Por Victor de Andrade Lopes
A Câmara Municipal de Cotia sediou na noite do dia 7 de outubro (quarta-feira) uma audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa da Raposo Tavares. Fundada e liderada pelo deputado Marcio Camargo (PSC), a frente já promoveu outras audiências em outros municípios cortados pela rodovia, e ainda promoverá mais eventos semelhantes. Atrasado em mais de uma hora, o evento acabou “espremendo” o espaço destinado às falas da população, que ainda poderia se manifestar, mas não mais receberia as respostas imediatamente, e sim via e-mail.
Muitos representantes de outros municípios estivaram no encontro – todos eles, inclusive Cotia, já possuem suas próprias frentes parlamentares em defesa da rodovia. É o caso de São Roque, representada por Adenilson Correia (o Mestre Kalunga, do PSL); Mairinque, representada por Rodrigo Augusto Conceição (o Rodrigo da Imobiliária, do PMDB); e Ibiúna, representada por Pedro Ferreira (PROS) – este último disse que a frente deveria lutar também pela duplicação da Rodovia Bunjiro Nakao, que forma um gargalo em sua confluência com a Raposo Tavares e prejudica o escoamento da produção agrícola do município. Em Cotia, o vereador que preside a frente em defesa da Raposo é Beto Rodovalho (PROS).

Igor Soares (PTN), colega de Marcio na Assembleia Legislativa e na frente, diz que buscará “honrar a mãe Cotia”, fazendo alusão ao fato de que sua cidade, Itapevi, um dia pertenceu a Cotia. Tanto ele quanto o prefeito Carlão Camargo (PSDB) se disseram contra a cobrança de pedágio na Raposo, sendo que Igor ainda complementou o raciocínio explicando que o projeto da CCR para a rodovia – divulgado em primeira mão pelo Granja News – seria compensado estendendo-se as concessões em outras rodovias.

Marcos Neves (PV), deputado estadual com base eleitoral em Carapicuíba, é parte da frente e explicou que, mesmo não sendo atravessada pela rodovia, Carapicuíba também sofre reflexos do trânsito da Raposo, como já sofreu com a Rodovia Castelo Branco, que passa logo ao norte do município.
Um vídeo preparado pela frente foi então apresentado, com depoimentos de usuários da rodovia e sugestões deles para melhorá-la. Em seguida, começou a parte técnica da audiência, com diversas palestras de especialistas.

Eduardo Camargo, presidente do grupo CCR Via Oeste, reapresentou o vídeo de seu projeto para a Raposo Tavares, mas sem a parte que falava da cobrança de pedágio na rodovia. “Para este projeto, faremos um investimento de R$ 4 bilhões. Não caberá a nós decidir se isso envolverá verba pública ou não”, disse.
Antes da reunião prosseguir, o ciclista Nelson Camargo, participante do grupo de ciclismo Ciclotia, apresentou a Marcio Camargo um pedido para a criação de uma ciclofaixa na rodovia.

O engenheiro Gerson, do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER), disse que a Raposo registrou a passagem do exato número de 38.272.448 veículos de janeiro a setembro deste ano, sendo 89% deles veículos de passeio. Ele mostrou, em números, que o número de acidentes no trecho administrado por eles na rodovia vem diminuindo nos últimos anos. Nos períodos de 1º de janeiro a 30 de setembro dos anos 2013, 2014, e 2015, houve 1.309, 1.192 e 871 acidentes, respectivamente. Gerson atribuiu a diminuição à recente instalação de radares. Como proposta de melhoria para a rodovia, ele falou em recapear as pistas, o que está sendo feito aos poucos.

O vereador e presidente do Rotary Club Cotia Empresarial Granja Viana Luis Gustavo Napolitano (PSDB) apresentou um estudo com os impactos que o trânsito causa em termos de saúde e economia. Propôs também que se discuta uma série de propostas a curto, médio e longo prazo para a rodovia – ações que vão desde a operação 5 pistas (que inverteria o sentido de pistas da Raposo de acordo com a diferença de fluxo entre um sentido e outro) e a restrição à circulação de caminhões em certos horários; até a abertura de uma passagem por baixo da Raposo no km 25, ligando o Parque São George e o Jardim da Glória.

A advogada Mariana Nogueira Machado, representando a empresa portuguesa Cinclus Engineering Consultancy, falou de alternativas modais ao trânsito, usando o exemplo de sucesso da Cinclus e o sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que eles implementaram em Porto, segunda maior metrópole de Portugal – embora tenha ressaltado várias vezes ao longo de sua fala que não estava necessariamente defendendo a empresa, e sim uma alternativa para transporte de massa.
O secretário de trânsito e transportes de Cotia, Silvio Leme, voltou a falar das vantagens do BRT (Bus Rapid Transit), um sistema que está em vias de ser implementado na Estrada da Roselândia, ligando Cotia e Itapevi.

Ricardo Arteiro, da Associação dos Engenheiros e Técnicos de Cotia (AETEC), lembrou que já existe um projeto pronto para um viaduto no km 28, mas que não saiu do papel. Alertou também para a possibilidade de que ele vire outro “estacionamento” como o viaduto do km 22. “Temos que separar o caos do caos. O caos da ‘nossa Raposo’ do caos do resto”, disse, referindo-se ao trecho de Cotia. Eduardo Savioli, também da área da arquitetura, apresentou um projeto para o viaduto do km 22, que reduziria as múltiplas alças e vias paralelas que hoje causam constantes engarrafamentos.

João Lino, idealizador dos dois fóruns de mobilidade da Raposo, criticou o governo estadual e sua apatia com relação ao problema. “O José Serra, que já foi governador de São Paulo, veio ao escritório regional do CIESP em Cotia para uma palestra e se disse ‘impressionado’ com o trânsito na Rodovia (veja detalhes aqui). Eu cheguei pra ele depois e o lembrei que, em 2007, quando realizamos o primeiro fórum, nós protocolamos várias cartas a ele”, disse. “Se não tivermos vontade política, a coisa não muda”, finalizou.
Quando chegou a vez da população falar, a organização da reunião informou que o público poderia falar, mas, devido ao tempo, as respostas não seriam dadas na hora, e sim posteriormente por e-mail. Revoltada, a população protestou e muitos se retiraram da câmara. Assim, poucas pessoas acabaram falando.

O fotógrafo Hiroto Yoshioka criticou a ausência de imagens das ruas próximas à Raposo que, segundo ele, teriam sido esquecidas em favor da rodovia. O advogado Paulo Nelson do Rego disse que são necessários dados mais atuais, uma vez que os mostrados referem-se a 2012.
O líder sindical Alex da Força expressou a intenção de derrubar dois mitos sobre a Raposo em sua fala. “O primeiro mito é que a solução envolve apenas a Granja Viana. O segundo mito é que as outras cidades afetadas não precisam se envolver e fazer seus planos de mobilidade”, disse.

O ex-candidato a prefeito Toninho Kalunga (PT) criticou a possibilidade de se criar mais faixas na rodovia – o que ele chamou de “egoísmo em detrimento do coletivo” – e criticou que a audiência tenha enxugado o tempo destinado às falas do público.
A frente parlamentar continuará realizando as audiências públicas previstas em seu cronograma. As três restantes serão realizadas nos seguintes locais e horários: Câmara Municipal de São Roque (22/10, às 19h); Associação Comercial de São Paulo – Distrito do Butantã (11/11, às 19h); e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Auditório Paulo Kobayashi (25/11, às 19hs).













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