e integrar os traumas do passado.

Assim, entre linhas e entre vidas, a psicanálise nos convida a mergulhar nas águas profundas da repetição, não como um fardo a ser carregado, mas como um tesouro a ser descoberto. Pois é na repetição que encontramos as pistas para nossa própria redenção, os fragmentos de um quebra-cabeça que nos leva ao cerne da nossa humanidade. E que, através desse eterno retorno ao eu mais autêntico, possamos encontrar a cura para as feridas do passado e a promessa de um futuro mais pleno e consciente.

Então, que possamos abraçar essa dança da repetição com amor e coragem, conscientes de que, mesmo nas repetições mais dolorosas, há sempre uma lição a ser aprendida, um presente a ser descoberto. E que, ao final dessa jornada, possamos olhar para trás e perceber que cada repetição, por mais árdua que seja, foi uma etapa necessária em nosso caminho de crescimento e evolução.

Roberto Marinho
Publicitário e Psicanalista
Contato: Robertomarinho28@gmail.com

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