Há alguns anos, tive uma experiência marcante com o conceito de limite. Sempre ouvira falar sobre isso, mas nunca havia compreendido verdadeiramente ou experimentado na pele, como se diz. Foi algo que se revelou de maneira concreta e indiscutível, transformando minha visão de mundo.
Para contextualizar, não que eu fosse um transgressor ou algo do tipo. Mas, desde a minha juventude até uma fase adulta bem avançada, por volta dos 40 anos, eu funcionava em um modo automático. Acreditava que a vida devia ser vivida na sua máxima potência para alcançar o que havia planejado. Nessa jornada, muitas vezes deixava de enxergar que existiam limites, como há para tudo e todos. Sempre ouvi dizer que “o céu é o limite”.

Hoje, percebo que essa ideia não é bem desta maneira. Há, sim, um limite pessoal. Pode ser a falta de competência, de ferramentas adequadas ou outras questões; e tudo bem! Entendi que os limites são necessários. Há coisas que não devo e não posso fazer. Reconhecer essa necessidade de limites e percebê-los como um contorno do “eu” foi muito curioso para mim, inicialmente.
Foi durante uma dessas fases da vida que uma analista me ajudou a compreender melhor essa questão. Ela me mostrou que, embora a liberdade, a independência e o exercício do arbítrio sejam maravilhosos, sem um entendimento claro das nossas bordas, as consequências podem ser desastrosas. Essa percepção mudou minha forma de viver e interagir com o mundo.
Essa jornada de autoconhecimento e aceitação dos limites pessoais é fundamental para viver de maneira equilibrada e consciente. Aprendi que respeitar esses limites é essencial para uma vida plena e harmoniosa.
Um pouquinho de conceito, agora, risos !
1. Definição de Limites Pessoais: Limites pessoais são as diretrizes ou regras que uma pessoa estabelece para definir o que é aceitável ou não em termos de comportamento dos outros em relação a ela. Esses limites podem ser físicos, emocionais, mentais ou espirituais.
2. Proteção da Identidade: Os limites ajudam a proteger a identidade e a integridade do indivíduo. Eles funcionam como uma barreira que separa o “eu” dos outros, permitindo que a pessoa mantenha sua própria autonomia e senso de identidade.
3. Saúde Mental: Estabelecer limites claros é essencial para a saúde mental e emocional. Limites saudáveis permitem que a pessoa diga “não” quando necessário, evitando a sobrecarga emocional e o esgotamento.
4. Relações Interpessoais: Limites bem definidos contribuem para relações interpessoais mais saudáveis. Eles ajudam a evitar abusos e invasões, promovendo respeito mútuo e compreensão.
5. Autoconhecimento e Autocuidado: O processo de estabelecer limites envolve autoconhecimento e autocuidado. Reconhecer as próprias necessidades e limites é crucial para manter um equilíbrio saudável entre dar e receber em relacionamentos.
6. Flexibilidade e Adaptação: Embora os limites sejam importantes, eles também precisam ser flexíveis. Circunstâncias e relações mudam, e ser capaz de adaptar os limites conforme necessário é um sinal de maturidade emocional.
A expressão “o limite como contorno do eu” sugere, portanto, que os limites não são apenas barreiras, mas também delineadores que ajudam a definir quem somos, preservando nossa integridade e individualidade em meio às interações sociais.
Assim, percebo que o limite dá uma bela contornada no “eu”, delineando o que somos e até onde podemos ir. É interessante considerar que fazemos aquilo que conseguimos, e se não der conta? Ora, tudo bem! Melhor mesmo é fazer bem feito o que é possível, do que ficar preso a inúmeras culpas por tentar abarcar tudo.
Eu, hein….estou completamente fora desse funcionamento. Compreender e respeitar nossos limites é uma das chaves para uma vida mais equilibrada e serena, onde cada passo é dado com consciência e cada conquista é celebrada sem o peso do impossível. E assim sigo, em paz com meus limites, apreciando a beleza de ser exatamente quem sou.
Roberto Marinho
Publicitário e Psicanalista
Contato: Robertomarinho28@gmail.com
Granja News O Jornal da Granja Viana e Região
