Por Victor de Andrade Lopes
O granjeiro do mês de março mora na região desde 1997 e acompanha de perto as transformações que a Granja Viana sofreu neste período. O reconhecimento que obteve em seu campo de atuação e as ações que desenvolveu por aqui o tornaram uma das personalidades mais conhecidas do bairro. Estamos falando de José Roberto Baraúna, 55, arquiteto e urbanista que mantém um atelier de arquitetura no chamado miolo da Granja e comanda obras em Cotia, Carapicuíba, São Paulo e Alphaville. É também presidente da Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Técnicos de Cotia (AETEC), presidente do movimento Granja Viva e membro do Rotary empresarial. Confira abaixo um pouco da história, da carreira e das opiniões deste granjeiro especial, que nos concedeu uma entrevista em seu atelier!
“Eu vim para a Granja pela primeira vez para fazer um serviço para um irmão. Ele queria montar uma empresa no Parque S. George, e eu o ajudei a escolher um local. Passou-se um tempo, e meu irmão acabou não comprando o terreno – mas eu o fiz e construí uma casa aqui. Na época, eu e minha mulher trabalhávamos em São Paulo – ela como psicopedagoga, e eu no Jabaquara. Nossas vidas estavam lá, mas acabamos mudando tudo para cá. Hoje, ela toca a parte de psicologia do atelier, pois há vários profissionais de saúde para crianças aqui.
Sempre participei de atividades por aqui. Pelo Granja Viva, auxiliamos o Zeca Pamplona naquela campanha de transferência de títulos de eleitores para Cotia (Voto Onde Moro). Tentamos montar um Rotary em Carapicuíba, numa pizzaria na entrada da Fazendinha. Não rendeu muito, mas queremos voltar para lá, pois a parte carapicuibana da Granja não está articulada e não tem um representante na câmara. Para mim, isso acontece porque o pessoal da Granja de Carapicuíba participa menos da cidade do que o pessoal de Cotia – e aqui já é pouco.
Eu estive na reunião pública na Câmara de Cotia com a AETEC para discutir o plano diretor, mas só fui convidado para ela 15 dias antes. Algumas pessoas criticaram a nossa apresentação, mas nós não tivemos tempo hábil de preparar algo melhor. Como já tínhamos usado aquele material em um fórum, resolvemos reaproveitar um pouco dele. Depois da reunião, a prefeitura enviou um ofício para a AETEC pedindo a indicação de quatro membros e quatro suplentes para participar de uma comissão preparatória para discutir o plano. Só que já estamos a dois meses do fim do prazo, e ainda não nos chamaram para nenhuma reunião.
Quanto às propostas dos opositores do plano diretor, creio que algumas são muito radicais. Esse negócio de congelar as obras e construções na Granja pelos próximos anos… Como você vai parar tudo? E os profissionais que trabalham com isso? Lojas de material de construção… Como ficam eles? Propuseram também uma faixa de amortecimento de 10 km em torno da Reserva do Morro Grande… Acho isso muito radical. No entanto, apoio a ideia de tombar algumas coisas por aqui. Poderíamos até tombar a nossa qualidade de vida, embora seja um processo longo.
Cotia não vai fazer um plano diretor chamando profissionais adequados, como deve ser. Ela vai chamar os profissionais que ela já tem, então, não acho que vai sair coisa boa. O que poderia ser feito é articular a criação de um projeto de plano diretor regional da Granja Viana, apresenta-lo na câmara e ver o que acontece. Mas é preciso angariar fundos para financiar levantamentos de dados mais atuais, pois alguns dos dados que temos são muito defasados. E aqui na Granja temos muito profissionais: só arquitetos, temos 360. Além disso, é preciso articular algum apoio da parte dos vereadores. A Granja só vai melhorar quando começarmos a desenvolver uma consciência política. Hoje, temos um representante da Granja na câmara, que é o Luis Gustavo, mas um só não faz verão. O que eles estão querendo é aprovar a verticalização de Cotia, eles não estão pensando em reelaborar o plano, simplesmente. Já devem ter até locais certos para levantar edifícios.
Um mal dos granjeiros, para mim, é o fato de que muitos vêm morar aqui, mas ainda fazem tudo em São Paulo: banco, compras, academia, etc. Agora, já estamos ganhando uma infraestrutura maior, e, com isso, creio que o movimento aqui vai aumentar e os granjeiros vão parar de ir pra capital. O problema, é que empreendimentos estão sendo aprovados sem que obras de compensação sejam exigidas.
Falando um pouco de minha carreira, meu primeiro emprego foi como arquivista do Diário de São Paulo. Quando comecei a fazer faculdade, eu fui transferido para a sucursal de Santos, mas lá não havia o serviço de arquivo. Eu comecei na parte de distribuição do jornal, e depois comecei a ajudar na parte de fotografia. Aprendi a fotografar e revelar. Fazia isso e depois enviava para São Paulo. Ainda em Santos, fui carnavalesco da X-9 (não confundir com a escola paulistana), escola que conquistou o pentacampeonato quando ocupei o cargo. Ainda bem que conseguimos, porque a pressão é gigantesca, e o trabalho é exaustivo. Quando terminou, senti um grande peso saindo da minha cabeça.
Quando me formei, vim para São Paulo, montei uma empresa, trabalhei dois anos no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephat), da Secretaria Estadual de Cultura. Vim para cá, e aqui estou até hoje.
Acho que aqui vai crescer muito ainda, mas precisamos fazê-lo sem perder as estribeiras. O crescimento do mercado imobiliário é uma cosia que você não consegue segurar. Quando o valor do m² em São Paulo sobe, o pessoal sai de lá – e vem para a Granja.
O bom da Granja é o espírito de interior. Por exemplo, eu morei em São Paulo por 13 anos, mas nunca entrei na sala do meu vizinho. No máximo, cruzava com ele no estacionamento. Aqui, eu me encontrava com os pais do meu filho em sua escola, e nós marcávamos encontros, pizzas. É um espírito que eu acho que vai continuar mesmo com o crescimento que está ocorrendo.”
Granja News O Jornal da Granja Viana e Região
