Por Victor de Andrade Lopes

O presidente da Câmara de Carapicuíba e candidato a prefeito Abraão Jr. (PSDB) esteve na noite da última quarta-feira (31/8) na Granja Viana para conversar com representantes de associações de moradores da parte carapicuibana do bairro. O encontro foi organizado pela União das Associações da Granja Viana – Carapicuíba (UAGV-C) e é o segundo de uma série de conversas que a entidade promoverá com os candidatos à prefeitura do município – na semana passada, a candidata convidada foi a Professora Sônia (veja detalhes aqui).
As alianças do vereador para esta eleição incluem ainda os partidos PROS, PRP, PEN, PSD, PPS, PRTB e PT do B, formando, assim, a coligação “Organizar Para Desenvolver”. Novamente, o Granja News acompanhou o encontro com exclusividade.
Como outros candidatos, Abraão também traça um panorama delicado da situação financeira de Carapicuíba. “O grande desafio da cidade é dinheiro. Ela é dependente de repasses e fundos. Por exemplo, Carapicuíba tem direito a R$ 20 milhões do FUNDEB [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] todo ano”.
Para ele, arrecadação é outro problema que compromete o orçamento. “Carapicuíba tem muitos carros emplacados aqui, mas não se compra veículo 0 km, porque não há concessionárias. Então, o imposto vai todo para Barueri ou Osasco”, explica. A situação do IPTU é ainda pior. Segundo dados fornecidos pelo próprio tucano, a maioria das casas e comércios da cidade não paga o imposto predial, e a prefeitura nada faz para reverter a situação.
O orçamento anual do município, segundo o vereador, é de cerca de R$ 430 milhões (R$ 156 milhões provenientes de IPTU), o que significa que há aproximadamente apenas mil reais por ano para investir em cada habitante. Assim, ele propõe “enxugar” a administração municipal para melhorar a situação orçamentária. “Quando eu cheguei na Câmara, reduzimos em 40% os gastos. Cortamos uma série de serviços inúteis”, conta Abraão.
Ele vê a saúde como prioridade. “É o grande problema, percebemos isso nas nossas caminhadas”. Para ele, o médico não quer trabalhar em Carapicuíba mesmo após a Câmara ter aprovado um aumento no salário deles, porque as condições são precárias. Ele também se disse a favor de informatizar o sistema para otimizar seu funcionamento. E para resolver a falta de médicos, ele pensa em um paliativo. “Vou propor que os consultórios no centro da cidade prestem atendimento social. Com isso, podemos economizar até normalizar o sistema”, explica.
Falando mais especificamente da Granja Viana, o vereador comentou a invasão do MTST em um terreno na Granja Viana ocorrida em 2014 (veja detalhes aqui). “Na época, eles foram à Câmara exigir que fizéssemos uma moção de apoio, senão eles quebrariam tudo lá. Eles queriam que permitíssemos 60 torres de vários andares, mas não aconteceu. Eles tinham até já uma verba federal”, conta Abraão.
Falando do plano diretor, o tucano disse ser necessária a participação da população local. Contudo, alguns dos presentes na reunião disseram que o plano foi feito à revelia das demandas da Granja Viana. Um deles disse que foi possível salvar a Fazendinha, mas que várias outras áreas da Granja em Carapicuíba ainda podem ser alteradas.
O vereador fez então um esclarecimento: o plano atual não foi sancionado e não é válido por não estar em harmonia com o Estatuto das Cidades. Ele acha difícil que regulamentem o texto até o fim do ano, devido às eleições.
Como não poderia deixar de ser, foram discutidas as recentes prisões de vereadores de Carapicuíba, resultantes da Operação Pasta Vazia, que investiga supostas fraudes na contratação de servidores municipais sem concurso público. Dentre os detidos, está Elias Cassundé (PPS), até então seu candidato a vice. “Comecei minha relação com ele há três meses”, esclareceu o candidato.
Ele reconhece que os fatos são prejudiciais à sua imagem, mas disse que decidiu continuar na disputa após fazer caminhadas e ver que a recepção à sua pessoa não foi tão danificada. Ele também buscou inspiração com outros tucanos. “Conversei com o governador e com lideranças e disseram que se prenderam todo mundo na Câmara e eu não, então é porque estou limpo”. Sobre a possibilidade de ter se envolvido no esquema, ele diz que teve “medo de soar como o Lula dizendo que não sabia de nada, mas eu não sabia mesmo”. Seu novo vice já foi indicado: o também tucano João Delfino. Ele se mostra satisfeito com o trabalho da justiça. “Político hoje já assume o poder sabendo que o Brasil está começando a ficar sério. Tem mais combate à corrupção”, afirma.
Outro assunto que veio à tona foi sua recente troca de partido: do PT para o PSDB. Conforme conta o candidato, ele sempre militou pelo PSDB, até trocá-lo pelo PT por conta de um desapontamento pessoal. “Foi por rebeldia mesmo. O Lula tinha um discurso que me encantou, e os professores de sociologia na faculdade jogavam muito isso pra gente. Quando voltei de um período de trabalho na Inglaterra, o Sérgio Ribeiro [atual prefeito de Carapicuíba] foi lá em casa me convidar a entrar para o PT. Ele queria alguém do meu perfil”.
Agora de volta ao partido de oposição ao PT, Abraão faz críticas aos 13,5 anos de Lula e Dilma. “Eles criaram uma geração que acha que o estado tem de dar tudo. Acham que dando creche e emprego para todo mundo, vai ter menos bandido na rua. Mas quando o estado ficou mais paternalista, criou mais vagabundo, mais bandido. O cidadão cresce mal acostumado”, analisa.
Ao decidir voltar para o PSDB, Abraão sabia que seria criticado. “Todos me questionaram pela ideologia, mas as ideologias do PSDB e do PT são do mesmo saco. Ambos sempre foram socialistas”, afirma. “Quando eu fui chamado, o PSDB daqui estava na mão de outras pessoas. E há uma resolução nacional determinando que cidades com mais de 200 mil habitantes devem ter candidato próprio da legenda”, explica.
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