Por: Eduardo Kuntz Fazolin
Apaixonado por automobilismo desde criança, vendo jogos e participando de corridas desde os treze anos de idade, a história de sua vida foi levada pelos caminhos da corrida e adrenalina do kart. Mesmo nunca tendo a ideia ou o sonho de viver trabalhando com as pistas, elas sempre se atrelaram a ele. Após 16 anos trabalhando com TI, em 2011, Tom percebeu que pouco se falava na mídia sobre os campeonatos que aconteciam e as notícias desse eletrizante mundo dos amadores, e após muita insistência do seu irmão, surgiu o site Kart Amador SP, que a princípio ficou engavetado e após muita insistência do seu irmão Paulo Henrique (Paulinho), foi colocado no ar, falando exclusivamente de campeonato de kart amador. qual objetivo era ser o principal foco para os aficionados e os pilotos desse universo. “Eu acho que coloquei o site no ar para meu irmão parar de encher meu saco naquela época!”, diz de maneira bem humorada.
Após começar o site, Silva buscou equipamentos fotográficos para ter uma melhor ilustração em suas matérias, mas não sabia como mexer, Cláudio Reis, fotógrafo de automobilismo com passagem em várias categorias como Fórmula Indy e a Copa São Paulo, se prontificou a ajudar. “Ele me aconselhou qual equipamento usar e que não ia me cobrar nada, só em troca que eu pudesse a ele ceder”. E assim começou o primeiro trabalho dele nos campeonatos, e isso durou até 2015, onde tudo mudou mais uma vez: ele se tornaria um narrador.

“Eu estava esperando começar um campeonato que eu ia fotografar no KGV, mas tinha uma bateria aberta e eu fui lá ver. Tive a ideia de tirar o celular do meu bolso e começar a filmar brincando, tirando sarro dos caras! O que eu não esperava é que o organizador desse campeonato estava do meu lado, e virou para mim e disse: “Tom, por que você não narra? Você tem o timing, a voz para isso. Só que na época, para fazer uma transmissão custava por volta de R$1.200. Então, o gestor na época do em parceria com os membros do campeonato Copa Kart dos Camaradas, me propôs: ‘Cara, eu compro o equipamento para você, você aprende e tenta encontrar seu jeito mais acessível para trabalhar conosco’ ”.
Depois disso, ele começou a usar o equipamento também em outros campeonatos para aprender. Tom faz questão de fazer cada coisa em suas transmissões, a câmera, a narração e todos os detalhes técnicos. Revezando entre tirar fotos dos eventos e narrar, as pistas viraram a sua vida por completo, e esse foi o seu maior marco. Deixou de participar de competições e, de fotógrafo, passou a ser narrador das provas e levar as emoções a outras pessoas.
Mas é claro que se a pessoa é tão talentosa, os sonhos vão longe, e então questionamos:
Granja News – Qual é a sua inspiração, e se você pudesse fazer algum outro esporte, qual seria?
“Eu diria que me inspiro muito no Galvão Bueno, por mais que muitas pessoas não gostem muito dele, aprendi muito com a maneira que ele narra. Mas não tento imitá-lo, preciso encontrar minha própria maneira para não ser chato tentando imitá-lo. Ver tanto até me deu vontade de um dia narrar um jogo de futebol, mas só para ver a adrenalina que deve ser naquele momento. Mas, se eu pudesse, eu gostaria muito mesmo de narrar corrida de carros, stock car e até motos!”
GN – E para quem quer entrar nesse mundo dos bastidores do kart, qual é sua paixão?
“Depende muito do que a pessoa quer! Eu digo que a vida me presenteou com o que eu tenho, eu nunca pensei que teria uma carreira nisso. Mas o que eu posso falar, é que tudo que eu fiz foi com o coração e a paixão para fazer. Uma vez até já fui ajudante de bombeiro da F1, pois um dos pilotos que eu conhecia gerenciava essa parte, e eu pude ter essa oportunidade. Você não pode ir pensando em dinheiro, é o que eu sempre falo com os meus filhos: não é sempre assim, você vai gastar mais do que ganhar.”
GN – Em quantos campeonatos você atua hoje?
“Entre 28 e 30 campeonatos, fora eventos grandes, como a Copa São Paulo de Kart Pro, Endurance 500 milhas, 12 horas do KGV, Brasileiro Kart Rental, Torneios de Inverno e Verão, 24 horas de Kart – que são mais pontuais. Mas lógico, sempre muda, pois tem vezes que só me chamam no começo, no meio, no fim. Acaba sempre sendo muito movimentado.”
GN – Qual foi o momento mais marcante que você se lembra da sua narração?
“Provavelmente foi a primeira vez que narrei a Copa São Paulo na categoria Pro 500. Eu nunca imaginei isso, mas sendo assim, nunca imaginei que ia fotografar, nunca imaginei que seria narrador..” diz em forma bem humorada “Mas eu não fiz a parte técnica, só a narração mesmo. Mas acho que tenho um ainda mais marcante e emocionante para mim…
Eu tinha um grande amigo que me ensinou muito, uma simpatia, o seu Ademir. Mas infelizmente, no dia em que ele faleceu, eu estava transmitindo no KGV e o Johnny, que é do Karteiros, sabia que eu era muito amigo dele e no intervalo ele me contou disso. Eu terminei a corrida, e era da copa Huayra, e o piloto André Cunha me mandou um vídeo falando: “Tom, olha como você mexe com a vida das pessoas”. Era um vídeo da mãe dele, lá no sul, que não via o filho há muito tempo e ela estava vibrando vendo minha transmissão. Como eu gosto de interagir muito com as pessoas no chat das transmissões, eu comentava muito sobre ela que a família mandava mensagens falando como ela estava nervosa. E quando ele ganhou, a família gravou um vídeo dela chorando parabenizando o filho, e eu chorei vendo isso. Eu recebi essa notícia muito ruim sobre o falecer do meu amigo, e logo em seguida recebi esse vídeo maravilhoso, outro amigo me falando: “Muito obrigado por trazer essa emoção para a minha mãe”.
Outro que me marcou muito foi quando o Kart Amador SP completou 10 anos, que o Sérgio Maurício, o Luc Monteiro e toda minha família e amigos gravaram um vídeo parabenizando. São coisas que eu guardo e levo comigo com muito carinho.”
GN – Como está sendo a Copa Huayra? Você está gostando da experiência deste ano?
“É um campeonato que eu gosto muito de fazer, ele tem um clima muito bom. Não lembro se cheguei a fotografar, mas ele tem um clima muito bom. Não é travado, pesado, tem uma diferença no kart rental. Ele não tem essa falta de amizade que outros campeonatos mais focados tem, aqui alguém pode rodar e o pessoal vai rir, alguém inexperiente pode pedir dicas pro pessoal veterano, é uma diferença gritante. Gosto muito disso.”

GN – Como foi pra você na pandemia, você ainda teve oportunidades de narrar?
“Eu tive que fazer duas semanas de entregador, a única coisa que eu podia fazer fora de casa. Mas aí, o Binho do KFF, me chamou pra narrar de brincadeira a corrida deles no Gran Turismo, do PS4. Aí na primeira corrida, um dos pilotos teve que transmitir para mim, pois eu não tinha o console. Então o Felipe Heleno ganhou um PS4 em uma rifa, e ele me deu para eu poder narrar de casa, pois ele já tinha um em casa. Eu tive muita ajuda durante a pandemia, até de pilotos anônimos. Fiz muitas narrações virtuais, óbvio que o valor é diferente mas me salvou durante esses momentos. Infelizmente, não tenho mais tempo para fazer esses virtuais.”
Ele também brinca que fica muito nervoso quando é chamado pelo Felipe Giaffone. Ele se diz muito tímido e sempre que ele tem reunião com Giaffone, a mente dele fica: “O que é que eu errei?”, brincando. Ele relembra de um momento engraçado, onde ele e o colega/xará, Tom (MAB Drone), fizeram um novo tipo de câmera chamada “on-board” para a copa São Paulo, e colocaram uma no kart do filho de Giaffone. Quando o pai sobe para poder ver o novo estilo de câmera para a transmissão, algo deve ter esbarrado e desconectou todo o trabalho deles. “Tinha funcionado três vezes, mas quando O Giaffone foi ver de perto, a câmera resolve parar!” responde rindo.
GN – E os planos para o futuro? O que você gostaria de vivenciar e aprender?
“Eu gostaria muito mesmo de ver um estúdio de televisão, ver como acontece numa grande rede, sabe? Isso é um grande sonho, com toda certeza. Imagina narrar uma Fórmula 1? Eu gosto muito de bastidor de ver como é feito tudo pra colocar pra funcionar as coisas. Eu também sempre quis ser dublador e locutor de rádio. Eu sou apaixonado por dublagem! Nunca tive dinheiro para bancar um curso, mas acho uma profissão linda. Talvez, se der, eu adoraria fazer para ver como é. Minha mulher até briga comigo de tanto que eu fico tentando reconhecer as vozes de quem dubla.”.
GN – E você tem alguma mensagem para os leitores do Granja News?
“Para quem gosta de corrida, acompanhe o Kart Amador SP! E se quiser correr, você não precisa de nenhum tipo de carteira de habilitação, não precisa de nenhum equipamento, nada. É só ir, aproveitar o que o kartódromo tem a oferecer, sem se preocupar com nada. Espero que tenham gostado da matéria, e se quiserem falar comigo, é só me chamar nas minhas redes. E lógico, que continuem na Granja News!”
Para encontrar o Tom Silva, confira suas redes:
Instagram: @tomsilva2812 (www.instagram.com/tomsilva2812/) e @kartamadorsp (www.instagram.com/kartamadorsp/)
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