Texto e fotos por Victor de Andrade Lopes

Abertura: Goreti
Sendo a primeira reunião do Conseg após o surto de violência na região, que motivou um protesto realizado no dia 2 de setembro (veja detalhes aqui), a presença do público foi bem acima da média: havia mais de 50 pessoas no local.
Em sua fala de abertura, Goreti pediu um minuto de silêncio pela morte do bancário Rogério Gama, assassinado na noite de 19 de agosto após sofrer um assalto na Rua Adib Auada, ao lado do Shopping Granja Vianna. O crime é considerado a “gota d’água” para a realização da manifestação.
Ela também reiterou o papel do Conseg enquanto instrumento de diálogo e mediação entre a população civil e as autoridades de segurança pública, rebatendo as constantes críticas na internet de que o conselho “não resolve nada”, geralmente feitas por não-frequentadores.
Na reunião de julho, Goreti havia anunciado que a prefeitura de Carapicuíba faria um pregão para escolher uma empresa que se responsabilizaria por recolher os cavalos que ocasionalmente aparecem soltos na Avenida São Camilo; ontem, ela informou que o município ainda não dispõe de legislação específica sobre o assunto, e que, com isso, animais recolhidos seriam mantidos em algum espaço financiado com dinheiro público até que o dono comparecesse para reavê-los, sem sequer a aplicação de uma multa.
Assim, um projeto está em tramitação na câmara da cidade e prevê multa aos proprietários desses animais e a possibilidade do município vender legalmente os cavalos caso não sejam reivindicados pelos donos.

Major Roque: blitz e desabafo
Ao ser perguntado sobre o Sistema Detecta na região, o major Roque da PM explicou que Carapicuíba dispunha do sistema e até de uma sala com um policial 24h por dia monitorando as câmeras espalhadas pela cidade, mas que a prefeitura descontinuou o projeto. Em seguida, ele informou algumas ações recentes da polícia, incluindo diversas capturas de procurados pela justiça e prisões em flagrante.
Ainda em sua fala, Roque, que se encarregou das operações de segurança realizadas recentemente na região, desabafou sobre as críticas que a PM sofre o tempo todo conforme opera, dirigindo-se especificamente a quem reclama das blitz realizadas pelas ruas da Granja Viana.
“As pessoas não têm a menor ideia de como funciona uma operação da polícia e ficam querendo dar pitaco sobre o que não sabem. Ficam fazendo cálculos levando em conta o número de viaturas que determinada companhia tem e o tamanho da área sob responsabilidade dela… Quando eu faço uma operação, eu consigo viaturas de outros lugares, existe todo um trabalho complexo dando suporte a essas ações!”, disse o policial. “Nós fazemos milagre com o efetivo que temos e não somos valorizados pela sociedade em geral”, reclamou.
Sobre as blitz, Roque recomendou que as pessoas circulem com seus veículos em situação regular (licenciamento pago, pneus e vidros em condições aceitáveis, etc.) para evitarem problemas e disse que a presença constante de policiais numa área acaba afugentando meliantes.

Almir Rodrigues: totens de monitoramento, guarda civil e abaixo-assinado
Almir Rodrigues iniciou sua fala explicando que quando vai cobrar mais segurança do governo do Estado, é confrontado com as estatísticas criminais de Cotia, que diminuíram do ano passado para cá. Nesse sentido, ele pediu às pessoas que sempre registrem as ocorrências, um apelo antigo e constante das autoridades que comparecem ao Conseg.
Sobre o projeto dos totens de monitoramento, anunciado pela prefeitura e confirmado na reunião passada do Conseg (veja detalhes aqui e aqui), Almir disse que os locais onde eles serão instalados já estão definidos – a seleção foi feita com base em um estudo técnico. Um deles será o cruzamento da Avenida São Camilo com a Rua José Félix de Oliveira; estão previstos equipamentos também nas estradas do Embu e do Capuava. “Essas câmeras não vão acabar com a criminalidade, mas vão ajudar bastante no combate” comentou o secretário.
Ele também falou sobre os recentes cortes que a prefeitura promoveu nos benefícios do funcionalismo público. “Tivemos de fazer alguns ajustes no orçamento e algumas categorias entraram em greve. Só que um dos líderes do movimento soltou um boato de que a GCM ia parar. Nenhum guarda civil de Cotia parou durante essa greve. Agora, imagine um bandido recebendo a informação de que uma força de segurança pública vai cruzar os braços. Que irresponsabilidade!”, criticou o vice-prefeito.
Ainda sobre a guarda, Almir anunciou que a corporação está prestes a receber novos equipamentos, incluindo novas viaturas e motocicletas. Além disso, a prefeitura pretende abrir concurso para a contratação de mais agentes. Segundo ele, contudo, o processo levará tempo. “São meses para a realização do concurso, mais meses para o treinamento… Nisso, já foi um ano”, disse Almir.
Em outro momento da reunião, Almir aproveitou o ensejo para anunciar Junior como o novo comandante de área, ou seja, o oficial da GCM responsável pelas ações da corporação na região da Granja Viana.

Delegado Marcos: BOs e celulares
O delegado Marcos corroborou o apelo de Almir e também pediu que as pessoas registrem ocorrências. “Pedi para meu escrivão montar uma pasta com todos os BOs da Rua Monet”, disse, referindo-se a uma via cujos moradores afirmam sofrer com assaltos constantes. “Quando fui conferir, havia apenas dois!”, lamentou.

Ainda, Marcos reforçou às pessoas que tomem cuidado com seus celulares, que são itens frequentemente levados pelos meliantes, e recomendou que não aceitem morar em condomínios que não instalam câmeras em pontos específicos apenas porque algum morador “não quer”. “Ele manda na casa dele, não no condomínio”, explicou.

Capitão Ricardo: Rodovia Raposo Tavares
O oficial da polícia rodoviária aproveitou sua fala para explicar brevemente a divisão da PR quanto ao policiamento nas rodovias da região: “Minha Cia. tem dois pelotões. Um cuida da região da Castelo Branco, o outro da Raposo Tavares e rodovias menores e próximas, como a Bunjiro Nakao.
Sobre a polícia rodoviária também estar supostamente mais preocupada em guinchar carros em situação irregular do que coibir crimes, Ricardo informou que, recentemente, a PR interveio em casos de atentado ao pudor, roubo de carros, tráfego de drogas e de armas, receptação, falsificação de documentos e estelionato.

Capitão Fernandes e encerramento
Por fim, o capitão Fernandes disse que entende a frustração do colega Roque e que nem se dá o trabalho de mostrar os xingamentos que a corporação recebe aos seus homens para não esmorecê-los. Perguntado se a PM não pretende acionar essas pessoas na Justiça por desacato, ele explicou que o esforço necessário não compensa a ação e o desgaste que tal medida poderia causar à imagem da entidade.
A próxima reunião do CONSEG será no dia 4 de outubro, às 18h, no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora do Brasil (Rua dos Manacás, 10, altura do km 25 da Rodovia Raposo Tavares, Cotia – SP).
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