Texto e fotos por Victor de Andrade Lopes
Ocorreu na noite de ontem, na Câmara Municipal de Cotia, a primeira reunião pública sobre a revisão do Plano Diretor de Cotia. Convocada pelo Instituto Vis Viva de Fomento Sócio Ambiental, o site Cotiatododia, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região (Sindmetal) e a Associação Ecoexistir, a reunião contou com a participação de membros de outras entidades, jornalistas e cidadãos de Cotia e cidades no entorno.
Compuseram a mesa o ex-vereador Giba Marcelino (PT), do Instituto Vis Viva, que mediou os debates; os arquitetos Ricardo Cunha e José Roberto Baraúna (este último presidente da AETEC); o diretor da região de Cotia do Sindmetal, Alex da Força; os vereadores Luis Gustavo Napolitano (PSDB) e Marcos Nena (PPS), este último Presidente da Câmara; Wlad Farias (diretor-presidente da Ecoexistir e vice-presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Comdar)), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Cotia, Tuca Miramontes; e a 1ª coordenadora do Movimento em Defesa da Granja Viana (MDGV), Delia Costa.
Devido ao trânsito, alguns participantes não puderam chegar a tempo, então decidiu-se atrasar um pouco a reunião, marcada para às 19h. Ela foi aberta por Giba, que saudou os presentes e ressaltou a importância da participação popular no processo de revisão do plano. O próximo a falar foi Wlad Farias, que falou da necessidade de nos desenvolvermos sem perder o foco na qualidade de vida e chamou a atenção para o envelhecimento da nossa população. “Nós estamos ficando cada vez mais velhos no mesmo ritmo em que os recursos se escasseiam, e poucos falam disso”, disse ele.
Em seguida, o arquiteto Ricardo Cunha apresentou duas palestras gravadas em vídeo, ocorridas originalmente em 2003, durante o 1º Seminário Temático Plano Diretor da associação: uma de Nabil Bonduki, arquiteto e vereador de São Paulo (PT); e outra de Cândido Malta Campos Filho, urbanista, arquiteto e professor emérito da USP. Ambos são nomes muito respeitados na arquitetura e urbanismo brasileiros e fizeram longas explanações sobre a função social de um plano diretor, algo já abordado na última edição do GranjaNews.
Em seguida, Marcos Nena assumiu a tribuna e falou da importância da participação maciça da população no processo de revisão do plano diretor. Logo depois, teve de se ausentar, pois ainda tinha dois compromissos naquela noite. Tuca Miramontes foi o próximo a falar. “Quando ando pelas ruas da cidade, vejo buracos, lixo espalhado… isso tem tudo a ver com o plano diretor. A OAB cobrará das autoridades uma direção decente da revisão do documento”, disse ele, que também teve de se ausentar devido a um compromisso de família.
O último a falar na tribuna foi Luis Gustavo, àquela altura o único vereador presente. Ele mostrou alguns slides de uma apresentação da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), nos quais é possível conferir alguns dados sobre a expansão urbana da Grande São Paulo e do eixo Raposo Tavares. “Eu participei das discussões do plano diretor de 2007, e as preocupações são as mesmas que as de agora”, disse ele.
Alex da Força finalizou os debates convocando a plateia a fazer perguntas. Os que quisessem se manifestar deveriam se inscrever e teriam dois minutos para falar, apesar de a maioria ter usado mais tempo que o estipulado. Alguns moradores questionaram a quantidade de empreendimentos que são aprovados a despeito da incapacidade das ruas ao redor de absorver o tráfego resultante. Outros cobraram mais acessibilidade na cidade, que hoje tem mais de 20 mil portadores de necessidades especiais.
Por fim, Giba leu um manifesto, assinado por várias das entidades presentes, no qual são cobradas moratória de três anos para novos empreendimentos, liberação dos mesmos somente mediante análise da infraestrutura presente no entorno, adequação de calçadas e sarjetas, entrou outras questões. O documento rejeita também qualquer possibilidade de verticalização, um das possíveis consequências da revisão do Plano Diretor e talvez a que mais tem causado apreensão entre os granjeiros.
O plano diretor ainda será tema de mais reuniões do tipo ao longo do ano. A revisão do documento está marcada para o dia 2 de junho, mas o prazo ainda é passível de adiamentos – afinal, o atual plano só expira em 2017.




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