Conversamos com o médico e economista José Alfredo Bosi que recebeu o Granja News em Cotia. Com pais professores e primeiro médico da família ele conta sua história e relata como os profissionais da saúde enfrentaram as fake news. Traça também um panorama da política atual.
GN: Boa tarde, Dr. Alfredo Bosi. Conte um pouco da sua história em Cotia. Quando sua família veio para a cidade?
JAB: Chegamos à região na década de 1970, quando eu ainda era criança. Morávamos no km 39 da Raposo Tavares, perto da divisa com Vargem Grande Paulista. Era uma região tranquila e com pouca população.
GN: Como era a infância naquela época?
JAB: Participávamos das festas da Fazenda Nascimento, frequentávamos o Clube Santa Paula e, aos domingos, o Rancho Caipira. Mesmo assim, a vida social era limitada. Estudei no Colégio Aquárius e minha irmã no Zacharias. Meus pais perceberam que seria bom morarmos em um lugar com mais convivência entre jovens e acabamos nos mudando.
GN: Foi quando vocês foram para a Granja Viana?
JAB: Exatamente. Eu já era adolescente. Lá fiz grandes amizades, praticava esportes e comecei a me interessar por política. Convivi com pessoas como Gilda Pompéia, Aziz Ab’Saber, Santo Siqueira e Ulhoa Cintra, que influenciaram bastante minha formação.
GN: O senhor também foi professor da Escola Pedro Casemiro.
JAB: Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. A escola tinha uma direção muito comprometida com a qualidade do ensino e buscava inovar. Permaneci lá por três anos, nos anos 90, e guardo excelentes lembranças dos colegas e dos alunos.
GN: O senhor lembra dos professores daquela época?
JAB: Lembro sim. Angela Giannuzzi, Teka Paloschi, Marcão Martinez, Elmo, Mizue, Ivone, Teresa Ezawa, Rosalina, além das coordenadoras Lourdinha, Tuka, e Marisa, entre tantos outros. Formávamos uma equipe muito unida e era comum continuarmos as conversas depois das aulas.
GN: O senhor também treinou um time feminino de futsal.
JAB: Sim. Foi uma experiência muito interessante. O esporte aproximou a turma e melhorou bastante o ambiente em sala de aula. Aprendi que ensinar vai muito além do conteúdo. O aluno precisa sentir que o professor acredita nele. Ser professor exige preparo, otimismo e trabalho em equipe.
GN: Depois o senhor trabalhou como assessor do vereador Santo Siqueira.
JAB: Foi um período de enorme aprendizado. O Siqueira era o único vereador de oposição e a Câmara vivia debates intensos. Apesar das dificuldades, era importante exercer o papel de fiscalização e apresentar alternativas para a cidade.
GN: Algum momento marcou esse período?
JAB: Participamos do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, um evento internacional sobre democracia, participação popular e gestão pública. Depois escrevi um artigo para o Jornal D’Aqui, que acabou sendo publicado na capa. Isso deu bastante visibilidade ao mandato e fortaleceu nosso trabalho.
GN: Depois o senhor voltou ao ensino superior.
JAB: Sim. Lecionei Economia na Europan, que depois se tornou Estácio. O mais emocionante foi reencontrar ex-alunos do Pedro Casemiro já cursando faculdade. Muitos eram os primeiros universitários da família, graças à ampliação do acesso ao ensino superior proporcionada pelo ProUni. Mais tarde vivi situação semelhante na Unip. Também tenho grande carinho pelo período em que lecionei nos cursos profissionalizantes do Cepae/ANUEPO, no Pq. Alexandra.
GN: Como o senhor avalia a política brasileira atualmente?
JAB: Ter opiniões diferentes faz parte da democracia. O problema não é a polarização, mas a perda da capacidade de dialogar. Precisamos de mais respeito, mais participação popular e menos agressividade. Também me preocupa a disseminação de informações falsas, especialmente na área da saúde.
GN: O senhor viu isso de perto como médico?
JAB: Bastante. Após a pandemia trabalhei realizando exames periódicos em funcionários dos Correios em Cotia e em diversas cidades do Estado de São Paulo. Encontrei pessoas que interrompiam tratamentos importantes porque confiaram em informações da internet. O papel do médico é orientar com serenidade, explicar os riscos e ajudar o paciente a tomar decisões conscientes, sempre respeitando sua autonomia.
GN: Para encerrar, qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos leitores?
JAB: Tenho muito carinho por Cotia. Foi aqui que estudei, dei aulas, fiz grandes amizades e construí boa parte da minha trajetória profissional. Acredito que uma cidade melhora quando as pessoas participam da vida pública com respeito, espírito coletivo e disposição para construir soluções.
GN: Muito obrigado pela entrevista.
JAB: Eu que agradeço a oportunidade. Foi um prazer relembrar essa caminhada.
Granja News O Jornal da Granja Viana e Região
