Texto e fotos por Victor de Andrade Lopes
A reportagem do Granja News esteve na tarde de ontem (30/9) na invasão do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a um terreno em Carapicuíba, próximo às chácaras São João e a Paineiras. Autobatizada como “Ocupação Carlos Marighella” (em referência a um notório opositor da ditadura militar), a invasão já reúne 3,5 mil famílias no local, segundo o movimento.
Próximo à entrada da invasão, a reportagem constatou a presença de dezenas de carros, incluindo alguns de luxo. Fomos recebidos na entrada pela militante Agnes Karoline de Farias, que nos passou algumas informações e, em seguida, designou outro militante para nos acompanhar numa caminhada por entre as barracas.
Agnes primeiramente falou sobre o MTST, salientando que se trata de um movimento apartidário e que luta por moradia digna. Pouco antes de falar conosco, ela já havia chamado a atenção de um acampado recém-chegado que carregava um cavalete com propaganda eleitoral e pedido para que ele não mantivesse o anúncio exposto. Segundo ela, o terreno invadido está abandonado. “Os acampados pagam aluguel em bairros próximos, mas os valores vêm subindo por causa da especulação imobiliária”, explicou.
Questionada sobre a existência de algum tipo de controle no local para garantir que só haja pessoas realmente necessitadas, Agnes informou que eles não possuem tal controle, mas tentam cadastrar todos os acampados.
Ela também afirmou que a área em questão é alvo de interesse de construtoras. “Mas elas querem construir empreendimentos para gerar lucro, não pretendem fazer moradias populares”, diz. Questionada sobre um panfleto divulgado nas redes sociais no qual o movimento supostamente estaria conclamando quem está morando “em área de risco, morando de favor na casa de parentes ou não aguenta mais pagar o aluguel que consome a maior parte do seu salário” a vir para a invasão, Agnes informou que o mesmo seria falso.
Questionada sobre uma possível ação de reintegração de posse, discutida na reunião de moradores de condomínios vizinhos à invasão (veja detalhes aqui), a militante afirmou que o movimento buscará o diálogo com a prefeitura de Carapicuíba e que os acampados não acreditam que serão removidos.
Caminhando pelo local, a reportagem constatou que a invasão é dividida em grupos identificados como G1, G2, G3 e por aí vai. A todo o momento, novas pessoas chegavam e começavam a fincar novas barracas. Há uma cozinha comunitária mantida por doações dos próprios militantes.
O movimento planeja uma manifestação para a tarde de hoje (a partir das 14h) para pressionar a prefeitura e reivindicar serviços como coleta de lixo e fornecimento de água. A concentração será na saída da Estação de Carapicuíba e os manifestantes pretendem caminhar até a sede da prefeitura de Carapicuíba.
O MTST publicou um vídeo da invasão com alguns discursos, deliberações e a formulação de seu regimento interno, no qual desencorajam os moradores a desmatarem, consumirem drogas, fazerem ruídos após certos horários e não derrubarem os muros dos bolsões próximos. Para conferi-lo, acesse: http://us.twitcasting.tv/mtst_/movie/104415781


Granja News O Jornal da Granja Viana e Região
