Por Victor de Andrade Lopes
Welington Formiga é candidato a deputado federal pelo Partido Ecológico Nacional (PEN) sob o número 5170 e nos concedeu esta entrevista na manhã do dia 16 de setembro no centro de Cotia. Acesse seu site oficial (www.welingtonformiga.com.br) para conhecer mais propostas e não deixe de conferir sua declaração de bens, dados pessoais e fichas criminais no serviço DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014/sistema-de-divulgacao-de-candidaturas – clique no mapa de São Paulo. No campo “cargo”, selecione “deputado federal” e busque nome do candidato.)
Granja News: Apresente-se para nossos leitores.
Welington Formiga: Sou Welington Formiga, tenho 27 anos, estou na política desde os dez. Fui jovem parlamentar de São Paulo, presidente de grêmio e fui o candidato mais jovem da história do Brasil em 2004 quando concorri a vereador em Cotia. Saí três vezes candidato a vereador, mas não consegui me eleger, pois em Cotia, como no resto da região, é preciso gastar quase R$ 1 milhão para ser eleito e é baseado nisso que decidi sair deputado. Por quê? Porque para deputado você tem um universo maior. Eu estou no PEN e preciso de 15-20 mil votos, talvez 25 mil no máximo. Temos uma base forte nos apoiando e temos lutas aqui. Viramos hoje, modéstia à parte, o maior nome de oposição da atual administração. Conseguimos mais de 10 mil assinaturas contra o fechamento do Instituto Médico Legal (IML) de Cotia. Lutamos contra a Zona Azul, que foi implantada de forma errada. Não que ela não seja boa, mas a forma como ela está aí está ferindo o bolso do cotiano. Você vem de São Paulo, é notificado e não sabe onde comprar o talãozinho.
Tenho propostas e projetos para Cotia e região e acho que a politica regional precisa de um novo líder. Cotia é governada desde 1723 pelas mesmas famílias, então a ideia é plantar essa semente pra romper no futuro com esse coronelismo.
GN: Vamos falar um pouco dos seus projetos. Como se viabiliza financeiramente o amigo-guia?
Welington: O Brasil tem quase 6,5 milhões de deficientes visuais. 2,5 milhões destes não enxergam nada. Existe um treinamento nos Estados Unidos para cães-guias, mas apenas 59 brasileiros têm esse animal, porque o estado não tem uma politica pública para o deficiente visual. A ideia é criar o amigo-guia a nível nacional, para que todo deficiente visual possa ter um amigo, uma pessoa que vai andar com ele oito horas por dia. O estado vai ter que custear isso e vai ter que dar uma bolsa-auxílio universitária para este jovem, que será bem remunerado, terá uma oportunidade e nós vamos amparar esse deficiente. Só quem tem problema na vista sabe disso. Eu tenho moscas volantes, que faz com que pequenas sombras fiquem passando em frente aos meus olhos. Pensamos então neste projeto de nível nacional. E eu gostaria muito que, caso eu não seja eleito, algum deputado ou senador apresente isso ao Brasil. Vai dar custo? Vai, mas é uma forma do estado amparar a necessidade do deficiente visual.
GN: Você defende o monotrilho na Raposo Tavares para atenuar o problema da mobilidade. A CCR esteve aqui em agosto e apresentou um projeto preliminar para a rodovia (veja detalhes em matéria divulgada em primeira mão aqui). Você apoia esta proposta, acha que é complementar ao monotrilho, ou rejeita-a?
Welington: Eu apoio o projeto da CCR, mas acho que isso é mais uma forma de enganar a população de Cotia e região. A ideia do monotrilho não é minha nem do prefeito, é de um grupo chamado Think Tank Pensar e Agir, liderado por um senhor chamado Ulhôa Cintra. Há 20 anos eles defendem isso, e há dez eu passei a defender também. O monotrilho é o mais viável. Aprovaram tanto loteamento em Cotia e na região que sucatearam nossa cidade. Hoje, para você ir a São Paulo, você demora duas, três horas. Em longo prazo, tem que ser o monotrilho. Um governo precisa pensar nos próximos trinta anos quando está no poder. O que falta aqui é administrador que pense na cidade, na região.
GN: Caso eleito, como você pretende mobilizar seus futuros colegas no Congresso para trazer o campus de uma universidade pública para Cotia?
Welington: Todas as cidades da região já tem um campus, Cotia não tem porque falta vontade política. Com uma parceria com a prefeitura, por meio da qual ela cede o espaço físico, dá para fazer o projeto amanhã. Não ter um campus aqui é uma maneira de fazer com que a população não pense. O pessoal que governa essa cidade quer que o povo continue não tendo informação. Universidade é uma forma de abrir a memória do povo, de dizer para um jovem filho de pedreiro como eu que ele pode ser advogado, médico. Eu me formei em Direito, fiz meu mestrado sendo filho de pedreiro e morando no morro, preciso dar para essa gente essa oportunidade. O Prouni é legal, o FIES é bacana, mas tem que ter universidade federal para todo mundo aqui da região.
GN: O PEN tem poucos representantes na Câmara hoje. Como você espera conseguir apoio para seus projetos?
Welington: Tinha um sujeito chamado Severino Cavalcanti, que virou presidente da Câmara, sendo que era só ele e mais dois. É que houve um racha na época. Quando você fala em vontade e talento politico, você tem que dialogar. Dialogar com PT, PMDB, PV, com o partido que for, desde que você tenha vontade. Terei dificuldade, mas pretendo pensar mais no povo do que em mim. Apesar de nós precisarmos do instrumento partidário, eu tenho que entender que lá eu vou ter que jogar de forma que eu consiga trazer benefícios para Cotia e região. E vou dizer mais: se o meu partido for contra os princípios que eu defendo, automaticamente eu pretendo mais uma vez mudar de legenda. Porque não dá para um partido que é novo apoiar o Aécio Neves para presidente. Não que a Dilma ou a Marina sejam boas, mas não defendo nem ele nem o governador Geraldo Alckmin. Ele acabou com toda a água aqui na região, não pensou o futuro. Então para mim é um governador que temos que tirar de lá. Eu torço para que dê Skaf, que dê Padilha, tudo menos Alckmin.
GN: Mas o PEN apoia os tucanos para governador e presidente…
Welington: O PEN apoia por interesse do presidente, mas eu votei contra como secretário estadual da juventude, fui o único. Defendi candidatos próprios do partido para governador e presidente.
GN: Quem você apoia para governador e presidente e por quê?
Welington: Governador não pode ser o Alckmin. Eu gosto do gerenciamento do Skaf, acho que é um empresário de sucesso, um cara que tem visões novas, acho bacana isso. Agora, eu sempre fui ligado ao PT, nasci no PT. Por esse motivo, apoio o Padilha. Para presidente, apoio a Dilma. Porque a Marina é boa, é nova, mas o grupo que está por trás dela quer fazer com que o Banco Central seja governado por agentes que têm bancos no Brasil e no mundo. Acho que a Marina está na hora errada, não tem base para governar, quem vai governar é quem manda no poder econômico, isso é uma ameaça para o Brasil. Eu acho que a Dilma, com todos os seus defeitos, pelo menos vai manter o país do jeito que está.
GN: Você mudou de partido várias vezes…
Welington: Vou te explicar isso. Eu nasci no PT. Em 2008, o PT daqui apoiou o Mário Ribeiro, do PFL (Partido da Frente Liberal, atual DEM – Democratas), que o PT combateu a vida inteira. Por divergência, fui para o Partido Verde (PV), o único partido que era de oposição, e saí candidato a vereador em 2008. Tive 646 votos e não ganhei de novo. Em 2010, tentei voltar para o PT, mas, por divergência interna, o PT não queria, então formei o PCdoB de Cotia, aliado do PT. Seríamos vices do PT naquela época, mas a Nádia Campeão, presidente estadual do partido, vendeu a legenda para o Carlão Camargo, e fomos obrigados a sair na chapa dele em 2012. Ou seja, durante toda a minha vida, eu fui oposição, mas houve uma vez em que eu fiz uma grande merda que foi ter subido no palanque do Carlão Camargo e ter sido candidato com ele. Tive 631 votos, desgastei minha imagem, e estava ao lado de um cara em que eu não acreditava. Mas eu vou falar: em 2012, votei no Toninho Kalunga (PT). Jamais votaria no Carlão muito menos nesse grupo do PSDB que está aqui governando a região.
Quando acabou a eleição, o PCdoB ganhou uma secretaria, e eu resolvi sair. Sonhei em fazer um novo partido. Mas para isso, eu ia precisar de quase R$ 3 bilhões, não dava tempo, então ajudei a construir o PEN. O PEN é um bom partido, mas tem que mudar as ideias. Um partido tem que ter projeto, tem que ter base, alguma discussão. Não dá para ser partido per se, senão vira partido de aluguel, igual aos outros que há por aí. Eu não estou usando o PEN como trampolim, mas eu tinha que ou formar um novo partido, ou ficar no PEN, ou voltar para alguma legenda à qual já fui filiado. Infelizmente, em Cotia, você está no PT hoje, mas amanhã os caras vendem a legenda. Se você for vendido também, você vai junto. Uma liderança, quando muda de partido, não é porque ela é um macaco pulando de galho e galho, é porque ela tem um ideal e o ideal tem que estar acima do que a legenda defende na cidade.
GN: Então no fim não é nem você que está mudando, são os partidos que mudam e você vai para os que se mostram alinhados com seus ideais.
Welington: O partido muda por interesses pessoais do presidente. Se ele for vendido e ganhar R$ 10 milhões para apoiar um candidato, ele vai e vende todo mundo junto. É complicado, o partido não defende o que a maioria pensa, ele defende o que o cacique pensa. Existe uma ditadura partidária no Brasil. Eu só poderei expor minhas ideias no dia em que eu tiver um partido, ou no dia em que eu tiver voto para ser respeitado pela minha legenda. Não defendo um monte de ideias que o PEN defende, porque são ideias que eles não debateram com a sociedade. Eu moro numa região em que as pessoas invadem casas porque não existe uma política pública para isso. Não que eu seja a favor, mas tem terreno parado que precisa ser usado. Eu defendo a reforma agrária, meu partido jamais vai defender. Defendo algumas bandeiras que são populares, da minha essência.
Partidos são todos iguais, o que muda são as pessoas. Os estatutos também são quase todos iguais, e no Brasil só tem um partido diferente e de base. É um partido que tem defeitos, mas que faz o diálogo com a sociedade, que vem do laço operário: esse partido ainda é o PT, maior partido da América Latina.
GN: O que você pretende fazer se não ganhar a eleição?
Welington: Se eu não ganhar, primeiro vou ver os votos na urna, que é a melhor resposta para mim. Porque o povo é que vai dizer o que eles querem do Welington Formiga. Talvez ele não me queira como liderança, e a gente tem que ter a humildade de falar: “Olha, é hora de ajudar alguém, colocar um jovem novo na politica”. Tem mais promessas vindo aí.
Uma das coisas que eu vou fazer é esfriar a cabeça, olhar para frente e pensar o seguinte: se eu não ganhar, não vai ser por falta de proposta e de história. Vai ser por questão financeira, porque enquanto eles gastam quase R$ 30 milhões para eleger um candidato da cidade, eu não tenho R$ 50. Meu material é escasso e doado. Meus poucos cavaletes foram quebrados e só tenho um carro de som. Entendo perfeitamente que um deputado, para ser eleito, gaste mais de R$ 2 milhões, principalmente em São Paulo.
Se eu não for eleito, vou sonhar um sonho maior para Cotia. Não sou candidato a vereador e não pretendo estar na Câmara Municipal. Cotia e região estão sofrendo muito, e quanto eu falo Cotia é porque eu sou daqui, falo baseado no que o meu povo sente. Eu sei que a saúde está muito ruim, que falta creche, que não tem uniforme, que o transporte é caro… Está na hora de um prefeito fazer um plano sério para o transporte.
Se o povo não me eleger, vou deixar meu futuro politico nas mãos dele. Se acharem que eu devo disputar algo maior em 2016, eu disputarei pela minha cidade. Estamos brigando com famílias que governam a região desde 1723, então acho que já ganhei a eleição só de ter o voto do eleitor que acredita em mim. O Carlão teve 72 mil votos, mandou todos da cidade embora e me agrediu no CIESP [referindo-se à segunda reunião preparatória sobre o Plano Diretor de Cotia, realizada no escritório regional do CIESP no dia 10/5. Veja mais em https://granjanews.com.br/novo/index.php?q=node%2F7453]. Então eu queria pedir a esses 72 mil que votaram nele que votem em mim. Porque eu representei vocês, ele não. Se os 72 mil eleitores do Carlão votarem em mim, eu estou eleito. Se só 15 mil votarem em mim, eu ainda estou eleito, porque terei mais uns 10 mil de fora da cidade.
GN: Deixe uma mensagem para os leitores.
Welington: Eu lutei contra esse grupo que está aí governando a cidade há mais de 50 anos. Não é fácil. Todo dia meu telefone toca e às vezes recebo ameaças, As pessoas me param na rua e dizem que sou doido. Mas eu queria dizer para as pessoas que estão lendo esta reportagem que existem dois tipos de políticos. Existe o politico que quer ser politico para ficar milionário e ajudar a família, e existe o politico que quer ser reconhecido, que anda a pé na rua, como eu, que não tenho carro, mas tenho um sonho: o de plantar essa semente. Talvez eu não ganhe a eleição mais uma vez, mas se apenas uma pessoa que estiver lendo esta mensagem entender que ela precisa ser um líder, combater os problemas sociais, ser contra a corrupção e brigar na região que ela mora, eu vou ter cumprido a missão da minha vida. Eu gostaria de pedir para as pessoas que estão me lendo agora: no dia 5, temos duas opções: uma delas é votar neles para deixar Cotia e região do jeito que está, com o projeto que está aí.
Eu defendo outro projeto. Romper com a velha politica, por meio de um jovem de origem humilde, mas que tem sonhos, que tem projetos para Cotia e região. A sorte está lançada, quem decide é o povo. Eu preciso de talvez no máximo 25 mil votos para ser eleito. Se o povo me ajudar, eu serei deputado federal. Se o povo achar que o modelo que está aí é bom, aí tem que votar no irmão do prefeito Carlão Camargo, tem que votar na família Camargo, e votar nesse grupo que está aí governando Cotia há mais de 50 anos. Eu não sou a mudança, eu sou parte dela. Porque mudança mesmo é o eleitor que no dia 5 agora vai decidir entre o que está aí e o novo. Eu sou o novo.
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