A Câmara dos Vereadores de Cotia realizou na manhã de ontem (13/11) sua trigésima sétima sessão ordinária de 2017. A sessão teve participação acima da média da população e foi bastante movimentada, com discursos acalorados e a apresentação de projetos importantes.
Um deles é a proposta de emenda à lei orgânica nº 3/2017, que aumenta o número de vereadores da cidade para 19 – hoje, são 13. A proposta visa adequar Cotia ao artigo 29 da Constituição, que estipula o número de vereadores dos municípios brasileiros de acordo com sua população. A composição atual da câmara cotiana é referente a municípios com mais de 30 mil e até 50 ml habitantes; sendo que a população já é estimada pelo IBGE em mais de 237 mil, o que daria à cidade o direito de ter 21 vereadores. O projeto deverá passar pelas comissões competentes antes de voltar à câmara. Em 2016 já se esperava que um projeto similar fosse discutido, mas ele sempre acabava adiado e o ano acabou antes que os vereadores o apreciassem.

Foi enfim concluída a leitura do Plano de Mobilidade Urbana de Cotia, que estava sendo feita desde a 34ª sessão. Os parlamentares também aprovaram um projeto que obriga a prefeitura a enviar todos os seus decretos à casa em até cinco dias úteis. Aprovaram ainda uma série de requerimentos pedindo detalhes sobre contratos da prefeitura com empresas terceirizadas e também detalhes das aprovações do empreendimento Central Park Cotia – este último teve voto contrário de Celso Itiki (PSD) e abstenções de Fernando Jão (PSDB) e Pedinha (PROS).
Em seguida, após uma moção de pesar pela morte de Natalia Souza, da Juventude Solidariedade, ser aprovada por unanimidade, Celso pediu vistas de todos os processos de uma vez. O primeiro secretário Marcos Nena (PMDB) e o presidente Paulinho Lenha (PSB) explicaram que ele só poderia pedir vistas de um processo por vez. Sob vaias e piadas da população presente, Celso assim o fez, com a ajuda de Jão, que pediu vistas de um deles.

Na tribuna, Eduardo Nascimento (PSB) foi ovacionado pela população em um discurso inflamado contra o prefeito Rogério Franco (PSD) e seus colegas de câmara. Chamando o chefe do executivo de “ditador” e alguns de seus colegas de “capachos”, disse: “se é pra eu ser eleito pra ficar me submetendo à vontade do prefeito, prefiro nem me eleger!”. Depois, comentando o projeto da prefeitura que retira benefícios dos funcionários públicos, disse que “se não tem dinheiro, que se contrate alguém para realizar um estudo”. Ele acusou o prefeito e o líder de governo de rasgarem a contraproposta apresentada pelos professores numa reunião com os vereadores e ainda provocou Rogério: “Se quiser retaliar alguém, venha pra cima de mim!”
Cada vez mais aplaudido, ele concluiu: “Os funcionários públicos de Cotia carregam essa cidade nas costas. Alguns me chamam de ‘vereador analfabeto’ porque eu não falo bonito, mas eu sou assim porque na minha época eu tive um prefeito quenem esse, que quis tirar tudo da educação!”

Em seguida, foi a vez de Edson Silva (PRB) discursar: “Eu tenho respeito pelo trabalhador. Eu não sou oposição, lutei no palanque do Rogério. E torço por um governo que dê certo. O servidor sabe que tem que enxugar a máquina pública, mas ele não tem culpa da meleca que foi feita nos governos anteriores.”
Jão, que voltou à Câmara em agosto após liderar a Secretaria de Governo por sete meses, rebateu as acusações de Eduardo e cobrou respeito dos manifestantes. “Quando secretário, eu tive muitas reuniões sobre esse assunto, tentei trazer a USP e a FGV para cá. Não sou capacho do prefeito! Acho que realmente faltou diálogo, mas também faltou respeito por parte de alguns”.

Tim (PMDB) foi o próximo a falar e retomou as críticas à prefeitura. “Esse projeto é manipulado pelo Zé Lopes [atual secretário de governo]. Ele é um câncer nessa cidade! Respeito o Celso e seus pedidos de vistas, mas tem que pensar na Câmara primeiro, depois no Executivo.”
Em um discurso mais apaziguador, Marcos Nena (PMDB) defendeu que se busque um consenso e que o executivo dialogue com cada categoria. Depois, elevou o tom contra pessoas que espalharam “babaquices” na internet. “Ficam me chamaram de rato, dizendo que o projeto seria aprovado na calada da noite. Chega de mentiras! Ofensas não! Esta casa precisa tomar uma atitude!”.

Ao final da sessão, Lenha anunciou que a próxima sessão ordinária, na qual os vereadores votarão em segundo turno o projeto polêmico que retira benefícios dos servidores, foi adiada por um dia e ocorrerá na quarta-feira (22/11), às 19h.
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