Muitos risos. Já começo gargalhando por aqui. Vou contar. Calma. Quem é casado, namorado ou trabalha em uma organização há muitos anos, geralmente pode ouvir em algum momento: “nossa Você não é mais o mesmo”. No caso dos casamentos, ainda mais entatizado, “ Você não é mais o mesmo o homem ( ou mulher ) com quem na morei e me casei. Quando isso acontecer. Diga, “ graças a Deus “. Imagina sermos a mesma pessoa ao longo de 20 ou mais anos. Nossa quem dá conta disso?, mais risos.
Eu mesmo, trabalhei em uma empresa por quase 20 anos e o CEO da cia acabou fechando minha contratação. Em 20 anos, me destaquei ganhei prêmios, me tornei personagem da Turma da Mônica, como Bob Marinho. Muita mídia, muitas fotos, muitas viagens internacionais. Também, algumas derrapadas, claro! Mas, acredita que a criatura que havia me contratado me dizia toda semana – já nos últimos três anos -, que ainda permanecia naquela empresa: “nossa…! Como Você mudou. Mas, você mudou muito”…… Nossa ouvia aquela afirmação com uma alegria. Percebi que consegui me desvencilhar do tal ideal do eu que tentavam me convencer a ficar. Mais fácil para ser manipulado, pouca criatividade.. Enfim, sai da corporação e as vendas despencaram ( por uma série de razões, também ) e, ao final, quase tudo se acabou. Sem mídia, sem site, sem interação com os vários públicos – que antes eu tinha tanta preocupação.
Agora, convenhamos, se eu fosse da mesma maneira que há 20 anos, era mesmo para eu estar naquela empresa ou em alguma outra, ou ainda no planeta terra? Em 20 anos, o mundo mudou por completo, globalização, informatização, conexão em tempo global. Ufa.. tantas coisas que, de verdade, fico até cansado de descrever por aqui. E olha que ainda às vezes acredito que precisava ainda dar uma boa e maior chacoalhada em minha peneira, mais risos ainda.
Bom fato é que mudei mesmo. Me recoloquei em outra corporação, apenhei um pouco para me adequar em novo ambiente, e, ainda depois, em menos de 12 meses, fiz outra troca de empresa. Parece que perdi o medo, ne sei bem ao certo. Ou ainda decidi trabalhar com quem gostaria e fazendo o que me daria mais prazer, ou ainda exercitar o desejo de um eu idealizado, baseado em outras referências, que não apenas, às de infâncias e grandes outros, manipuladores para obter os resultados que tanto buscam.
Olha as coisas não são tão simples assim como parecem e como eu conto. Uma verdadeira roda gigante de emoções e acabei pagando um preço, que nem sequer imaginava. Afora retalhações de quem se dizia amiga/o, parceiro de negócios. Nesse momento você realmente conhece os déspotas que desejam que você viva o eu ideal que acreditavam seria o melhor para você, neste caso, eu, só que não, não é ? Experimente abandonar o eu que idealizaram para você e depois me escreva para contar como é essa viagem insólita. Agora com meu eu observador em ação procuro me atentar às pessoas. Enfim, novos ares….
Vou explicar por aqui a diferença entre “ Eu ideal e Eu Idealizado”. Começando, vou por aqui: Na nossa vida, em cada momento, buscamos ser quem desejamos, mas muitas vezes nos deparamos com a imagem que os outros têm de nós, ou que esperam de nós. Na psicanálise freudiana, isso se reflete em dois conceitos distintos, mas entrelaçados: o “Eu Ideal” e o “Ideal do Eu”.
O “Eu Ideal”
nasce dentro da gente, uma construção moldada por figuras importantes, como os pais e outras influências marcantes. Freud explica que essa parte do nosso ser é alimentada pelo superego, aquele juiz severo que incorpora as normas e valores da sociedade. Esse “Eu Ideal” é uma versão idealizada de nós mesmos, aquilo que almejamos ser, seguindo o que nos foi ensinado como moralmente correto. É como um reflexo das expectativas de nossos cuidadores e da cultura ao nosso redor, uma imagem perfeita que tentamos alcançar.
O “Ideal do Eu”
Por outro lado, o “Ideal do Eu” é mais prático, está ali no nosso dia a dia, nos objetivos que estabelecemos para nós mesmos. É uma construção do ego, aquela parte que lida com a realidade, buscando metas alcançáveis e práticas. Enquanto o “Eu Ideal” mira em aspirações morais, o “Ideal do Eu” foca em realizações cotidianas, moldadas pelas nossas habilidades e experiências.
Esses dois conceitos, apesar de distintos, se entrelaçam na nossa jornada pessoal. O “Eu Ideal” representa a perfeição moral que desejamos atingir, influenciada pelas normas sociais. Já o “Ideal do Eu” está mais próximo dos nossos esforços diários, dos nossos sonhos e das nossas conquistas reais. Ambos ajudam a formar quem somos e guiam nosso comportamento.
Na prática, isso se manifesta de formas variadas. O “Eu Ideal” é aquele que gostaríamos de ser segundo nossos pais e a sociedade – é a projeção do que o mundo espera de nós. É uma imagem que tentamos completar para satisfazer essas expectativas externas, uma projeção que muitas vezes diverge do que realmente somos.
Já o “Ideal do Eu” é uma segunda camada, uma espécie de substituição simbólica, que construímos para sermos aceitos e para materializar nossos próprios desejos. Para viver esse “Ideal do Eu”, montamos estruturas que acreditamos serem fundamentais para a aceitação social e familiar. No entanto, ao perseguir essa forma ideal, acabamos reprimindo aspectos genuínos de nós mesmos. A verdade é que nunca alcançamos plenamente esse ideal projetado; sempre haverá uma sensação de insuficiência.
Por isso, é importante refletir e, talvez, desapegar dessa identidade falsa. Se esse caminho gera esforço, tensão, estresse, ansiedade, agressividade ou medo, é certo que ele não condiz com a nossa verdadeira essência. No fim, a busca pelo equilíbrio entre o “Eu Ideal” e o “Ideal do Eu” é uma dança delicada, uma trajetória pessoal onde tentamos harmonizar o que desejamos ser com o que realmente somos.
Já imagino você se perguntando: “Como posso me libertar das amarras do Eu Ideal para construir um Eu Idealizado?” A resposta passa por um caminho terapêutico de autoconhecimento, onde buscar ajuda para se enxergar e entender o que está acontecendo com você é essencial. Preste muita atenção às suas ações e reflita sobre a quem elas estão servindo: são seus desejos ou os de um grande outro?
É verdade que nos desvencilharmos completamente desse Eu Ideal é uma tarefa árdua. No entanto, estar atento ao que está acontecendo dentro de si e aos apelos aos quais estamos respondendo pode tornar essa jornada mais fácil. Desejo a você uma boa caminhada na busca e construção do seu Eu Idealizado. Lembre-se, o importante é encontrar um equilíbrio que te permita viver em harmonia consigo mesmo. Boa sorte!
Roberto Marinho
Publicitário e Psicanalista
Contato: Robertomarinho28@gmail.com
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