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Granjeiro do mês – o artista plástico Renato Brunello

P1030667No ano de 1953 em Veneza, na, Itália, nascia um granjeiro ilustre, ligado às artes plásticas, que antes de chegar à maioridade, já tinha exposições e prêmios. Vinte e um anos depois, ele chegava ao Brasil, e, há trinta e dois anos, ele se instalava na Granja Viana. É esta, resumidamente, a história de Renato Brunello, artista plástico que mora na Granja desde a época em que a Raposo mal era afastada. Assim, Renato acompanhou as grandes mudanças que a região sofreu nessas três décadas.

Em entrevista ao Granja News, o artista falou sobre sua vida na Granja, sobre sua carreira e sobre a arte em geral.

“Quando eu cheguei ao Brasil, em 1975, fiquei cinco anos no Jardim Bonfiglioli. Com o tempo, tive vontade de montar meu atelier fora do circuito urbano de São Paulo. Acabei me identificando com a Granja, que na época nem tinha sinais de que sofreria com o desenvolvimento acelerado. E acabei vindo morar aqui em 1980.

Um problema que vejo na Granja hoje é que as pessoas que estão chegando aqui não enxergam o verde como um patrimônio, como algo a ser respeitado. Acho engraçado ver aqueles tratores passando por cima das plantas nativas para depois chegar um paisagista e fazer um jardinzinho. É decepcionante ver esse tipo de desenvolvimento, se é que podemos chama-lo assim. Eu o vejo como um “refúgio de sobrevivência”.

Há tempos atrás, eu conseguia ir daqui até a USP de bicicleta com tranquilidade. Hoje, mal tenho coragem de pedalar na rua da minha casa. Eu vim aqui com o objetivo de preservar as coisas como estavam. Eu desloquei o projeto de construção da minha casa de maneira a abranger as áreas com menos árvores. Foi a maneira que encontrei de ficar em harmonia com o ambiente que encontrei aqui.

Os moradores novos que chegam aqui querem trazer junto os costumes urbanos. Na minha rua, que é de terra, querem colocar asfalto. Pensam até em fazer abaixo-assinados, mas com a minha assinatura, eles não contarão. Se eles não queriam terra, então por que vieram morar aqui? Sem falar que esta rua está dividida entre duas prefeituras (Embu e Cotia). Meu vizinho da frente já está em outro município, então, para quem eles vão pedir o asfaltamento? São Paulo não tem mais para onde crescer, então, os imóveis invariavelmente virão para cá. Não sou contra isso, mas é preciso ter planejamento. E nisso, os políticos se omitem. Se não houver investimentos em infraestrutura, a população não se beneficia.

Outra coisa que acho que falta na região é incentivo à cultura. Já temos teatro e cinemas, mas eles não são voltados para a cultura local. Há muita atividade cultural por aqui, e ela precisa ser valorizada. Temos um SESI hoje, que considero um dos pontos altos da região, mas acredito que precisamos de algo mais, como um SESC (Serviço Social do Comércio).

Minha carreira começou na Itália, onde fiz a Escola de Arte de Veneza. Ainda jovem, antes mesmo da maioridade, já fazia exposições e ganhei alguns prêmios. Nessa época, ainda trabalhava apenas com pintura, só mais tarde eu desenvolveria o lado da escultura. Vim para o Brasil com 21 anos, para experimentar o país. Acabei gostando e ficando. Procurei o MASP (Museu de Arte de São Paulo) e minhas obras foi apreciado pelo Pietro Bardi (um dos fundadores do museu) e ele começou apoiar o meu trabalho. Daí para frente, houve um aumento gradual do reconhecimento. Trabalhei com imobiliárias e construtoras, tenho obras expostas em lugares públicos e estações de metrô.

Eu trabalho essencialmente “em casa”. Falo assim porque considero esta aqui a minha casa, e aquela outra construção o meu atelier (localizado no mesmo terreno). Saio daqui de manhã e só volto no fim da tarde. Creio que a Granja influencia de certa forma o meu trabalho. É inevitável, a arte é introspectiva.

Acredito que a obra de arte, depois que sai de um atelier, passa a pertencer ao público. O maior prazer que um artista pode receber é o reconhecimento da sociedade. Esse negócio de direitos autorais praticamente não existe. Você pode até limitar o uso da imagem, dizer como ela pode ser veiculada, mas a partir do momento que ela sai das minhas mãos, ela não me pertence mais. É polêmico, mas é assim que a sociedade cresce. Tem que saber se doar. Toda criação é uma doação.

Vejo isso no jornalismo, também. As notícias que vendem mais são as catastróficas e trágicas. Só que o retorno social delas é pequeno. Acho exagerado esse número de notícias ruins que vemos nos jornais. Isso cria pessoas neuróticas. Existem coisas boas para serem abordadas, como o ouro que as meninas levaram em Londres (referindo-se à medalha de ouro que a equipe feminina de vôlei do Brasil conquistou nas Olimpíadas poucos dias antes da entrevista).

Atualmente, voltei a trabalhar com pintura. Estou desenvolvendo um trabalho de desenho e pintura digital. É um trabalho inédito, que poucas pessoas já conhecem. Pretendo expô-lo em breve. Este trabalho consiste em pintura sobre fotografias urbanas. Basicamente, pegos fotos de paisagens de cidades e faço intervenções por cima da imagem original.”

Renato Brunello tem sua obra “Figura Deitada” exposta no MASP até o dia 31 de outubro, parte da mostra Obsessões da Forma.

P1030670 Atelier do Renato P1030653 P1030659 P1030661

Sobre Granja News

O Granja News, jornal voltado ao público da Granja Viana e região, tem circulação em todo o centro comercial da Granja, parte de Cotia e em 90 condomínios da região, como por exemplo, São Paulo II, Nova Higienópolis, Fazendinha.

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