Por Victor de Andrade Lopes
A Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Técnicos de Cotia (AETEC) recebeu na noite da última quinta-feira (7/8) dois especialistas em mobilidade urbana: Eduardo Camargo, presidente da ViaOeste, ligada ao Grupo CCR; e o português Manuel Teixeira, consultor da Cinclus Engineering Consultancy, empresa portuguesa com escritório em São Paulo.
Eduardo hoje preside o braço da CCR responsável, entre outras vias, por alguns trechos da Castelo Branco e da Raposo Tavares, incluindo a partir do km 34. Em sua palestra, apresentou um projeto preliminar de intervenções no trecho inicial da rodovia, hoje sob responsabilidade do DER.
De acordo com o projeto, seria possível implantar até duas faixas adicionais em certos trechos, além do tão sonhado retorno do km 26 e reformulação do viaduto do km 22,5. Na chegada em São Paulo, um complexo viário eliminaria os dois semáforos: o primeiro semáforo seria substituído por uma passagem subterrânea, e o último seria eliminado com a extensão da rodovia até a Marginal Pinheiros, criando assim uma ligação direta entre as duas vias.
Para viabilizar financeiramente o projeto, a Raposo passaria a ser eletronicamente pedagiada, com pórticos instalados a cada quilômetro para calcular a distância percorrida por cada veículo e cobrar, com base no comprimento do trecho, pelo uso da rodovia. Questionado sobre a possibilidade de implantar uma faixa de ônibus, Eduardo respondeu que a ampliação para cinco faixas e as demais intervenções anulam a necessidade de uma faixa exclusiva para coletivos.
Em seguida, Manuel relatou a experiência dos portugueses ao implantar um sistema de metrô em Porto, segunda maior cidade do país europeu. O projeto incluiu trens de superfície, subterrâneos e rurais, e tem hoje 81 estações (mais até do que a cidade de São Paulo, embora aqui tenhamos mais quilômetros de linhas). Manuel fez questão de deixar claro que não apresentou um projeto concreto e concorrente ao estudo da CCR, mas sim uma sugestão de experiência que deu resultados positivos em Portugal e que pode ser aplicada no Brasil com algumas adaptações.
Ao final da palestra, os convidados fizeram algumas perguntas. Alguns questionaram o quanto o projeto de fato soluciona os problemas de mobilidade na rodovia, uma vez que a Raposo é a única conexão entre alguns bairros de Cotia. Eduardo garantiu que o projeto apresentado, embora bilionário, é o mais econômico que existe envolvendo apenas dinheiro da iniciativa privada. “Se incluirmos dinheiro público, podemos pensar em outras possibilidades de intervenções na rodovia”, diz.
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