Home / Jandira / Do Sonho ao Pódio: A Jornada do Zero à Berlin Marathon

Do Sonho ao Pódio: A Jornada do Zero à Berlin Marathon

Por aqui e desta vez dividindo com você meu leitor e amigo uma das minhas tantas histórias. Mais uma narrativa costurada em capítulos, sem pressa ou alguma ordem cronológica rígida, mas, dentro de uma lógica que faz sentido para mim. Convido você a embarcar neste rolê de patinação, organizado de um jeito espontâneo, que moldou profundamente um momento marcante da minha vida; depois vieram outros, claro.
Essa minha trajetória no mundo da patinação, que começou aos meus 53 anos e culminou na conquista do título de campeão Brasileiro de Patinação de Velocidade e tudo certinho:  atleta confederado, federado, pertencente a uma equipe da modalidade esportiva e tudo mais que seria necessário à uma prova de patinação de velocidade chamada por, Berlin Marathon.
Saí do completo zero. Zero mesmo: zero esporte, zero conhecimento sobre patinação de velocidade, zero compreensão sobre a amplitude dos desdobramentos de um sonho, zero noção do preço a ser pago. O zero quase tudo, muitos risos.
Alguns chamariam de superação, outros de determinação, força de vontade, perseverança, idealização, até mesmo ego exacerbado. Também a dor de uma criança que tenha se sentido rejeitada algum dia na vida. Continuando o desabafo, a falta de nomeação, uma fala entalada entre a garganta e o peito que sempre sussurrava: “Ainda consigo patinar de verdade”. Sinceramente, um mosaico desses elementos. Aliás, nunca é uma coisa só !  Repetindo: sempre digo isso: “nunca é uma coisa só”, inclusive este foi o tema que abordei por aqui em uma outra crônica que já escrevi para Você, em algum momento.
Por que patinação 
Como começo de uma boa prosa, logo de saída, duas variáveis fortes me vêm à mente, alinhadas ao sim e ao não, fazendo-me lembrar a música cantada por Danilo Caymmi: “Eu guardo em mim dois corações. Um que é do mar, um das paixões”. Ouve a música e observa a poesia da letra, depois me escreva se quiser. Assim me senti no regresso à patinação.
Mas voltemos ao tema central + risos.  Nossa, divago até, não é ?  [ e, quer saber, é um prazer divagar neste meu espaço para minhas crônicas]. Todo aquele enredo narrado acima, mas inicialmente, uma palavra que explica, sem conseguir definir: a ogiva de uma bomba atômica chamada frustação. Uma espécie de não conformidade como mola propulsora para tangibilizar um antigo desejo transformado em sonho.
Como assim, frustração? Porquê ? . Sim, frustração e sonho, ao mesmo tempo.  Posso explicar facilmente. Primeiro, o não estratosférico da minha mãe Dona Zezinha, para a compra de um par de patins para eu brincar e me divertir. Acredito que na mente de Dona Zezinha nem rondava a ideia do uso de tal brinquedo. Quando ela percebeu o que estava acontecendo, por exemplo,  patins ?!… Disse, sem reservas e explicações: “ Isso eu não vou comprar para você!”.  Aí àquela frustração foi tamanha que se transformou em outro afeto .
Um desejo ardente, que acabou em sonho, na prática esportiva, na conquista de alguns prêmios e minha chegada à maior prova de patinação do mundo: A Berlin Marathon.
Quando falo em sonho. Se trata de um sonho sonhado mesmo.  Não apenas algo da ordem do almejado.  Um desejo latente do inconsciente, gritando: “vá patinar”. Eu disse a mim mesmo ingenuamente: “Ah, um dia eu compro um par de patins e ando quanto tempo eu quiser. Me aguardem”.  Um sentimento que transbordou e invadiu minhas noites de sono, chegando a incomodar minha esposa ao ponto Dela dizer: “Ou você procura aulas e uma escola de patinação ou nunca mais me fale sobre o tema patinação. Não aguento mais”, desabafou.
Me lembro como hoje. Fui viajar à Itália e vi muitas pessoas, acima dos 40 anos, patinando.  Voltando ao Brasil comprei um par de patins mais um kit de proteção. Procurei uma equipe e por fim a patinação in line passou a ser um tema recorrente, confrontando de vez e cara a cara com aquela frustração que disse mais acima. Se tornou algo maior que eu nem conseguia dimensionar. Até me tornar um patinador profissional de velocidade, campeão brasileiro, atleta confederado e federado, do Zero à Berlin Marathon.
Foi uma mudança muito radical, que promoveu outras escolhas. Mudei de empresa aos 56 anos, assumindo uma diretoria de “new business”, Latam. Exatamente, o momento quando muitos executivos estão encerrando ou fazendo uma transição em suas carreiras.  Passei por novos e grandes desafios. Utilizei advogado para me defender a primeira vez na vida. Aprendi a me defender, risos. Ganhei o pleito, claro. Aprendi que quando se tem direito ou mesmo é tratado diferentemente do que fora combinado, cabe um bom advogado. Nesta fase da vida aprendi que não vale mandar maus agouros. Manda processo mesmo, muitos risos.
Então veja, recebi um “não” de mãe, em relação aos patins e, depois, por algumas vezes na vida, devido ao excesso de atividades e aquela história do “nunca dá”, acabei adiando o meu desejo/sonho por anos. A primeira vez foi quando criança, por volta dos sete anos, não podia fazer nada, mesmo. Por outro lado, não consegui gostar de nenhuma outra modalidade esportiva. Agora, dançar – ótimo. Sempre amei . Vôlei um pouco melhor, mas ainda não era a minha paixão. Nadar – não suportava.
Quando pisei na pita pela primeira vez 
Aos 32 anos, fui convidado para ir à pista de patinação no Shopping Eldorado, chamada, Ocean Drive. A ideia era acompanhar minha amiga Jane Zago, Esposo, Cláudio as duas  filhas do casal. A proposta inicial era nós adultos ficarmos conversando e tomando café. Inesperadamente eu disse: “Jane, vou para a pista também.” Ela respondeu: “Eu também, Roberto.” Quando vesti os patins e saí rodando, já entendi que era isso que gostaria de praticar como esporte. Saí da pista imediatamente subi na área do shopping comprei meu primeiro para patins numa das lojas de esportes que existia por lá.
Na efervecente Ocean Drive, vivi um anoe meio de pura diversão, deslizando sobre patins e absorvendo o vai e vem da  vida como se fossem eternos aquele momento. Mas como o destino gosta de nos surpreender, dei um giro de 180 graus: casei, mudei e abandonei os patins. Parecia que aquela fase tinha ficado para trás, um capítulo encerrado na minha história.
No entanto, o destino, às vezes, nos oferece uma segunda chance. Vinte anos depois, retomei tudo do zero, sem medo de cair, afinal, não é assim que a maioria das histórias de sucesso começam? Foi a partir desse recomeço que nasceu “Do Sonho ao Pódio: A Jornada do Zero à Berlin Marathon”.
Com coragem e determinação, criei minha própria marca, “Vou de Patins”, que se expandiu para as redes sociais e um canal no YouTube com o mesmo nome. Logo, as pessoas começaram a me chamar para compartilhar minha jornada inspiradora em palestras sobre motivação, superação e, é claro, patinação. E como resistir a um convite desses? Aceitei de coração aberto.
Minhas palestras são mais do que simples relatos, são verdadeiras experiências emocionais, onde o riso e até mesmo algumas lágrimas se misturam. É uma recomendação que faço com todo o entusiasmo: venha participar desse momento único. Porque em cada palavra compartilhada, estou dividindo não só minha história, mas também lições valiosas aprendidas ao longo do caminho, tanto no mundo empresarial quanto na busca pessoal pela superação, agora, através de um esporte adotado após os 53 anos. Faça algo que sempre desejou e ama. Desafie-se a viver !
Roberto Marinho
Publicitário e Psicanalista
Contato: Robertomarinho28@gmail.com

Sobre Granja News

O Granja News, jornal voltado ao público da Granja Viana e região, tem circulação em todo o centro comercial da Granja, parte de Cotia e em 90 condomínios da região, como por exemplo, São Paulo II, Nova Higienópolis, Fazendinha.

Leia também

Criança no espectro autista sai de casa sozinha, embarca em ônibus e é encontrada pela PM em Carapicuíba

“Viramos amigos”, diz sargento que ficou brincando com o menino enquanto a equipe buscava localizar …

Skip to content