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Vereadores de Cotia criticam sindicalistas e deputado estadual e aprovam Lei Lucas

Por Victor de Andrade Lopes
Fotos: Câmara de Cotia

A Câmara dos Vereadores de Cotia realizou na manhã de ontem (28 de agosto) sua vigésima quinta sessão ordinária de 2018. A sessão foi marcada pela aprovação da chamada “Lei Lucas”, que torna obrigatória a ministração de cursos de primeiros socorros em instituições de ensino de Cotia, e também por críticas dos vereadores a sindicalistas que representam o funcionalismo público da cidade e ao deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL).

Lei Lucas
Capitã Catarina e tenente coronel Humberto Leão dos bombeiros de São Paulo durante sessão da câmara
Capitã Catarina e tenente coronel Humberto Leão
A “Lei Lucas” (nº 28/2018) leva esse nome em referência ao garoto Lucas Begalli Zamora de Souza, de 10 anos, que morreu em Campinas em setembro de 2017 após engasgar com um cachorro quente durante uma excursão escolar e não ser socorrido a tempo.

O tenente coronel Humberto Leão, dos bombeiros, compareceu à sessão, acompanhado da capitã Catarina, e foi convidado pelos vereadores a discursar. De início, ele anunciou que os municípios vizinhos de Itapevi e Carapicuíba estão prestes a ganhar sedes do corpo de bombeiros, o que diminuirá a carga de trabalho dos bombeiros de Cotia, aumentando sua eficiência.

Humberto também anunciou que os bombeiros passarão a fazer parte da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (DEJEM), que permite ao oficial complementar sua renda prestando serviços adicionais. Segundo ele, os bombeiros do estado de São Paulo registram mais de 500 mil ocorrências por ano, o que corresponde a uma por minuto.

Falando especificamente da Lei Lucas, Humberto disse que o objetivo dela é evitar que pessoas morram por falta de atendimento. “É uma bandeira levantada pela mãe do garoto que morreu”, disse. Ele também disse que afogamentos são um problema grave na cidade, que é cheia de lagos, rios e piscinas. “Afogamentos matam quatro vezes mais que acidentes de trânsito”, alertou.

A lei foi aprovada por unanimidade e os vereadores Edson Silva (PRB), Dr. Castor (PSD), Professor Osmar (PV) e Fernando Jão (PSDB) discursaram em seu favor.

Outras leis e homenagens

Também por unanimidade, os vereadores aprovaram a lei 33/2018, que obriga estabelecimentos públicos e privados a incluírem o símbolo mundial do autismo nas placas de atendimento prioritário; e a 34/2018, que cria a Semana e o Dia do Profissional de Farmácia e os incluem no calendário oficial da cidade.

Foram aprovadas ainda três homenagens: uma moção de aplausos aos corretores de imóveis e dois títulos de cidadão cotiano; um para Mauricio Monteiro Ramos Pastrello e outro para o jornalista Luiz Eduardo de Freitas Soares.

O projeto que concede o título de cidadão cotiano ao senador licenciado e presidenciável Álvaro Dias (PODEMOS), proposto inicialmente em abril, foi novamente adiado, desta vez por duas sessões.

Eleições 2018
vereadores Pedinha e Professor Osmar de costas, sentados na plenária e os vereadores Edson Silva, Dr. Castor, Celso Itiki, Tim, Marcinho Prates, Marcos Nena e Sandrinho Santos, além da assessora jurídica da casa, sentados na mesa diretora da câmara
Em primeiro plano: Pedinha (esquerda) e Professor Osmar (direita), Ao fundo, da esquerda para a direita: Edson Silva, Dr. Castor (de costas), Celso Itiki, Tim, Marcinho Prates, assessora jurídica da casa, Marcos Nena e Sandrinho Santos
Em discurso, Professor Osmar agradeceu ao prefeito Rogério Franco (PSD) por obras que ele está promovendo “nos quatro cantos da cidade”. “Ontem começamos o asfaltamento de uma rua que há muito tempo estava sendo pleiteado. E conseguimos graças à parceria de uma pessoa muito especial que nos atendeu em Brasília com muito carinho: o deputado Herculano Passos (MDB). Vou apoiá-lo, temos que apoiar aqueles que são parceiros, que trazem benefícios para a cidade. Ele também disponibilizou uma ambulância do SAMU para a nossa cidade”, disse.

Em outro momento, o vereador Celso Itiki (PSD), que há muito defende Herculano, disse também acreditar que ele “abrirá novos caminhos” e seguirá apoiando-o mesmo ele tendo saído de seu partido para integrar o MDB.

Em seguida, Edson agradeceu ao prefeito e ao vice-prefeito e secretário de segurança pública Almir Rodrigues pelas ações que estão promovendo no sentido de combater a recente onda de violência na cidade. “Espero que em breve obtenhamos resultados e demos a resposta que a população merece”, disse o parlamentar. “Quero deixar um abraço a toda a Guarda Municipal de Cotia. Se não fosse por ela, não sei o que seria dessa cidade”, disse.

Aproveitando o gancho, Edson convidou todos a fazerem uma “reflexão”. “Cada companheiro aqui vai apoiar um candidato a deputado. Tem que ser algum que ajude São Paulo a ampliar o contingente da PM. Cotia é muito grande, precisamos de uma ação mais forte da polícia. Precisamos de ação política, para que o próximo governador olhe para Cotia com carinho”, disse.

Críticas a Toninho da Sintrasp e ao deputado estadual Carlos Giannazi

Ainda em seu discurso, Edson criticou o deputado estadual Carlos Giannazi, do PSOL. Na noite anterior à sessão (27 de agosto), o parlamentar promoveu uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) para ouvir dos servidores municipais os problemas que eles têm enfrentado.

“Esse deputado estadual aventureiro nunca esteve em Cotia e está usando o movimento do funcionalismo público, que merece meu respeito, de palanque. Ele nunca veio aqui, e agora em período eleitoral, quer resolver tudo!”, disse o vereador. Na verdade, Carlos já esteve no município, em julho de 2014, para apoiar o movimento dos estudantes do Cotolengo contra o fechamento da escola (veja detalhes aqui).

Edson criticou também Toninho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Serviços Públicos de Osasco e Cotia (Sintrasp). “Ele faltou com respeito com a nossa casa. Quando ele está aqui, age como um cordeirinho. Quando está lá fora, fala mal. O sindicato tem que respeitar esta casa”, exigiu. “Eu sei como é sindicato, já participei e é uma máfia. Eles não pensam na população, eles estão pensando é na contribuição sindical”, finalizou.

Tim (MDB) discursou em seguida e seguiu as palavras do colega. “Há uns dois anos e pouco, nós nos engajamos nesse projeto com os professores e fomos até onde deu para ir. Acho que a comissão tem que ter respeito por esta casa. Nós abrimos a porta para todos aqui, alguma vez tratamos mal alguém?”, questionou. “Quando o Toninho veio aqui, eu achei que era mudo, porque ele entrou e saiu sem falar nada. E lá na ALESP, falou um monte. […] Imagine, dizer que a gente votou um projeto na Copa do Mundo, na calada da noite! Esse cara não é homem! Quando ele veio aqui, foi tratado como homem. Se tinha algo a dizer, tinha que ter dito aqui, na nossa cara!”, provocou.

Mais sereno em sua crítica, Jão disse que “o que está faltando no atual momento é respeito. Respeito às instituições. Eu achei que o PSOL fosse um partido de ideias, de convicção, mas vi que o sofisma eleitoral acomete a todos os partidos, da extrema esquerda à direita”, comentou. “Não deixem o deputado estadual usar vocês. Vivemos num estado democrático, temos que debater ideias, mas não dá para ir para o campo pessoal. Se está começando desse jeito, está começando errado, e se está começando errado, vai terminar errado”, finalizou.

O líder do governo Dr. Castor também não poupou críticas ao socialista. “O deputado Carlos Giannazi nunca esteve aqui na cidade defendendo o funcionalismo público. Ele usou o movimento para se promover politicamente. Mas a população não é boba, ela sabe em quem votar. Esse deputado nunca mandou emenda parlamentar, nunca fez nada. E temos outros que ajudam bastante. Ele não tem meu respeito e não terá meu voto. É um fanfarrão! Como deputado, como legislador, deveria respeitar essa casa de leis, como nós respeitamos a assembleia!”, disse.

Ele aproveitou o ensejo para comentar o projeto que retirou direitos da categoria. “Não votamos porque somos maus e queríamos o mal do funcionalismo. Votamos porque precisávamos ter responsabilidade, sabíamos que em um ano e meio não haveria mais dinheiro. É melhor ter um ou dois direitos suprimidos do que não ter dinheiro para pagar suas contas. É muito fácil votar projetos para trazer benefícios, mas onde estaria nossa responsabilidade como legisladores? Nós votamos esses projetos em cima de estudos. E não votamos nada escondido, em todas as vezes os servidores estavam aqui”.

Por fim, Castor criticou outro político, sem citar nomes. “No domingo, houve uma reunião política de uma candidata a deputada federal e veio um prefeito de um município vizinho. Veio também um ex-candidato a vereador falar que estava aliviado de não ter vencido a eleição. Ele perde tempo falando da Câmara, mas não fala dos projetos dele. Não é assim que se ganha eleição, ganha-se eleição falando de projeto, do que você pode fazer para ajudar as pessoas. Quem fala mal dos outros é quem não tem o que apresentar”, finalizou.

Eleições da mesa diretora da Câmara

Antes de encerrar a sessão, o presidente Paulinho Lenha (PSB) anunciou que na próxima sessão, prevista para as 10h do dia 4 de setembro, haverá a eleição dos membros da mesa diretora da casa para o biênio 2019-2020.

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