Semana passada houve a celebração do Dia Nacional do Combate ao Preconceito às Pessoas com Nanismo e relembrou a comunidade da importância de respeitar a diversidade
Por Victoria Cattony
Fotos: Bruna Santos
“Nanismo é um transtorno que se caracteriza por uma deficiência no crescimento, que resulta numa pessoa com baixa estatura se comparada com a média da população de mesma idade e sexo.[…] Pode afetar mulheres e homens indistintamente que, salvo raríssimas exceções, mantêm a capacidade intelectual preservada e podem levar vida normal e de boa qualidade. Em muitas situações, porém, as pessoas com nanismo são obrigadas a lidar com o preconceito e a discriminação social e a contornar as dificuldades de acesso em ambientes preparados para receber pessoas mais altas. Por isso, muitas vezes, precisam de ajuda para realizar tarefas simples, como utilizar o caixa eletrônico, e transporte público, por exemplo, e alcançar os produtos nas prateleiras de supermercado”, assim define o médico, cientista e escritor, Drauzio Varella em seu site.
Billy Barty, ator e ativista norte-americano, que possui a deficiência, lutou e ficou conhecido por sua batalha em busca dos direitos das pessoas com nanismo. Em homenagem a essa ilustre figura, o dia de seu aniversário foi o escolhido para representar a vitória de uma das disputas na guerra contra a discriminação. Sendo assim, 25 de outubro marca o Dia Nacional do Combate ao Preconceito às Pessoas com Nanismo. Há 4 anos, entrou em vigor a lei que institucionalizou a comemoração.
“É muito legal ver que a luta vem tomando forças nesses últimos tempos. Na verdade, isso é uma ponta do iceberg, não é um começo e sim um resultado de anos e anos de batalha de todos nós. Nosso trabalho é de formiguinha, mas temos que dar a visibilidade necessária para que entendam que estamos aí para conviver, viver e contribuir”, comenta Mila Poci, atriz e palestrante, que possui nanismo. Ela conta que as associações que conquistaram essa vitória, são muito acolhedoras e divertidas, principalmente quando ocorrem reuniões.
Devido a deficiência, as pessoas com nanismo possuem determinadas limitações físicas e clínicas, além de algumas dificuldades decorrentes da condição de saúde, como percalços na constituição da mandíbula e do sistema respiratório, dentre outros. No entanto, nenhuma dessas situações podem interferir no julgamento quanto às capacidades dos indivíduos.
O desrespeito é o mais recorrente dos preconceitos dirigidos aos indivíduos com nanismo. Mila explica que isso é o pior de tudo que passa, uma vez que não se sente encarada como uma igual perante o outro, apesar de sua estatura ou suas dimensões não dizerem muito a seu respeito. Para a palestrante, a pessoa com deficiência não deve ser definida por isso e sim por suas habilidades e serviços.
“Sou palestrante e não falo disso. Um amputado não é uma perna que falta, ele é todo o resto do corpo”, compara Mila, que aborda em suas apresentações a necessidade de se ter senso de humor e lidar com as situações do cotidiano com mais leveza, para não se deixar abalar com toda a crueldade do destino.
Ela inclui também, que termos como “anão” e “pessoa pequena” não cabem mais no vocabulário cotidiano, uma vez que carregam um estereótipo que não condiz com a realidade. Palavras assim, quando utilizadas de mau gosto, podem trazer consequências negativas para quem as recebe. Em contrapartida, todo o ataque proferido, os transforma em sujeitos extremamente resilientes que estão dispostos a tudo para buscar seus direitos.
Por fim, Mila deixa um recado para todos que ainda carregam preconceitos: “Abra sua mente, e seja como uma criança, busque conhecer sem um julgamento prévio. Procure se desarmar e encarar o outro sem medo. O mundo é muito rico de experiências para nos limitarmos”, finaliza.
Mila Poci
Whatsapp: (11) 9 9291 2359
Instagram: Mila Poci Cabral
Email: milapoci@ibest.com.br
Site:
Granja News O Jornal da Granja Viana e Região
