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Sentados, da esquerda para a direita: Adilson lima, Welington Formiga, Audelza Santana, Vanessa Gravino, Moisés Cabrera e Quinzinho Pedroso (foto: Victor de Andrade Lopes)

Candidatos de Cotia discutem propostas para educação em debate na Câmara

Por Victor de Andrade Lopes

Sentados, da esquerda para a direita: Adilson lima, Welington Formiga, Audelza Santana, Vanessa Gravino, Moisés Cabrera e Quinzinho Pedroso (foto: Victor de Andrade Lopes)
Sentados, da esquerda para a direita: Adilson lima, Welington Formiga, Audelza Santana, Vanessa Gravino, Moisés Cabrera e Quinzinho Pedroso (foto: Victor de Andrade Lopes)

A Câmara Municipal de Cotia sediou na noite da última quarta-feira (21/9) um debate entre os candidatos à prefeitura da cidade. O evento, denominado “Educação em Foco”, foi organizado por professores da rede municipal de ensino e contou com a presença de cinco dos sete candidatos da cidade: Adilson Lima (REDE), Moisés Cabrera (PC do B), Quinzinho Pedroso (PSB), Vanessa Gravino (PSOL) e Welington Formiga (PTB). Não compareceram, apesar de terem confirmado presença, os candidatos João Santos (PMN) e Rogério Franco (PSD).

A ausência do candidato Rogério Franco foi lembrada constante e jocosamente, com pessoas aleatórias da plateia perguntando esporadicamente “cadê o Rogério?” e outras pessoas respondendo “fugiu” ou “não aparece aqui nem nas sessões!”. Os cabos eleitorais de Quinzinho manifestaram-se por várias vezes ao longo do evento, a despeito do pedidos da moderação para que a plateia não se manifestasse.

O promotor de Cotia, Ricardo Navarro, foi convidado a acompanhar o evento e proferiu discursos de abertura e encerramento. Na abertura, enalteceu a importância da educação. “O Brasil não vai mudar enquanto não formos lavados pela educação, tanto a de casa quanto a formal que buscamos na escola. Pessoas sem estudo são muito mais fáceis de serem levadas como uma boiada”, disse Navarro. “É por isso que são os mesmo candidatos, e o povo continua votando nas mesmas pessoas”, complementou.

O promotor também lembrou que o Ministério Público (MP) está firme na fiscalização de desvios durante as campanhas. “O MP não espera mais do que o cumprimento da lei, sem partido e sem qualquer tendência nessa fiscalização. Continuaremos a fiscalizar e ainda tem muita ação judicial pela frente, não pensem vocês que acabou”. Finalizou seu discurso com um apelo: “Que os senhores respeitem o povo aqui, que não comecem a fazer ataques pessoais, como temos visto nas ruas e nas redes sociais. Não viemos aqui ouvir ataques pessoas, viemos aqui ouvir propostas”, encerrou.

Em seguida, ainda sem a presença de Quinzinho, a moderadora Audelza Santana leu as regras do debate e deu início às discussões de fato. No primeiro bloco, cada candidato tinha 5 minutos para falar de seus planos para educação. Segundo sorteio, falaram na seguinte ordem: Moisés, Adilson, Vanessa e Formiga. Os candidatos faltantes que chegassem depois entrariam no final da lista por ordem de chegada.

O atual vice-prefeito de Cotia, Moisés Cabrera, defendeu a adoção do projeto Recriança na cidade, de modo que os alunos tenham atividades extracurriculares depois do período letivo. Criticou também o estado do CEUC em Caucaia do Alto, obra que consumiu R$ 20 milhões em recursos. “A piscina nunca foi usada pelas crianças. Com aquele dinheiro daria para ter feito mais de dez escolas, e também economizar nos ônibus para levar as crianças”, disse. Defendeu a humanização da educação, e lembrou que, como filho de comerciante que seguiu a profissão do pai, aprendeu desde cedo a importância de um bom atendimento. Finalizou com sua proposta de adotar o ensino de inglês nas escolas.

O candidato Adilson contou uma história de sua infância no ensino em Cotia e lembrou que, na sua época, a merenda escolar era variada e farta, enquanto que hoje são oferecidos produtos enlatados. Com a impaciência do público, que pedia para conhecer seu plano de governo para a educação de fato, Adilson acabou falando de ao menos uma de suas propostas, afinal. Defendeu o projeto “Mãe Crecheira”, por meio do qual mães poderão atender a crianças de seu bairro com o apoio da secretaria de educação, de modo a diminuir emergencialmente a fila de espera por vagas em creches enquanto novas instalações são construídas.

Vanessa Gravino lembrou o histórico de lutas das professoras da cidade, incluindo greves e manifestações. Depois, disse que a educação de Cotia está “sucateada” e citou valorização profissional, garantia do dissídio, fim da indicação de diretores das escolas por parte da prefeitura e outras medidas como pontos do seu plano de governo.

Ricardo Navarro teve sua imagem enaltecida por Welington Formiga, que em seguida disse ter diversos projetos para a educação. Entre eles, a inclusão da disciplina de cidadania na grade curricular e a integração das secretarias de educação e cultura, para possibilitar a criação dos galpões de cultura, onde o aluno poderá estudar idiomas, música, entre outros. Firmou também o compromisso de, caso eleito, não indicar o secretário de educação, e sim permitir que os professores o elejam por votação aberta.

Quinzinho enalteceu sua administração (2001-2008) e diagnosticou que a administração atual não deu continuidade a seus avanços. “Deixamos um patamar de crescimento, mas vamos ter que fazer um choque de gestão”, disse. Como propostas, sugeriu a revisão do plano de carreira dos profissionais de educação e a criação de estruturas para receber crianças excepcionais. “Construímos 17 das 33 creches de Cotia, o atual governo não fez nenhuma. Cotia tem 75 escolas, construímos 15 delas”, informou o ex-prefeito.

No segundo bloco do debate, cada candidato teve de responder uma questão feita com base no seu plano de governo. Em sua resposta, o candidato Welington Formiga iniciou o primeiro momento de tensão: disse que “quem esteve no poder não pode falar” dos problemas atuais e que “não dá para os aliados do prefeito virem aqui dizer que nada mudou”. A moderação chamou sua atenção para que se ativesse à pergunta, e ele então deu sua resposta de fato. O próximo a falar, Quinzinho, sentiu-se atingido pela fala de Formiga e pediu que ele dirigisse suas palavras “ao líder chapa branca e candidato do prefeito, Rogerio Franco, que se omitiu de estar aqui”, gerando aplausos do público presente e críticas da moderação.

No bloco seguinte, as professoras apresentaram 10 questões aos candidatos. A cada um deles foi dado um número de 1 a 10; candidatos pares responderam as perguntas pares, e candidatos ímpares responderam as perguntas ímpares. Assim, os cinco postulantes foram divididos em dois grupos, um com Adilson e Formiga, que responderam as perguntas pares; e outro com Moisés, Vanessa e Quinzinho, que responderam às perguntas ímpares. Antes de inicia-lo, a moderadora Audelza informou que Quinzinho e Formiga seriam penalizados pela troca de farpas e perderiam o direito de responder a suas primeiras perguntas, gerando protestos dos próprios e do público.

Moisés, o primeiro a responder, pediu à moderação que reconsiderasse sua punição aos candidatos, pedido que foi recebido com aplausos do público. Audelza anunciou, então, que a moderação voltaria atrás e permitiria a participação dos dois penalizados. Quinzinho agradeceu a decisão em sua fala antes de responder à pergunta dirigida aos candidatos pares. Formiga, por sua vez, não respondeu: apenas pediu desculpas pelo episódio do bloco anterior, ressaltou que não havia se referido ao vice-prefeito Moisés e disse que Quinzinho “foi o melhor prefeito para a educação de Cotia”, mas que ele será “ainda melhor”.

Ao fim do bloco, Audelza leu uma lista de reivindicações dos professores que, segundo ela, “foram construídas ao longo do tempo”, e não apenas na preparação para o debate. Dentre os pedidos da categoria ao(à) futuro(a) prefeito(a), estão: apresentar plano de aumento salarial real; garantir a formação continuada dos profissionais; criar um plano de carreira para os auxiliares de classe; e auditar e revisar os contratos das empresas terceirizadas. Todos os candidatos foram convidados a assiná-las depois do debate.

A última parte do debate consistiu nas considerações finais de cada candidato. Moisés disse que as eleições municipais são as mais importantes, mais até que as eleições presidenciais. Adilson disse ter consultado uma pesquisa que afirma que o eleitorado está tão farto de políticos que não se preocupa mais em consultar planos de governo, e que quer apenas ser ouvido. Ele afirmou então que, caso eleito, estará sempre disposto a ouvir. Vanessa Gravino desafiou os eleitores a compararem as promessas dos candidatos com as atitudes dos partidos que representam em âmbito federal, para ver se o político está realmente em sintonia com o partido que escolheu.

Formiga perguntou se os eleitores vão “continuar trilhando o caminho que existe agora” ou se vão escolher “acabar com isso e trilhar um outro caminho, que mude a educação, mude a saúde, mude tudo”. Quinzinho prometeu, caso eleito, acabar com o ponto eletrônico já no primeiro mês de governo, por acreditar que ele prejudica os professores por pequenos atrasos mas não reconhece atividades fora do horário de aula.

Encerrando a noite, o promotor Ricardo Navarro roubou a cena. Em tom ameaçador, fez um alerta aos candidatos de Cotia e disse que o MP está pronto para agir contra quem não andar na linha. Inicialmente, criticou as manifestações constantes de cabos eleitorais. “Isso demonstra o quanto temos que evoluir no campo da educação”, lamentou. Em seguida, pediu menos clientelismo, menos cargos comissionados e menos funcionários fantasmas. “Estamos iniciando uma investigação na promotoria e tivemos a infelicidade de ir numa secretaria em que deveria haver 20 funcionários e só havia seis trabalhando. Os outros 14 estavam recebendo. É por isso que não há dinheiro!”, criticou Ricardo.

Ele pediu também que se elimine o crime organizado que, segundo ele, está infiltrado na prefeitura e na câmara de Cotia. “Existem candidatos que sabidamente são donos de maquininhas caça-níqueis. Parem para pensar se vale a pena colocar um candidato vinculado ao crime organizado”, pediu ao público presente.

Na reta final do discurso, voltou a assegurar que o MP está acompanhando as campanhas desde antes do início do período eleitoral, com pessoas infiltradas nos locais de reunião dos políticos. “Infelizmente, temos visto candidatos que andam com pessoas do crime organizado. Os senhores querem o quê, vender a prefeitura para o crime?”, questionou Ricardo. “Podem ter certeza que na hora que a gente pegar alguém do crime organizado, não achem que vamos ter medo. Vamos expor todo mudo, vai para a mídia, para a televisão”, ameaçou.

Ricardo disse que não ficará em casa às vésperas da eleição. “Vamos ficar 24 horas ligados para pegar esses crápulas que querem invadir mais e mais a nossa sociedade”, anunciou. “Peço que os senhores munícipes denunciem ao MP. Não achem que temos medo, temos é vontade de pegar eles”. Ricardo lembrou ainda que a prática de sujar as ruas com santinhos tornou-se crime eleitoral.

A noite foi encerrada com um texto lido por Audelza e elaborado pela equipe. A maior parte do debate, incluindo os discursos de Navarro, as apresentações dos candidatos e suas respostas pode ser vista em vídeos divulgados pela organização em sua página no Facebook.

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