Texto e fotos por Victor de Andrade Lopes
O Clube das Pitangueiras sediou na noite da última quarta-feira (10/12) a última reunião preparatória da revisão do plano diretor de Cotia. A série de reuniões, convocada pela Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano do município, começou no dia 6 de outubro e totalizou cerca de 20 encontros em todas as regiões da cidade.
A reunião teve pouco público. Os únicos representantes do poder público presentes, além das duas funcionárias que comandaram a apresentação, eram o administrador regional da Granja Viana, Cristiano Freitas, e seu assistente Marcelo Duarte. Nenhum movimento local esteve representado na reunião.
Para coordenar o encontro, estiveram presentes Patrícia Camargo, da Secretária de Meio Ambiente e Agropecuária, e a arquiteta Luciana Alegre, da Secretária de Habitação. Elas mostraram por meio de slides alguns mapas e dados do município, além de explicações sobre o plano diretor e o que se objetiva com a sua revisão. Também distribuíram aos presentes alguns panfletos divulgando ações recentes da Secretaria do Meio Ambiente e com recomendações de práticas sustentáveis, além de um questionário para um “diagnóstico participativo”, com várias perguntas sobre infraestrutura, meio ambiente e outros.
Os mapas exibidos mostram como a prefeitura dividiu o município em 2007, data da última revisão do plano: na época, Cotia foi fatiada em sete macrorregiões , cada qual categorizada como macrorregião urbana consolidada (MUC, caso da maior parte da Granja Viana), macrorregião de dinamização econômica urbana (MDEU), macrorregião de proteção ambiental (MPA, caso da Reserva do Morro Grande e do Parque Tizo), macrorregião urbana em desenvolvimento (MUD) ou macrorregião de baixo impacto urbano (MBIU). Na mesma época, Cotia também foi dividida em 31 unidades básicas de planejamento (UBPs), cujos limites correspondem aproximadamente aos dos bairros.
Luciana explicou que Cotia se desenvolveu “como um peixe”, tendo a Rodovia Raposo Tavares como espinha dorsal e vias como as Estradas de Itapevi, do Pau Furado, da Roselândia, etc. como as espinhas menores, em torno das quais os bairros cresceram. Na Granja Viana, a lógica não foi diferente. Sem entrar em detalhes, Luciana disse que a prefeitura pretende revisar a mobilidade da região, criando novas vias e ampliando as já existentes. “Para isso, estamos dialogando com empresas e empreendimentos, pois será necessário desapropriar partes de alguns terrenos”, explicou Luciana.
Já ao final da apresentação, as profissionais exibiram o diagnóstico que o grupo de trabalho da prefeitura traçou da Granja Viana e as propostas para o local (veja imagens abaixo). Depois, abriram para perguntas da população presente. A situação do viaduto do km 22 da Raposo, foco diário de congestionamentos, foi levantada. Luciana explicou que a prefeitura está em conversa com os empreendimentos no entorno para conseguir aplicar algumas melhorias, não especificadas.
Dois assuntos que muito são discutidos pelos granjeiros, a ocupação do solo e o zoneamento, também foram trazidos à discussão. A dupla explicou que a prefeitura não pode impor limitações além das próprias leis a quem for dono de terrenos privados e que, portanto, limitações só poderão ser obtidas por meio de novas leis.
As questões ambientais também foram mencionadas. Patrícia reconheceu que o plano de 2007 contém muitas brechas com relação ao Meio Ambiente e que isto deverá ser corrigido na revisão. Luciana explicou que Cotia é um município com muitas nascentes (um cálculo inicial apontou 1073 nascentes no território da cidade, número que ainda pode crescer). O geógrafo Marcos Ummus, contratado pela prefeitura para fazer esses levantamentos ambientais, explicou que Cotia é fonte de muita água. “Produzimos água o suficiente para mais de 800 mil pessoas, e só temos uma população de cerca de 240 mil”.
Essa foi a última reunião preparatória do plano diretor. Os próximos encontros serão técnicos, e as datas serão anunciadas futuramente. O novo plano de Cotia está previsto para ir a votação na Câmara Municipal em julho de 2015.
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