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Fórum da Raposo teve novidades sobre o metrô em Cotia e o sistema viário da cidade

Por Victor de Andrade Lopes

Aconteceu na última terça-feira (26/8) o 2º Fórum Melhor Mobilidade na Raposo, evento de um dia inteiro que contou com diversas palestras para discutir os problemas da rodovia que corta Cotia e liga a capital paulista ao Mato Grosso do Sul. É a segunda edição de um evento organizado pela primeira vez em 2007. Idealizado pela Ace Mais Propaganda, a Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Técnicos de Cotia (AETEC) e o vereador Luis Gustavo Napolitano, o fórum contou com diversas palestras e debates ao longo das oito horas de evento.

A abertura foi feita pelo deputado federal e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB). Para ele, Cotia sofreu grandes mudanças nos últimos 100 anos. Antes de finalizar sua fala, Bruno confirmou o que já havia sido adiantado pela nossa edição nº 57, de agosto de 2014, e deu a tal “notícia concreta” sobre o metrô de Cotia. Ei-la: em 2013, foi contratada uma empresa para fazer um estudo de um ramal do metrô em Cotia, e o projeto funcional deve estar pronto em janeiro de 2015. O ramal ligaria Cotia à Avenida Rebouças, na Zona Oeste da capital paulista, contendo mais de 20 estações.

O primeiro palestrante foi Marcio H. Nigro, fundador do Caronetas, sistema criado para facilitar e estimular o uso de caronas corporativas, quando funcionários de uma mesma empresa e que moram próximos passam a ir e voltar juntos do trabalho no mesmo carro. “Queremos mudar este cenário”, disse Marcio enquanto exibia uma imagem da Radial Leste totalmente congestionada. Em seguida, apresentou um dado curioso: o Brasil tem aproximadamente 0,249 carro por habitante, o que nos coloca na 61ª posição do ranking de países por número de carros por habitante. “Podemos ver que o problema não é a posse de carros, mas o uso que se faz deles”, disse.

O próximo a falar foi o vereador Luis Gustavo, um dos organizadores. Ele apresentou um diagnóstico da Raposo Tavares. Um dos slides mostrava o custo do trânsito para a cidade de São Paulo: em 2012, somando o dinheiro que a cidade perdeu para os congestionamentos e o dinheiro que ela deixou de ganhar por causa deles, os engarrafamentos custaram mais de R$ 40,1 bilhões. Além disso, falou dos problemas de saúde decorrentes do tráfego pesado (stress, ansiedade, complicações respiratórias e cardíacas, etc.) “Acho que são várias as soluções possíveis para a Raposo Tavares e devemos ficar abertos às possibilidades que surgirem. Uma vez sugeriram uma operação semelhante à Operação Descida do sistema Anchieta-Imigrantes e achei interessante”, disse o vereador, referindo-se a um cenário em que uma das três faixas de cada lado da Raposo teria seu sentido invertido para absorver melhor o tráfego, deixando o contrafluxo com apenas duas.

A próxima palestrante foi a arquiteta Paula Dias Lima, que falou de Mobilidade Acessível em Vias Públicas. A profissional mostrou fotos e projetos de calçadas ideais, nas quais haveria uma faixa para postes, telefones públicos, placas, etc., e outra para a circulação das pessoas, garantindo inclusive a fácil passagem de cadeirantes e idosos com andadores. É o caso das calçadas da Avenida Paulista e da Rua Oscar Freire, por exemplo, mas algo que está muito distante da realidade de Cotia, conforme ela mesma mostrou em fotos.

A arquiteta também ajudou a quebrar mitos. Segundo ela, o termo “portador de necessidades especiais” é inadequado. “Ninguém ‘porta’ uma deficiência, a pessoa simplesmente a tem. Além disso, todos nós de alguma forma temos alguma ‘necessidade especial’”, disse.

Em seguida, falou o Capitão da Polícia Militar Rodoviária Maurício Guerra. Sua explanação trouxe dados sobre acidentes, ocorrências e operações da corporação na rodovia. Até o mês de julho deste ano, foram registrados 451 acidentes com vítimas, 687 sem vítimas e dez mortes. A tendência até o final do ano é que os números aumentem para 774, 1177 e 17, respectivamente. Se este quadro se confirmar, os dados referentes ao número de acidentes apresentarão queda com relação ao mesmo período de 2012, enquanto que o número de mortes deve se manter igual. Quanto aos tipos de veículos envolvidos em acidentes, ao contrário do que muitos pensam, não são as motos que levam a pior. Até julho deste ano, foram 356 motos em acidentes contra 1646 carros.

Quando o assunto é multa, os carros tomam a dianteira com folga. No mesmo período que os dados listados acima, os carros foram autuados mais de 10,6 mil vezes, enquanto que as motos levaram pouco menos de 2 mil multas. Parte destas multas é fruto das 62 operações que a corporação realizou até o mês de julho, de um total de 104 previstas (considerando a tendência para o ano; em 2013, foram 94 operações). Um último dado interessante: até julho, houve 116 ocorrências policiais na rodovia, entre atos infracionais, embriaguez ao volante e agressões, segundo informações da SICOPRV. A tendência prevista para o ano todo é de 176 ocorrências, o que configuraria um aumento de 12,8% em relação ao ano passado.

Além dos dados, o capitão comentou sobre a fiscalização da rodovia. “É importante apreender veículos sem licenciamento, porque o motorista que não paga IPVA geralmente também deixa de pagar a manutenção do carro, aumentando a tendência de causar ou se envolver em acidentes”, disse Maurício. Ele também afirmou que os novos radares instalados recentemente na Raposo (veja detalhes aqui) são inteligentes e capturam não apenas desrespeito aos limites de velocidade, como também irregularidades no licenciamento e se o veículo é produto de roubo.

Em seguida, o presidente da AETEC, Jose Roberto Barauna, abriu a etapa de debates e apresentações promovida pela entidade. O primeiro a falar dentro desta etapa foi o secretário de trânsito e transportes de Cotia, Silvio Leme, que apresentou detalhes do projeto do BRT (Bus Rapid Transit) ligando Cotia a Itapevi pela Estrada da Roselândia. A parada final em Itapevi seria integrada ao Terminal Engenheiro Cardoso. Para comportar o BRT, a estrada teria de passar por algumas mudanças, como aumento do número de faixas. Questionado sobre a possibilidade de se colocar um bicicletário e um estacionamento no local, Silvio confirmou a instalação do primeiro, mas negou a do último.

Para se adaptar à agenda de alguns dos palestrantes, a etapa de apresentações e debates da AETEC teve de ser interrompida para a palestra Alternativas Transporte Urbano Corredor Raposo Tavares: BRT, VLT, Monotrilho, Metrô, Trem de Peter Alouche, representante do Metrô de São Paulo. Para ele, é de suma importância não só selecionar a melhor tecnologia para mobilidade, mas saber implementá-la adequadamente. Ainda segundo especialista, um VLT, por exemplo, é caro, mas valoriza a cidade. Na contramão do que muitos acreditam, Peter considera a alta ocupação dos metrôs um aspecto positivo. “Quanto mais cheio estiver o metrô, melhor, quer dizer que o dinheiro foi bem investido”, disse.

A palestra seguinte teve o tema “Cotia, Alternativas de Circulação na Integração Metropolitana, consequência da Ocupação e Uso do Solo”, com o consultor e engenheiro Luiz Bottura. Citando o logo da primeira edição do fórum, que consistia em uma árvore com metade dos galhos secando, Luiz criticou a dependência que Cotia tem da Raposo. “Em 2007, os galhos estavam secando, em 2014, secou mais ainda! Isso é responsabilidade do governo estadual e da prefeitura, que precisa de um plano diretor que englobe tudo. Vocês não fizeram nada!”, criticou o especialista. “O Plano Diretor deve ser uma carta básica do município, nenhum candidato deveria fazer campanha com promessas que extrapolem o texto”, disse (sob tímidos aplausos) Luiz, que acredita ainda que a prioridade do próximo Plano Diretor, que está em fase de revisão, é “parar de piorar” Cotia para então buscar melhorias.

Para ele, um dos problemas dos moradores é que eles vem morar em Cotia, mas “esquecem” os empregos em São Paulo, o que os força a se deslocar diariamente pela Raposo –que ele prefere chamar de “rodourbana”, em vez de rodovia. Em outro momento de sua explanação, disse ainda que considera o pedágio lucrativo, e não prejudicial ao motorista.

Finalizada a fala de Luiz Bottura, a AETEC retomou suas atividades com uma palestra dos membros Marta Nader, Ricardo Cunha, Lilia Fornitano e Cassiano Diegues. Eles apresentaram propostas de intervenções em Cotia que possam oferecer vias alternativas à Raposo. A ideia inicial seria uma possível nova estrada que ligaria a Avenida Doutor Altair Martins, na divisa com Osasco, ao Tijuco Preto. Contudo, empreendimentos imobiliários e entraves ambientais inviabilizariam a proposta. Dentre outras possibilidades mais realistas, os profissionais sugeriram uma ligação da Avenida José Giorgi à Estrada Fernando Nobre. Os quatro especialistas são membros do grupo de trabalho da AETEC que se reúne toda última quarta-feira do mês na sede da entidade, no centro de Cotia, para discutir estas propostas.

A convite da AETEC, o diretor adjunto de ensino e formação do CAU/SP (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo), Mario Yoshinaga, compareceu ao fórum, em substituição ao presidente da entidade Afonso Celso Bueno Monteiro, que não pôde estar presente. Para ele, uma cidade não deveria ter uma via que vai mudando aos poucos como é o caso da Raposo, que começou como uma estrada rústica e virou uma área densamente urbanizada.

As duas palestras seguintes, do arquiteto português Manuel Teixeira da Cinclus Engineering Consultancy e do executivo Eduardo Camargo da CCR Via Oeste, já haviam sido concedidas anteriormente na sede da AETEC em evento coberto com exclusividade pelo Granja News. O relato da experiência dos lusitanos com o VLT de Porto e a proposta da CCR para o trecho da Raposo hoje administrado pelo DER já haviam sido divulgados em primeira mão pela nossa reportagem anteriormente e os detalhes podem ser conferidos aqui.

Encerrando o fórum, houve um debate entre alguns dos convidados e organizadores, entre eles o vereador Luis Gustavo, o secretário Silvio Leme, Eduardo Camargo, Jose Roberto Barauna, Luiz Bottura e Manuel Teixeira. Dentre outros assuntos, os convidados conversaram sobre possíveis obras viárias na Granja.

Questionado sobre o andamento dos estudos sobre as mudanças de mão da Avenida São Camilo e da Rua José Félix de Oliveira (de acordo com esta proposta, a São Camilo teria sentido único em direção à Raposo a partir do cruzamento com a José Félix; já esta rua passaria a ser sentido Carapicuíba desde a rodovia até o mesmo cruzamento), Silvio respondeu que o assunto está em discussão e que há algumas obras a serem feitas para adequar as vias para esta possível nova realidade. Outra intervenção que também está em estudos é a construção de uma passagem em nível conectando a Avenida Denne, no Parque São George, ao bairro Jardim da Glória, do outro lado da Raposo, o que desafogaria o trânsito naquele trecho. Silvio também confirmou que está em negociação final uma intervenção no complicado viaduto do km 22, com a criação de uma quarta faixa no sentido São Paulo, entre o Walmart e a alça do retorno.

Apesar de não ter lotado o Centro Cultural Wurth conforme desejado, o fórum gerou muitos comentários nas redes sociais e expôs alguns dos caminhos possíveis para a rodovia. A próxima etapa é montar e colocar em funcionamento o comitê de cobrança permanente que o idealizador João Lino mencionou em entrevista à nossa reportagem na nossa edição mais recente (nº 57 de agosto deste ano).

Sobre Granja News

O Granja News, jornal voltado ao público da Granja Viana e região, tem circulação em todo o centro comercial da Granja, parte de Cotia e em 90 condomínios da região, como por exemplo, São Paulo II, Nova Higienópolis, Fazendinha.

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