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Deputados estaduais lançam Frente em Defesa da Raposo Tavares

Por Victor de Andrade Lopes

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sediou na noite da última quarta-feira (24/6) o evento de lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Raposo Tavares, que tem o deputado estadual Marcio Camargo (PSC), de Cotia, como presidente e idealizador.

Ele já é vice-presidente de outra frente com foco na rodovia: a Frente Parlamentar em Defesa da Duplicação da Raposo Tavares. A diferença entre as duas é que o grupo encabeçado por ele diz respeito ao trecho inicial da rodovia, de São Paulo a Vargem Grande Paulista, enquanto que a outra frente volta suas atenções a um trecho a mais de 300 km da região, bem no interior paulista. A frente foi criada oficialmente por meio do ato do presidente nº 79, de 9 de abril de 2015  (veja mais aqui).

O evento, transmitido ao vivo pela TV ALESP (por onde nossa reportagem o acompanhou) intercalou discursos dos parlamentares com apresentações de especialistas e representantes de entidades com interesse na melhoria da estrada. Compondo a mesa principal de debates do evento, estavam, além de Marcio, os também deputados Igor Soares (PTN), Ricardo Madalena (PR), Marcos Neves (PV), Coronel Telhada (PSDB), Fernando Capez (idem), Adilson Rossi (PSB), Davi Zaia (PPS) e Gilmaci Santos (PRB). A eles se juntaram os prefeitos de Vargem Grande Paulista e Cotia (respectivamente, Roberto Rocha (PSB) e Carlão Camargo (PSDB), irmão de Marcio).

Também estiveram presentes vereadores de Cotia (Beto Rodovalho (PROS), Rogério Franco (PMDB), Fernando Jão (PSDB) e Tim (PMN)), além dos secretários Silvio Leme, de trânsito e transportes; Enrique Pires de Albuquerque e Romildo Borges, da segurança pública; e Onofre Ferreira, da habitação; e o vereador licenciado Marcos Nena. Vereadores de Santana do Paranaíba, São Roque e Mairinque, além do presidente do grupo CCR ViaOeste, Eduardo Camargo, também estiveram na ocasião. Como o evento ocorria simultaneamente a uma sessão da assembleia para votar o projeto de lei 625 de 2015 (veja mais aqui), alguns dos participantes tiveram de sair do local cedo. Muitos convidados sequer puderam vir.

Comentando sua iniciativa, Marcio disse que de fato é vice-presidente de outra frente da rodovia, mas que cada uma trata de peculiaridades de cara região. Além disso, falou da importância que a rodovia tem para ele, contando que nasceu e cresceu no km 40 e já perdeu amigos na Raposo. O deputado Coronel Telhada disse que apoiou a ideia “de imediato”. “Tenho uma propriedade em Mairinque e sei da dificuldade. Nossa missão como deputados é melhorar em todos os sentidos a Raposo”. O tucano então deixou o local para voltar à sessão de votação do projeto de lei citado no parágrafo acima.

O próximo a falar foi Davi Zaia. Segundo ele, “a questão da rodovia é fundamental. Cada vez mais temos carros, as pessoas moram num município mas trabalham, estudam e namoram em outro, então precisam estar sempre indo de um lado para o outro. Melhorar a rodovia e a infraestrutura significa melhores oportunidades de investimento para a região.”

Marcos Neves, deputado eleito com base eleitoral em Carapicuíba, disse acreditar na força da frente para conseguir o “objetivo final” que é “convencer o governador”. Ele também integra a comissão de Transportes e Comunicações e a de Infraestrutura. Igor Soares mencionou a presença de Eduardo Camargo e elogiou o trabalho da CCR na Castelo Branco: “A gente viu o progresso que teve em Barueri com a duplicação da rodovia. Sabemos que podemos contar com o grupo CCR nesta luta.” Marcio então convidou o deputado Adilson Rossi para orar, e ele assim o fez após proferir palavras de apoio à frente.

Ricardo Madalena, vice-coordenador, criticou a acomodação do governo estadual com relação ao problema. “Em janeiro de 2014, quando o Saulo [de Castro Abreu Filho] era secretário de Logística e Transportes, ouvi dele que seriam investidos R$ 400 milhões na rodovia no trecho entre Itapetininga e Ourinhos. Estamos já no meio de 2015, e nada!” Ele também se mostrou impressionado com o volume de tráfego a que a rodovia é submetida: “A Raposo tem 185 mil veículos por dia, é um absurdo, não tem rodovia que sustente isso!”

Gilmaci Santos ponderou que a frente por si só não é suficiente para melhorar a rodovia, mas que ela marca o primeiro passo. O prefeito Roberto, de Vargem Grande Paulista, quer que a frente contemple também o trecho que lhe diz respeito, e cobrou participação da sociedade civil. Ele elogiou o projeto que a CCR tem para a rodovia (veja detalhes em matéria divulgada em primeira mão aqui), considerando-o “a única proposta coerente”.

O prefeito Carlão também proferiu algumas palavras. Disse ter levado 1h30 para chegar ao local da reunião. “Uma vez ouvi a reclamação de uma moça do Jardim Japão, dizendo que perde duas horas para ir ao trabalho e quase duas pra voltar. São praticamente quatro horas perdidas por dia. Para nós, que estamos no carro com ar condicionado é mais confortável, mas imagine quem está no ônibus.”

Em seguida, a arquiteta da prefeitura de Cotia, Luciene Alegre, realizou uma rápida palestra sobre a rodovia e seu papel na cidade. Segundo ela, a Secretaria de Habitação, na pessoa do secretario Onofre, está tentando encontrar alternativas viárias para a cidade no novo plano diretor (veja alguns detalhes do plano em matéria exclusiva na nossa edição de junho). Explicou ainda que a rodovia apresenta cada vez mais trânsito devido à chegada de novos moradores: “São Paulo tem emprego e os melhores salários. Dentro da Região Metropolitana, tem uma atratividade muito grande. Mas as pessoas querem qualidade de vida, aí elas saem e vão para Cotia, Vargem Grande Paulista, Mairinque, Vinhedo”, disse a arquiteta.

Com mapas, ela explicou que o território de Cotia não é cortado ao meio pela Raposo, mas a área mais urbanizada sim. Mostrou também que o trecho cotiano da rodovia passa por um relevo acidentado, dificultando a implantação de uma malha viária quadriculada. Usou ainda as grandes áreas verdes como justificativa para a dificuldade em se alterar as vias. Contudo, ela apontou algumas potencialidades. “Temos as maiores nascentes da região. Temos uma cidade que ainda não foi verticalizada e temos grandes áreas fora da proteção de mananciais”, disse.

Ela comentou o projeto Caminhos Alternativos de Cotia, sob responsabilidade da prefeitura, que tem como objetivo conectar os bairros com novas vias secundárias, desafogando a Raposo e diminuindo a necessidade de se utilizar a rodovia para transitar apenas de um bairro para o outro.

Após Luciene, falou o coordenador técnico do SAMU e dos bombeiros José Roberto, que atua na base do SAMU no km 32 da Raposo: “Temos dificuldade para nos locomovermos da nossa base, no km 32 sentido São Paulo, até o km 21, o limite da nossa cobertura (que vai de lá até o km 39). O tempo de resposta é muito ruim, não importa o horário”, disse o enfermeiro. “Atendemos em média nove ocorrências por mês: capotamento, colisão, atropelamento, ocorrências clinicas também”, complementou. Ele parabenizou a iniciativa dos parlamentares e disse torcer para que dê certo, “para que possamos atender essas vitimas e para todos sairmos ganhando”.

O Tenente Pinese dos bombeiros é outro profissional de emergência que encontra dificuldades em realizar atendimentos: “A rodovia não tem acostamento. Além disso, temos de atender a muitas ocorrências para as quais chegamos usando a Raposo”, disse.

Para representar a sociedade civil, Adilson Gomes da Mota, morador de um bairro no trecho paulistano da rodovia, subiu ao palanque. “Moro na região há 40 anos. Circulo pela Raposo Tavares quase todos os dias, incluindo fins de semana. Meu sonho é morar em Cotia, mas ainda não fui em função da dificuldade que é a Raposo Tavares. Trabalho na Avenida Paulista e gasto de 30 a 35 minutos só para ir da minha casa à Ponte Eusébio Matoso”, reclamou.

Para falar em nome dos motoboys, Antônio, que trabalha no ramo, disse que os motoboys são os mais atingidos na Raposo e culpa o trânsito por isso. “Todo mundo quer sair do congestionamento, então acabam batendo nos motoqueiros ou até em outro carro”. Também falou um representante dos caminhoneiros, Bernabé “Gastão” Antônio, presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas Líquidas e Corrosivas do Estado de São Paulo (Sinditanque). “Hoje é só a apresentação. Tenho certeza de que temos muitas propostas, e queria ter algo com que os caminhoneiros possam pelo menos contribuir”, disse.

Representando a Associação dos Arquitetos Engenheiros e Técnicos de Cotia (AETEC), o engenheiro Silvio Furquim foi o primeiro, após horas de explanações, a falar abertamente sobre transporte público. “Não dá para a gente pensar em carro, moto e caminhão. Temos que pensar em transporte público. E temos também que pensar em cada cidade separadamente”, disse.

Fábio Paulo Ferreira, diretor do distrital oeste do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), disse que os empresários precisam de “um escoamento fácil, rápido e seguro” de suas mercadorias. Ele também lembrou dos custos extras que os congestionamentos geram: “Assim como nós saímos sempre mais cedo para chegar aos lugares, o caminhoneiro também sai, só que ele vai cobrar pelo tempo a mais, e isso acaba repassado ao consumidor”, afirmou.

O publicitário João Lino, idealizador do 2º Fórum Melhor Mobilidade na Raposo, afirmou estar lutando pela melhoria da Raposo há 10 anos. Citou os dois fóruns realizados por ele e reclamou do silêncio do governo estadual, para quem enviou formalmente relatórios e cartas produzidos a partir dos encontros. Ele citou 15 pontos que considera “urgentes” para uma Raposo melhor, entre eles a retirada do semáforo do km 10; a construção de um viaduto para a Avenida José Giorgi; a transformação da Avenida Escola Politécnica em via expressa até Osasco e a criação de uma extensão ligando o seu começo na Raposo ao bairro do Morumbi; e a redução da velocidade máxima para 80 km/h, para diminuir o número de acidentes.

Por fim, falou Gerson, do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER), que administra o trecho inicial da Raposo. Segundo ele, são retirados 1,5 mil carros por mês da rodovia; são veículos que acabam causando congestionamentos. “É um trabalho que não aparece, mas é de grande valia”, comentou. Ele também citou projetos de iluminação pública e instalação de radares, que teriam levado à redução do número de vítimas fatais na via. “Estamos num investimento de R$ 80 milhões para reformar a pista do km 9 ao km 34”, disse.

A frente pretende realizar audiências públicas sobre a Raposo Tavares nos municípios envolvidos e na própria assembleia. A primeira será em Mairinque e as datas serão divulgadas futuramente.

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