A nossa região é conhecida por ter lugares incríveis, e que todo mundo merece conhecer. Nós da Granja News fomos ao Pequeno Cotolengo, que é um marco histórico que está para completar 6 décadas na cidade. Para comemorar sua existência, (foi fundada em 11 de fevereiro de 1964), entrevistamos Ivan Duarte, responsável pela área de comunicação da instituição. Em nossa conversa, discutimos sobre a importância de um projeto tão especial e como as pessoas podem ajudar com o futuro e a espalhar a mensagem caridosa de São Luis Orione.
Como você gostaria de comunicar o que é o Pequeno Cotolengo para o mundo?
Eu acho que o Pequeno Cotolengo é uma instituição que faz um trabalho muito bonito há 59 anos aqui na cidade de Cotia. Só me envolvendo nesta instituição que eu consegui entender a dimensão e a complexidade do trabalho aqui realizado.. Acolher pessoas com deficiências múltiplas. Eu penso que muita gente ouve falar do pequeno Cotolengo, mas pouca gente tem a oportunidade de conhecer o trabalho que a gente faz aqui. E aí, quando a gente se depara com a realidade, quando a gente vê o impacto que temos sobre as vidas que moram aqui, vemos que o nosso trabalho faz a diferença, que o que a gente faz aqui tem um propósito. A coisa mais marcante que nós temos é realmente o sorriso. Como os nossos moradores, a maioria deles não tem nenhum vínculo com a família, não tem nenhum contato direto com pessoas que basicamente poderiam ter cultivado algum vínculo, eles acabam se apegando às pessoas que veem aqui na instituição; os funcionários, os voluntários, as visitas. Eles acabam se apegando a essas pessoas, e percebemos que esse carinho faz a diferença na nossa vida. Então eu sinto que o Cotolengo tem uma missão muito bonita de cuidar e transformar a vida dessas pessoas.
O que você mais acha que influencia na vida das pessoas que participam do cotidiano dentro do Cotolengo?
Eu sempre penso que na nossa casa, no nosso dia a dia, na nossa vida normal, onde temos afeto, temos uma família; temos com quem compartilhar as coisas. Nossos moradores não têm essa relação familiar, eles não têm uma ligação afetiva com uma pessoa próxima deles. Então eu penso que quando olhamos para essa realidade, a gente percebe que nos mínimos detalhes eles dão um sorriso. E as coisas que às vezes a gente no dia a dia não percebe, para eles acaba se tornando uma coisa muito grande. Eu vou falar de uma coisa muito simples. Por exemplo, uma festa de aniversário, que a gente faz todo mês. É uma novidade para eles. Todos os meses é um momento de alegria. Então eu acho que essa questão da transformação, de perceber que eles se sentem felizes, que melhora a autoestima, melhora a confiança, que apesar de eles terem vários problemas, ainda encontram motivos para ser feliz através desse tipo de situação. É o que provoca na gente, uma vontade grande de continuar fazendo esse trabalho. Então, eu sempre penso que esse trabalho só acontece porque as pessoas têm e ganham muito amor, muito carinho, porque senão não acontece da forma que acontece.

E para os voluntários, o que vocês mais precisam de ajuda? Como as pessoas podem ajudar o Pequeno Cotolengo?
Na verdade, os voluntários fazem parte da existência do Pequeno Cotolengo. Eles são patrimônio, parte da fundação da instituição. Porque quando o Cotolengo começou, lá em 1964, o Padre Pattarello teve muito ajuda dos voluntários para poder conseguir alimento para o primeiro morador que estava sendo acolhido, para conseguir roupa, para conseguir mantimentos. E os voluntários foram crescendo, crescendo, crescendo… Hoje temos uma procura muito grande de pessoas querendo ser voluntárias no Pequeno Cotolengo. Isso demonstra que alguma coisa está tocando essas pessoas. Então, eu sempre penso que os voluntários podem fazer a inscrição e podem participar de várias formas. Tem oficinas de apoio dos voluntários, fábrica de fraldas, oficina de costuras, oficina de culinária, tem várias atividades muito específicas que os voluntários podem ter contato diretamente com os moradores e terem uma experiência diferente. Então, os eventos, por exemplo, são super tradicionais e super conhecidos. Esses são alguns campos que têm a presença de voluntários, e eu digo sempre que os voluntários gostam bastante e a gente percebe quando conversa com eles. Também acho que é reflexo também dessa procura que nós todos temos. Temos um núcleo de serviço e apoio voluntário, e essa pessoa fica responsável por acompanhar os voluntários, por entender o que eles estão achando da instituição, para entender se eles querem conhecer áreas novas. Então é um trabalho que também tem acompanhamento por nossa parte.Temos um dia de acolhida para quem é novo, para apresentar tudo. A instituição mostra todos os moradores, mostra toda a estrutura e mostra como funciona o trabalho. Incorporamos os voluntários para se tornarem realmente membros da nossa família. Nosso slogan é mais que uma instituição, uma grande família, é a junção de todo mundo, de morador com funcionário, com o voluntário, com os parceiros e com todo mundo que faz acontecer a obra.

Como empresas e outros serviços podem ajudar com doações ao Pequeno Cotolengo?
As empresas podem contribuir com a gente de diversas formas.Temos necessidades aqui na instituição, a maioria delas são de alimentos. Compartilhamos de um grupo de empresas, de parceiros nossos, que fazem doação de alimentos. As empresas também podem se tornar contribuintes mensais através de R$500. Mas também, podem fazer doações avulsas, que não tenham necessidade de chegar a este valor. Elas podem procurar a contato pelo telefone ou então pelo nosso e-mail, que é empresarial. As empresas que se tornam parceiras do Pequeno Cotolengo, também ganham visibilidade no nosso site, entram na nossa vitrine de parceiros, também tem divulgação ampla no nosso material, no nosso informativo semestral. Sempre mostramos tudo o que aconteceu ao longo do semestre, as principais parcerias, os principais resultados. Divulgamos também os nossos relatórios no Portal da Transparência. Então, no site temos tudo publicado, nossos relatórios. Ano passado recebemos um prêmio do Instituto Doar, mostrando o compromisso que nós temos e a transparência na gestão que nós realizamos aqui na instituição. Em 2021, recebemos um outro prêmio também do Instituto ICOM e também do Portal Transparência, mostrando que o nosso resultado e o nosso trabalho está acontecendo de uma forma muito bonita, em que a gestão realmente está acontecendo, comprometida com os valores pregados. Então eu acho que são formas de empresas ajudarem a gente também.
Esse ano o Pequeno Cotolengo completa 59 anos, o que vocês esperam para o futuro?
Criamos uma trajetória, fomos pavimentando um espaço e agora temos um objetivo muito grande de ampliar ainda mais os atendimentos do Cotolengo. Então, esse ano, um dos projetos principais do Pequeno Cotolengo é o ‘Nosso Lar Enfermaria’. Ele tem a capacidade de ampliar os atendimentos, de acolher mais dez moradores da instituição que sejam acamados, que dependem de cuidados especiais, que necessitem de um apoio diferente. Procuramos nesse sentido e que nesse espaço eles melhorem e avancem. Estão conseguindo recuperar de novo alguma coisa que talvez não tenha sido bem cuidado lá atrás.

Como é a relação dos moradores da instituição e como a vida deles se juntam com a cultura?
Estamos em um espaço onde quebramos alguns paradigmas que são importantes, e eu sempre penso que todos os voluntários que vêm aqui e todo mundo que passa por aqui, na verdade, não só os voluntários, mas todo mundo que passa por aqui, eles conseguem passar e transmitir alguma mensagem para os moradores. Então eu sempre penso que a alegria de um morador é reflexo, de repente, da alegria de um voluntário. Às vezes, um voluntário vem aqui com uma habilidade, com um talento diferente, e aí ele acaba se entrosando com o morador. E o morador tem vontade de aprender e às vezes até se empenha para aprender e consegue superar os limites. Então eu penso que essa atribuição diferencia as pessoas, a quantidade de gente que vem aqui, a diversidade de culturas, elas agregam muito na vida individual de cada morador.
O que as pessoas podem esperar e como elas podem ajudar com a Festa da Amizade deste ano?
Depois de dois anos da festa acontecendo no formato drive thru, agora temos o prazer de fazer a festa de novo presencial. Ano passado foi uma festa que trouxe bastante gente. Foi uma festa muito legal. O tema foi muito importante, o sorriso. Isso pensando nos dois anos que teve que ficar com máscaras, né? Então colocamos o tema ‘A vida é muito mais feliz sorrindo’. Ainda estamos definindo o tema deste ano, mas nós pretendemos inaugurar um novo espaço, o nosso novo salão de eventos.Queremos nos moldes que a gente gosta! Com música ao vivo, com as barracas típicas. Ano passado teve bastante a participação de influenciadores digitais divulgando nossa festa, a Larissa Manoela, Castanhari e a Narcisa, por exemplo. Então teve muita gente participando do processo de divulgação. Então, esse ano eu acho que a festa tende a superar os resultados do ano passado.

A juventude atualmente está bem mais animada em ajudar, mais proativa; como vocês incentivam a ajuda deles para vocês?
Temos um projeto novo que é bastante interessante e eu não esperava que fosse ter o resultado que teve. Mas é um trabalho que a gente mobilizou diversos colégios aqui da região para participar, por exemplo, da Festa da Amizade mesmo. Não no dia da Festa da Amizade, mas na preparação, na decoração da festa, da amizade. O que eu percebi? Eu percebi que primeiro: os jovens vieram aqui na instituição, eles ficaram muito animados, eles ficaram muito felizes. Bateu a curiosidade de entender um pouquinho porque aquele morador é daquela forma, porque ele chegou aqui.. no final de tudo o que eles fizeram, onde toda a parte de decoração, eles mandaram um depoimento para nós dizendo que a experiência tinha sido fabulosa. Então eu achei que eles se interessaram pela causa, se interessaram pelo projeto. Até hoje, por exemplo, eles fazem visitas na instituição, fazem doações para nós. Então eu acho que essa questão de estimular desde cedo, isso reflete de uma forma muito positiva no que a gente vai construir como sociedade no futuro. Eu penso sempre que a juventude, o jovem escolar, tem um papel muito importante nesse processo.
E como funciona o bazar de vocês, e as doações?
Nós recebemos doação todos os dias. Aberto de domingo a domingo. E geralmente uma das formas que as pessoas têm de ajudar o Pequeno Cotolengo é através do nosso bazar beneficente, as pessoas geralmente podem doar para gente o roupas usadas, os tecidos de casa, eletrodoméstico, tudo aquilo que geralmente não serve mais para as pessoas e elas procuram alguma forma de desfazer. Recebemos essas doações, vemos o que pode ser usado pela instituição, que pode ser aproveitado no dia a dia das atividades da instituição dos moradores, e o que não é aproveitado diretamente com os moradores, nós convertemos em produtos comercializados no nosso bazar. E o nosso bazar funciona de segunda a sexta feira. E o bazar é um bazar super conhecido, elogiado bastante pela qualidade, pelo preço, pela forma como a gente organiza. Aqui fazemos grandes bazares também ao longo do ano, com produtos novos, seminovos. Então são formas que a gente encontra de captar recursos.
E você quer deixar uma mensagem e um convite final para todos os leitores da Granja News?
Agora em abril, no dia 16 de abril, vai acontecer nosso primeiro evento do ano, que é a Costela Fogo de Chão, evento também super tradicional. Estamos com uma expectativa também muito positiva, porque a costela esse ano vai voltar a acontecer depois de um período que não pode acontecer de sua forma convencional. Vai ter a costela, vai ter comidas variadas, vai ter música ao vivo, vai ter espaço kids. Então é um espaço bem legal. É um momento onde as pessoas podem vir na instituição, podem conhecer o trabalho, podem ajudar, podem almoçar gostoso, o preço é acessível também.
Completando 59 anos, o que temos de principal é gratidão. Eu acho que a gratidão é a primeira palavra que vem na cabeça. Porque quando eu olho pro Pequeno Cotolengo e percebo que eu estou fazendo parte de dois anos da história dele, eu já consegui perceber o tamanho e a dimensão do impacto que essa obra tem na vida das pessoas que moram aqui. Então eu sempre penso que o Cotolengo tem muito que crescer ainda. Eu acho que o nosso impacto, ele tende a se tornar ainda maior. E acho que o que a gente puder fazer para poder melhorar os nossos atendimentos, melhorar a capacidade da instituição e o que a gente vai fazer esse ano, a gente pretende ampliar muito os atendimentos.. Continuar transformando muitas vidas, porque acho que é o que faz sentido, é o que dá direção no nosso trabalho. Então é um convite para que as pessoas possam conhecer o Cotolengo, possam vir visitar, possam vir ajudar, possam ser doadores. Porque eu tenho certeza que todo mundo vai se encantar com o projeto, com a obra e com os moradores, principalmente.

“Fazer o bem sempre, o bem a todos, o mal nunca a ninguém”
São Luis Orione
Por: Eduardo Kuntz Fazolin
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