
O prefeito de Cotia, Rogério Franco (PSD), recebeu nossa reportagem na manhã do dia 22 de janeiro em seu gabinete, no centro de Cotia, para uma entrevista exclusiva sobre seu primeiro ano à frente da prefeitura e seus planos para 2018. Para ele, 2017 foi um ano de planejamento, ainda que ele tenha governado por vários meses enfrentando uma ação eleitoral que acabou praticamente anulada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em setembro passado. Já para 2018, ele projeta muitas novidades para a cidade, inclusive para a região da Granja Viana.
Granja News: Convidamos o senhor a fazer um balanço de seu primeiro ano como prefeito de Cotia.
Rogério Franco: 2017 foi um ano muito importante para a cidade no sentido de planejamento. Nós optamos por enxugar a máquina pública, revimos contratos de locação e de produtos de uso contínuo e assim conseguimos encerrar o ano no positivo. Vemos muitos municípios e estados não conseguindo pagar a remuneração dos seus colaboradores e nós conseguimos tudo em dia, às vezes até adiantado. Também estamos em dia com os fornecedores.
Atuamos bastante na área da saúde e implantamos o prontuário eletrônico em todas as unidades. Investimos bastante também em zeladoria. Criamos um parque na região do Turiguara a fizemos operações de limpeza urbana, tapa-buraco e desassoreamento de rios e córregos nos bairros. Assim, neste período de chuvas, conseguimos minimizar o sofrimento da população nas áreas de risco.
Estamos com muitas obras de infraestrutura, como a Avenida Professor José Barreto, que será recapeada e receberá novos abrigos de ônibus. Também estamos investindo em iluminação pública, ela vai ser a primeira avenida da cidade com iluminação de LED. Estamos trocando cada ponto de lâmpada comum de 150 watts por quatro pontos de lâmpadas de LED de 250 watts, ou seja, é mais economia, eficiência e segurança para a população.
Em 2018, já finalizamos a compra do material escolar para os quase 30 mil alunos da rede municipal e demos a ordem de início da reforma de 32 escolas, um investimento de R$ 8 milhões, e estamos em processo de licitação para a reforma de mais 72. Até o dia 31 de janeiro, a empresa vencedora da licitação do uniforme escolar terá de apresentar o modelo para podermos liberar a produção e até o mês de abril, mês do aniversário da cidade, as crianças deverão recebê-lo. No ano passado, nós pagamos mais de R$ 6 milhões em benefícios que estavam atrasados na Secretaria de Educação.
São ações importantes para que a gente possa atingir o objetivo que é implantar o plano de governo. A população validou nosso mandato em cima dele então é obrigação nossa aplicar pelo menos uma grande parte dele.
Minha esposa Mara está à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social e do Fundo Social de Solidariedade. Nós já inauguramos três CRAS e vamos inaugurar o quarto e o quinto no Jardim Japão e no Mirizola. Lançamos vários programas durante o ano como o Programa Minha Festa, que faz festas para as crianças carentes. Conseguimos também implantar a fábrica de fraldas. Muitas vezes, a prefeitura tinha de comprar fraldas para atender a demanda e hoje estamos produzindo por conta própria.
GN: O que o senhor considera ter sido o maior desafio da gestão nesse primeiro ano?
RF: Eu acredito que na administração pública tudo é um grande desafio. Você precisará trabalhar com prioridades, pois o recurso muitas vezes não dá para atender toda a demanda da população. Só que tudo na administração pública é prioridade: saúde, educação, transporte, segurança, infraestrutura, zeladoria… Nós temos que trabalhar com algumas questões definindo prioridades, mas entendendo a demanda da população.
Administramos com o pé no chão. A gente vê alguns gestores administrando com pirotecnia. Eles começam uma gestão fazendo um monte de coisa e terminam com a cidade sucateada porque não conseguem fazer uma evolução administrativa de acordo com a demanda.
Não tivemos queda de receita, mas arrecadamos R$ 25 milhões a menos do que o previsto, o que é muito dinheiro para uma cidade. Nem por isso prejudicamos os trabalhadores ou o fornecimento de equipamentos públicos.
Passamos por uma instabilidade política que acabou travando de alguma forma nosso governo, por causa daquela ação eleitoral que estávamos sofrendo desde a eleição. O TRE-SP acabou retornando-a à primeira instância e anulou o processo. Alguns políticos no meu lugar teriam endividado a cidade. Nós não, nós planejamos e conseguimos finalizar o ano com superávit orçamentário o que nos dá tranquilidade para implantar projetos importantes e melhorar a qualidade de vida da população.
GN: Como administrar a cidade em tempos de crise e enxugamento de recursos?
RF: Apesar de ter dois mandatos como vereador, eu venho da iniciativa privada, das empresas que a minha família toca. O mais importante é você poder fazer um planejamento. É uma cidade com quase 6 mil colaboradores e que tem muitas dificuldades por estar próxima de São Paulo. Temos nove vicinais que nos ligam a outros municípios, temos quase a 325 km² de área e temos três regiões muito diferentes. A Granja Viana é uma região de condomínios residenciais de alto padrão e com pessoas que acabam tendo suas atividades em outros municípios, como São Paulo. É também uma região gastronômica muito importante, com bons restaurantes.
Aí temos essa região central, que concentra pessoas das classes C e D, que são os que mais usam os equipamentos públicos, e temos também a região de Caucaia do Alto, que é mais voltada à produção agrícola. Enfim, Cotia é uma cidade em que precisamos de três planejamentos diferentes.
GN: Várias prefeituras da região, incluindo a de Cotia, têm enfrentado dificuldades com licitações, que às vezes são contestadas pelas empresas que perderam e isso leva a longas batalhas jurídicas que travam os trabalhos – e quem sofre com isso é a população. Como você tem enfrentado este problema?
RF: Nós passamos por isso com o material escolar, por exemplo. Muitas vezes as empresas impugnam um edital e o Tribunal de Contas leva 90 dias para te dar uma resposta. Nós temos crianças com uma demanda de material, temos o dinheiro para comprar, e o Tribunal de Contas fica impugnando por motivos banais. Encerramos o ano de 2016 com a grande maioria dos contratos já vencidos, portanto, tivemos de refazer todos, ou pelo menos uma grande parte. E durante o ano nós não conseguimos fazer isso até outubro, quando nós conseguimos finalizar uma grande parte das licitações.
Tivemos que licitar toda a parte de merenda escolar, pois o Tribunal de Contas estava apontando para outro modelo, não de terceirização de 100% do serviço, mas de fragmentação dos segmentos: mão de obra, perecíveis, enlatados, etc. Vai melhorar a qualidade da merenda? Sim, mas você tem que sincronizar essas empresas para trabalharem juntas. E a partir do momento em que fracionamos, o custo aumenta, e aí você perde o princípio da economicidade. O valor mensal da merenda quase dobrou, passando de R$ 1,5 milhão para algo entre R$ 2,6-2,7 milhões.
GN: Desde as eleições, Cotia está marcada pela polarização política, e isso já atinge a Câmara, as redes sociais e parte da imprensa. Como está sendo administrar a cidade com esse clima?
RF: Eu fecho os olhos para isso porque eu tenho que administrar para todo mundo, não só para os meus eleitores. O que as pessoas que perderam a eleição têm de entender é que elas perderam. Gostaria de administrar para os 250 mil habitantes, pois é para isso que fui eleito. Minha obrigação é entregar uma cidade melhor do que eu recebi e eu vou fazer isso.
GN: Quais são os principais projetos para 2018? O que a população pode esperar este ano?
RF: Vamos reformar todos os postos de saúde e planejamos a construção de um novo e moderno pronto-atendimento na região de Caucaia do Alto. Ele já está em fase de licitação. Abrimos também processo licitatório para a compra de dez novas ambulâncias que atenderão uma demanda reprimida.
Na área da educação, temos a já mencionada reforma simultânea de 32 escolas, gerando emprego para a cidade e mais conforto para os alunos. Pretendemos reformar todas as escolas municipais este ano.
Terminamos o projeto da duplicação da Estrada de Caucaia do Alto e estamos entrando com o processo de licitação. É uma obra que vai gerar desenvolvimento e empregos e que vai salvar vidas, pois era uma estrada perigosa.
Na região da Granja Viana, estamos com um projeto de asfaltamento de uma via que ligará a Estrada Basiléia, a Estrada Zurique e a Rua São Luís, criando mais uma via de acesso aos moradores da Granja Viana. Já fizemos toda a parte de drenagem e calçamento.
Na área da segurança, estamos em processo licitatório para a troca de todas as viaturas da Guarda Civil Municipal e planejamos a implantação de 24 totens de segurança. São totens que filmam em 360° e transmitem a imagem on-line para a nossa central de monitoramento.
No campo social, estamos lançando o Programa Mãe Cotiana. Todas as mães de Cotia receberão um enxoval completo e serão isentas da tarifa do transporte público no período entre a gestação e o primeiro aniversário da criança para poderem ir aos postos de saúde.
Saúde, educação e segurança serão nossos focos em 2018. Vem muita coisa boa para a cidade neste ano e espero que em 2019 e 2020 nós continuemos avançando e entregando cada vez mais projetos.
GN: Os moradores da Granja Viana há tempos discutem sobre o semáforo no cruzamento da Avenida São Camilo com a Rua José Félix de Oliveira. Há muito se ouve falar de um projeto para mudar a mão dessas vias de modo a diminuir o trânsito naquela área. Em que pé está essa ideia?
Nós vamos fazer um estudo de urbanismo lá. A ideia é discutir com os empresários e comerciantes e chegar a um consenso para saber até onde beneficia ou até onde prejudica o comércio local, que é realmente um fomento para a cidade, pois gera bastante renda e emprego. Faremos um projeto piloto experimental na São Camilo e na José Félix para acabar com o trânsito. Já estamos preparando o recapeamento de ambas, além do asfaltamento daquela nova via que mencionei, que vai ser mais um novo corredor comercial na Granja. Daqueles 24 totens de segurança, oito estão previstos para a Granja.
* Atualizado em 31/1 com a correção do valor dos benefícios atrasados da Secretaria de Educação pagos em 2017; o prefeito disse “seis milhões”, mas a reportagem entendeu “cem milhões”.
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